Arquivos Mensais:fevereiro 2012

Tempo bom, pra desperdiçar

Tempo bom, pra desperdiçar

“Não fale mais sobre o perigo que eu corro,
só temo o perigo onde quero ter medo dele” – Franz Kafka, em O Processo

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Ai ai ai ai ai. Cabô mesmo? Cabô o carnaval? Quer dizer, os dias que a gente não faz nada no carnaval? Porque, né, não dá para me imaginar sambando, certo? certo! certíssimo. Vocês sabem que tenho um pouco de pânico de gente demais. Imagina, então, gente FELIZ demais. Ow my dear lord.  Não aguento tanta felicidade assim não. Sabe como é. Como diria o Wander Wildner, “eu não consigo ser alegre o tempo inteiro”. Não, não consigo.

Mas, estava aqui pensando, se tem uma coisa que me deixa alegre é ter tempo bom pra desperdiçar. Em época de adeptos da “altíssima produtividade” (blergh!), tempo ocioso, tempo desperdiçado é quase ofensa. E ó, nem tô falando de “ócio criativo”, não. Nada contra as teorias do brilhante Domenico De Masi, e seu respeito à individualidade na sociedade pós-industrial. Tô falando de fazer NADA mesmo. Sabe como é? Meu avô paterno, aquele da foto que contei outro dia, tinha um ritual. Na parte da tarde, após o almoço, gostava de tecer redes de pescar. Depois de uma, duas horas, ele parava e colocava as mãos na barrigona que tinha e ficava lá, paradinho. Parecia nem respirar.

Minha mania é diferente. De manhã, acordo, mas, não acordo. Assim: oficialmente já estou acordada, mas, agarro no travesseiro de uma tal forma que preciso ficar ali uma meia hora pensando que, finalmente, o dia começou. Ai penso na minha mãe, em Nietzsche, no que tenho que entregar ou de quem tenho que fugir, em Simone de Beauvoir, Paris, no supermercado, em Kafka, no que vou comer, em minha cachorrinha, meu pai, na dieta, e, às vezes, naquela criatura bizarra chamada Strauss-Khan que não consegue deixar o pinto dentro da calça e vive sendo preso.

Então, né. Nada muito criativo e revolucionário. Só que esse tempo no “nada”, esse tempo teoricamente desperdiçado, faz um bem tão grande pra minha sanidade que o dia que tenho que acordar e levantar correndo fico mal. Não sou mais feliz com essa coisa de “tudo rapidinho”. Pode ser a idade (veiótinha), mas, ia ser bom – assim como meu avô – ter mais desse tempo bom, pra desperdiçar. E, nesse feriado, nossa!, como desperdicei o tempo. Quero mais.

Dá até medo desse resto de fevereiro e esse Brasil que só começa depois do carnaval. Tipo: todo mundo tendo que resolver tudo, pra ontem, “como se não houvesse amanhã”. Mas, parafraseando o senhor Kafka, nem quero mais saber sobre o perigo que corro.

e você? tá com medo também? gosta de desperdiçar seu tempo como? ;)

beijo, beijo. Voltando, com preguiça, mas, ainda assim, voltando.

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Porque meu carnaval foi – longe – assim
Cícero – Ensaio sobre Ela

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Ainda faz um tempo bom
Pra desperdiçar comigo
Podemos enfeitar domingos

Penteadeira

Penteadeira

Todas as noites, antes de dormir, escovo os cabelos até os braços doerem, pra ver se a vida desliza mais fácil – assim como os fios, em desembaraço. Então, o silêncio abraça-me tal modo que não consigo desgarrar.

Dá para entender? Não, né? Deixa para lá, hoje o dia não está bom para entender das coisas.

exausta, exausta… mas, resistindo. Feito meus cabelos (ou, o que restou deles)

tudo  bem por ai? me conta alguma coisa do seu dia?

e, beijo. beijo. ah! hoje eu comi panquecas. (#srta porpertinha) :D

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Porque, nessas horas, gosto do “silêncio” da voz dele


Pearl Jam – Oceans

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You don’t have to stray
Tho oceans away
Waves roll in my thoughts
Hold tight the ring

Distrações

Distrações

“As observações e as vivências do solitário calado são ao mesmo tempo mais difusas e intensas do que as dos seres sociáveis, seus pensamentos mais graves, mais fantasiosos e sempre marcados por um laivo de tristeza. Imagens e impressões que facilmente seriam esquecidas com um olhar, um sorriso, uma troca de opiniões ocupam-no mais do que o devido, aprofundam-se no silêncio, ganham significado, transformam-se em vivência, aventura, sentimento. A solidão engendra o original, o belo ousado e surpreendente, o poema. Mas engendra também o universo, desmedido, o absurdo e o ilícito” - Thomas Mann, em Morte em Veneza

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Há quem não goste de supermercados. Eu os amo. Não exatamente pelo conteúdo que está à venda – até porque quase nunca compro o que realmente desejo. Mas, porque ali – geralmente – me distraio dos meus próprios pensamentos. É quase terapêutico. Empurrar o carrinho a esmo, andando pelos corredores, entre detergentes, macarrões e famílias inteiras, e suas felicidades e dilemas. Repara: o marido emburrado, a mulher prática, o homem econômico, a esposa neurótica que berra com as crianças, o casal apaixonado, os solitários e suas comidas congeladas. Repara, pode ser bem divertido. Gosto de imaginar como seria a minha vida caso estivesse cumprindo o destino daquele personagem. Não é raro me pegar rindo sozinha, em passinhos ritmados e inspirados por alguma canção do mestre Tony Bennett, entre pacotes de macarrão e molhos de tomate. E, mais divertido fica quando penso que há alguém me observando e imaginando em qual desses tipos me classifico. Talvez o da “doida”, que ri à toa, em corredores vazios ou em filas, sempre cheias, do caixa.

Sempre me distraio no supermercado – e, segundas-feiras são ótimas para isso!
E você? Como distrai seus pensamentos da verdade?

beijo, beijo! e, um pouco de coragem pra enfrentar a semana! que tal? ;)

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Porque o amigo Alfredo me presenteou outro dia e eu amo a música e o clipe

Zero 7 – Distractions

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I only make jokes to distract myself
From the truth, from the truth

Atração ao que foge do script

Atração ao que foge do script

E lá estava numa reunião de cinco horas com os “engravatados”, numa cidade que odeio pelo calor (pois é, viajei de novo!), quando um dos participantes – na verdade, o cliente – um argentino de uns 50 anos, arrogante, mas sempre educado, me disse baixinho no final da reunião, enquanto todos recolhiam os papéis e canetas espalhados pela mesa: “às vezes, você consegue me fazer te detestar”. Oi?

Na hora pensei: estou ferrada, babau projeto. “Vesti” a carinha mais simpática que me é possível e perguntei: “por que, o que houve? estou encrencada?”. O argentino limitou-se a dar um sorriso de canto de boca, e, respondeu que não, eu não estava encrencada, que o projeto seguiria, o orçamento estava aprovado, e, que era pra fazer tudo como o planejado. Então, insisti: “mas, por que me detesta?”. Ele: “deixa pra lá”.

Fiquei sem uma resposta. E, durante as quatro horas de viagem de volta a São Paulo, rascunhei mentalmente mil possibilidades. É verdade que nem sempre sou uma “simpatia”, que às vezes (quase sempre) sou centralizadora, teimosa e ausente, mas, me detestar não seria demais? Tentei, então, me lembrar de algum desentendimento anterior com o argentino. Nada. Tudo dentro do script.

Então, o que faria o homem me detestar? Não tenho a menor ideia. Mas, sei que o efeito foi totalmente avesso ao esperado. O argentino, que até então era para mim só um burocrata pedante, ganhou minha simpatia – ainda que me deteste. “Burocratas” quase nunca saem do script, tudo em nome das boas relações comerciais. Aí vem o tal do argentino e pá! – quebra as regras ditadas pela diplomacia.

Sinto atração intelectual e, até, sexual por gente que é capaz de sair do script. Que sabe “chutar o balde” com elegância. Que sem demagogia e ideologias de prateleira, sem querer dar “show” para sua patota ver, mantém sua integridade e opinião. Coisa raríssima hoje em dia. É verdade que as pessoas andam falando pelos cotovelos, mas, grande parte só para os “outros verem”. Ou, quando realmente são fiéis ao que acreditam, não escapam da armadilha do “grande público” (eu, inclusive). Diferente do argentino, que mesmo me detestando, não deixou de dizer – com elegância, sem grandes explicações, e, só para mim – que me detesta.

E à noite, em “sono” tranquilo, sonhei – acordada – que fazia sexo com o tal homem ;)

Não sei quanto a vocês, mas, como disse, sinto atração a tudo que  e-l-e-g-a-n-t-e-m-e-n-t-e  foge aos padrões – mesmo sabendo que, no fundo, precisamos dos tais padrões. Mas, e você? Se atrai também ao que foge à regra?

beijo, beijo! e, já é sexta! minha nossa… esse tempo, nosso tempo, que voa!

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Porque é nesse ‘clima’ que ando dançando por aqui

Lykke Li – Youth Knows No Pain

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Come laugh away who you are
Make a mess, make a bow
And get back walk on lost in the trade
With the plants and the shimmering beats
With the wind in my hair, you’re free

Nem sombra d’ela

Nem sombra d’ela

O livre-arbítrio é uma ilusão intoxicante – Paulo Francis, 1980

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Essa semana eu fui, voltei, fui de novo, retornei e cá estou – duas da manhã dessa segunda-feira – brincando de fotografar sombra na parede, depois de um susto com tamanho “descabelo”, enquanto termino um texto “sério” para entregar daqui a pouco. Se me perguntassem quantas dessas coisas eu queria ter feito, provavelmente responderia que só brincar de sombra na parede, além de mascar compulsivamente essas balinhas 7 belo que teimam em grudar em meus dentes. A frase do Francis nunca caiu tão bem: o livre-arbítrio é mesmo uma ilusão intoxicante, não? Em maior ou menor grau, a gente gosta de acreditar que tem. Tipo deus, sabe? Se ele não existe (como acho que não existe), a gente trata de inventar um e segue a vida. Não, não é uma reclamação. Minha mente e coração andam em paz. Só acho curioso esse conceito da livre-escolha contemporânea, pero no mucho. Em que momento de seu dia, da sua vida, você sente que tem realmente livre-arbítrio e, por outro lado, quando ou em que situação você percebe que ele é tolhido? Quanto a mim… é verdade, gosto de pensar que amanhã, quem sabe amanhã!, meu livre-arbítrio será um pouco mais livre. Ora ora Francis! não é que esse negócio é mesmo intoxicante…

okay, exagerei no otimismo em plena segunda-feira, mesmo? :D
Mas, citando Walt Whitman: “I’m contradictory, I contain multitudes”. (pra você João! amei seu email)

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bora começar a semana? Espero “permanecer” mais (pra poder também responder vossos amados emails e comentários), do que “ir, vir, voltar”. Combinado? Combinado! Beijo, beijo…

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Porque é a música que está me fazendo companhia agora


Fogo – Capital Inicial

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Você é tão acostumada
A sempre ter razão…