
Aos onze anos, minha família mudou-se de endereço e fui obrigada a ir também. Logo, sem amigos em um bairro desconhecido e em tempos que não existia internet, precisei arrumar algo para me ocupar e matar o tédio proporcionado pelas férias escolares sem viagem. Papai tinha investido todo o dinheiro na mudança e, com isso, não tivemos as semanas de praia como ocorria anualmente. Não ficaria aborrecida se tivesse algo para fazer. Não tinha. Foi então que decidi, intencionalmente e pela primeira vez, que iria me apaixonar. Assim, como se o amor e a paixão fossem uma questão de escolha. E, não é que a ignorância é mesmo atrevida? Bolei um plano.
Passaria horas na calçada da casa nova observando a rua, onde muitos pré-adolescentes como eu brincavam, e assim escolheria a criatura pelo qual me apaixonaria. Fiz uma lista de qualidades e afinidades, e, com o decorrer dos dias e das amizades que surgiam naturalmente, ia ticando os atributos comparando os “candidatos”. Quase um mês depois, metade das férias tinha ido embora, e nada da tal paixão surgir. Não era um problema com os garotos ou, até, da minha lista – nunca fui muito exigente mesmo – mas, simplesmente não sentia. Até que um dia aconteceu.
Estava jogando vôlei, já totalmente adaptada à turma da rua, quando um fusca verde que tocava uma música estranha atrapalhou nossa brincadeira. Tivemos que desmontar a rede improvisada e amarrada a postes, para que o carro pudesse passar. Dentro do fusca verde, vi um homem que achei esquisito. Tinha um cabelo comprido, meio bagunçado – à la Eddie Vedder – e tatuagens no braço. Nunca tinha visto alguém tatuado e, tendo como única referência a televisão, pensei se tratar de um desses fugitivos da polícia. Era final dos anos 80 e tatuagem ainda não era moda e nem fazia parte do “vestuário” da classe média. Senti certa inquietação, medo talvez.
Enquanto os meninos desmontavam a rede, o homem desceu do carro e destruiu minha fantasia e expectativas bandidas, porque sorriu, brincou com um dos meninos de forma engraçada e o ajudou na tarefa de desmonte. Sentada na calçada observava hipnoticamente o sujeito – que logo entrou no carro, ligou o rádio, buzinou duas vezes e foi embora. Bastou: estava perdidamente apaixonada. No outro dia, fiquei a postos no mesmo horário para ver se o homem passava. Passou, mais tarde que o dia anterior, mas, sequer me importei com a quantidade de horas que tinha ficado “plantada” na calçada. Depois de dois, três dias, comecei a dar tchau. Passei a gritar “oizinhos”. E, roubei o batom vermelho da minha mãe para chamar a atenção do homem do fusca verde que morava na rua paralela à minha. Nada funcionava. Não me passou à mente a questão de eu ter 11 anos.
Pensei que, talvez, ele tivesse uma lista para se apaixonar também. E que minhas características não atendiam às suas exigências. Mas, me dei conta que em minha lista não constavam tatuagem, fusca verde, cabelo bagunçado, e, Rolling Stones (que ele escutava no rádio do carro e que só depois vim a saber do que se tratava aquele “barulhão”). Como podia? Ele não estava em minha “lista”, mas, eu estava apaixonada. E, o ritual da espera prosseguia. Tinha decorado o horário que ele voltava do trabalho e, se duvidar, reconhecia até o ronco do motor do carro. O dia que ele não passava, ficava angustiada. Descobri que esse bichinho chamado “paixão” era bem impaciente.
Num sábado, o homem do fusca verde passou e perguntou: “sozinha menina?”. Balancei rapidamente a cabeça em consentimento, e, nervosa, as palavras não saiam. Era a primeira vez que ele falava diretamente e só para mim. Toda a turma estava no aniversário de um dos amigos, e eu não quis ir para esperar o fusca verde passar. Consegui responder em uma frase mal construída que não tinha ido ao aniversário, no qual todos estavam, porque tinha me atrasado. Ele perguntou o meu nome. Na resposta atrapalhada disse: “estou apaixonada por você”. O homem do fusca verde abriu um sorriso largo. “Apaixonada?”. E eu, com o rosto queimando de vergonha, disse que sim.
Nos dias seguintes, eu continuava à espera – não mais “plantada”, mas, “concretada” mesmo – e ninguém me tirava de lá. O homem do fusca verde passava, falava oi, me dava tchau e eu me sentia a mais importante das criaturas. Um dia, ele parou o carro e pediu pra que entrasse – entrei. Não pensei duas vezes. Escapuli da minha casa – sem que minha mãe sonhasse e fui com o “amor da minha vida” (eu sei, eu sei… se fosse hoje não teria tanta sorte de contar essa história). Na época, lembro que pensei: “Pronto! Ele está se apaixonando por mim também”. Obviamente, não era o caso. Ele me levou na sorveteria da esquina. Disse que tínhamos um “problema de amor” a resolver porque éramos muito diferentes. Um querido. Nunca disse que era por eu “ser criança”. Apenas que éramos diferentes. Então, tive certeza que ele tinha a tal listinha e eu não atendia suas expectativas. Assim como ele não atendia as minhas… mas, ora, eu estava apaixonada. E, continuei, intensamente, por mais duas semanas – até que as aulas recomeçaram. Como “mágica” a paixão desapareceu e eu nem me lembrava mais do homem do fusca verde.
Por que me lembrei dessa história? Há alguns dias a querida @tatysousa me sugeriu escrever um texto sobre os motivos que levam alguém a NÃO se apaixonar. Assim como na adolescência, fui lá fazer minha listinha (ainda que mental) das razões pelas quais não me apaixonaria por alguém ou pelas quais decidiria, de maneira voluntária, não me apaixonar. Passei dias pensando nas “espécies” que passaram pela minha vida, mas, que me ensinaram (ou, pelo menos, me deram pistas) do que não gostaria. Mas, me dei conta que tudo isso não passa de um desejo. Porque, creio, não há ensaio para a paixão. Talvez haja para o amor, que pode acontecer de diferentes modos e tempos, mas, não para paixão. Você pode ter a mais perfeita das listinhas, pode saber exatamente o que não quer, e se apaixonar justamente pela lista – só que àquela oposta aos seus desejos.
Como isso acontece? Não tenho a mínima ideia. Se soubesse, explicaria a mim mesma como foi possível me apaixonar (e, até, amar) pessoas tão diferentes umas das outras. Quase “casei” com um cientista da computação que amava uma coisa chamada Delphi, que até hoje não sei o que é – mas fingi entender por quase cinco anos. Desenvolvi uma paixão por um músico-erudito-vegetariano que odiava, além de carne, açúcar (e eu sou a “formiga” em pessoa) – e, claro, por uma questão de “incompatibilidade gastronômica” a paixão durou pouco. Passei uma boa parte da juventude com um jovem que atendia pelo apelido de “Cachorrão” – mas, que era o mais bocó das criaturas, e, só era “mau” na hora que estava com sua guitarra (também músico, só que neste caso, de rock). E o bom moço expert em web? (oi, F.Luiz!). Temos… Professor? Publicitário? Agente Penitenciário? (pois é – um dia preciso contar essa história aqui). Ah… também me apaixonei por uma advogada (sim, você não leu errado – nem pelo gênero, nem pela profissão). E uma pessoa amada que me fez pensar em largar tudo para casar no Açores… Yeap.
Além daqueles clichês que repetimos sempre, eu não sei direito o que faz alguém a não se apaixonar. Será que isso realmente é uma escolha? Será que conseguimos “neutralizar” a paixão por alguém, ou que conseguimos bloquear a paixão quando ela acontece? E, principalmente: será que conseguimos evitar que ela aconteça? Tenho minhas dúvidas. A mim, nunca aconteceu. Sou visceral nestas coisas. Se me apaixono, estou perdida. Entro no “fusca verde” – tal qual como na minha adolescência – e vou-me embora para Pasárgada, como diria o mestre Manuel Bandeira.
Como fui incapaz de atender a solicitação da querida Taty (sorry, dear!), vocês poderiam me ajudar? O que te faz não se apaixonar por alguém? Você acha que isso pode ser uma escolha? Já decidiu, assim, voluntária e conscientemente, não se apaixonar? Digam-me tudo, não escondam nada… Eu e a Taty agradecemos
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Tudo bem por ai? Como foi o Natal “ri-dí-cu-lo” de vocês? O meu foi conforme o script da família. Ou seja (melhor nem comentar!). Gravei – em som – algumas das nossas performances no karaokê, mas, de tão, tão ridículo não tenho coragem de postar aqui! Ufa, alívio… será um sinal de que ainda me resta um pingo de sanidade?!
Beijo, beijo! preguiçosos porque ando numa preguiça danada!
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Porque é o que toca agora, apaixonadamente, às 3h29 da madrugada desta quarta-feira
Cat Power – King Rides By
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If time had a place,
And space for your past.
Like a little novel,
I wanted to read again and again,
Would i be in your novel?
Would i begin and end in it?
meu natal foi ridículo de monótono, nada divertido. e você ainda tem um pingo de sanidade? que chata você.
eu já escolhi não me apaixonar por quem escrevesse “indiota”. só que me parece muita besteira excluir alguém desse tal impulso visceral que te faz perder o rumo por um instante que pode durar a vida toda, por uma coisa tão básica… e não querer se apaixonar voluntariamente é como a contradição da contradição ao contrário. mas cada um tem seu esquema e sistema de segurança contra ao “se me apaixono, estou perdida”. fugir de uma paixão nos deixa mais cinzas, tristes e vai arrancando pedaços da gente, nos matando pouco a pouco.
e pode crer, falou o cara com um pé no caixão.
ain, ando chata né? Sorry! (mas, mais do que isso, ando é preguiçosa demais! exageradamente preguiçosa).
quanto ao “indiota”, acho (só acho!) que sou imune a isso. Meu tesão está intimamente ligado ao cérebro. O que, às vezes, confesso é um problema. Como dizem vocês homens: eu brocho… rs.. mas, se acontecer um dia… enfim… a gente cria uma fantasia de “professorinha” pra ficar corrigindo o indivíduo. Ou, compra uma mordaça logo de vez, né não?
tá apaixonado? que história é essa “do cara com um pé no caixão”?
beijo.
a vida é apaixonante, de vez em quando a gente dá um tapa na cara dela, uma puxada no cabelo, uma pegada forte na cintura, apoia ela de quatro e mete bem fundo e gostoso… mas eu já não me apaixono por ela tem algum tempo.
ui, quanta inspiração!!
Oi moça. Eu não comemoro mais o natal há alguns bons anos. Então, passei o dia de sábado fazendo uma maratona de Dexter, que terminei na madrugada de domingo.
Eu nunca fui de me apaixonar. Quando eu era mais novo, até tentava forçar uma coisa, mas nunca deu certo. Não sou tão bom mentiroso pra me enganar tão bem. Por isso, ‘não se apaixonar’ é algo tão normal pra mim, que não sei responder a pergunta.
Beijos, beijos.
Passar o natal fazendo uma maratona de Dexter, definitivamente, é sua cara…rs..
quanto a se apaixonar, ai ai viu… nem vou dizer nada. Porque daria uma tese.
um beijoooooooooooooooooooo
Olá moça!
Meu natal…ah, não quero comentar… pra vc ter uma ideia, a gripe que me derrubou tá mais agradável….
Sobre a paixão: eu não sei se é possivel fazer a opção de não se apaixonar. Eu estou numa situação inversa – gostaria de me apaixonar, mas nada acontece… Não só por alguem, mas por algo. Acho a paixão indispensável… sem ela a vida fica cinza… seja por um projeto, por um lugar, por uma atividade… a paixão é necessária. E ela me abandonou displicentemente me largando num mar de cinza….
hei Jackiezinha, melhorou da gripe?
Tô achando que vou promover aqui, um “Namoro na TV” – ou melhor, “Namoro no blog”…rs..rs. será que daria certo???? rs rs
tá, não precisa responder! acho que seria demais uma versão Sivio K. Santos…rs..
beijosssss, love.
Olá Srta!
Me senti lisonjeada ao menos pela sua tentativa de me ajudar a desmistificar a questão.
Você me fez recordar que na infância também tive um amor (paixão?) platônico, mas naquela época em que o racional não atrapalhava, era a imaginação que dava o tom principal, e ainda me lembro como era fácil dançar.
Acho que hoje a paixão está meio escassa, não por falta de tentativas, mas porque as pessoas costumam estragar tudo, desaprenderam a seduzir, são apressadas demais, e o meu alerta de perigo (ou filtros mentais) logo apita.
Não sei se “estar” apaixonada é uma questão de escolha, tomara que não seja, mas comigo não costuma acontecer assim.
Bem, o natal foi de muito trabalho, pela primeira vez resolvi organizar uma ceia na minha casa. Acho que no fim deu tudo certo, apesar das maluquices familiares.
Beijos moça! E que 2012 venha com toda energia positiva que precisamos =)
Taty.
oi Taty!
a imaginação sempre dá o tom principal, em tudo, na vida. Eu não deixo ela escapar de mim tão fácil, não. Mesmo aos 33.
Agora, esses amores da infância são tão bons, né? Fico só observando minha irmã adolescente, em “princípio de atividades”, e invejandoooo muito! rs
a paixão anda escassa porque as pessoas andam deixando de acreditar (e se entregar) a outras. O que, certo modo, é mais seguro mas não menos triste.
beijos amada! que 2012 seja ótimo para todos nós!!!
Oi criança!
Meu natal passei em casa, sem frescura. Fiquei bebendo e conversando com a namorada/esposa e arrumando a casa, consertando a pia e fazendo gambiarra no armário para caber mais coisas.
Eu sou um eterno apaixonado, não escolho e nunca escolhi nenhuma das minhas paixões, simplesmente as moças de fusca verde apareciam e pronto, eu as idolatrava e até conseguia fazer com que as paixões fossem recíprocas. Para ter uma ideia, já quase, quase me apaixonei por uma guria na internet que eu nunca vi, só porque tinha o jeito parecido com outra que gostava. Isso ao mesmo tempo. Paixão não se entende.
Ela é uma viagem, as vezes o destino é bom as vezes não. Estranho seria se eu não me apaixonasse.
Porque eu adoro a confusão, a alegria, a tristeza e destruição que ela causa.
Beijo.
Se cuida
[Porque eu adoro a confusão, a alegria, a tristeza e destruição que ela causa.] 2
Sem mais!
esse moço tem o dom de entender a mulherada, viu…rs..
hi baby,
meu Natal também foi por aí. De chinelo. Quer coisa melhor? Mas, sem esposa nem pia pra arrumar..rs…
eu gosto de homens eternamente apaixonados, me inspiram (não só a mim… note que seu fã clube aqui tem aumentado consideravelmente! rs)
também adoro as confusões – e todas as consequências – da paixão. Faz parte de mim.
Quase se apaixonou por uma guria da internet foi? um dia você terá que me contar – em detalhes – essa história. Está me devendo… rs
beijos. cuide-se também.
K aríssima
Depois do seu texto, quero crer que mulheres tem fórmulas elaboradas para tudo. Primam pela organização, sendo assim não me espantou saber que também relacionam quesitos indispensáveis a uma paixão, vide: http://incompletudes.wordpress.com/2011/12/28/imperfeicoes-da-paixao/ (não agradeça pelos créditos…… rs).
Isto faz o imprevisível ser, verde e andar de fusca.
Sei também que funciona bem nos livros e em filmes (e com efeito especial fica realmente demais), no meu caso sempre me pegou de surpresa e foi o que fez valer a pena sobreviver.
A vida sem sequer uma paixão é insípida, inócua, vazia. Alguns, talvez, não vivam isto, quem sabe por não terem elaborado uma lista de afinidades como você, mas mesmo sem ela, é importante que tenhamos a esperança de que um dia ela nos surja de repente, nos arrebate, e ao final, se quedarmos sobreviventes, parafrasear Neruda ao dizermos a nosotros: confesso que vivi.
A Michele anda me mostrando algumas coisas novas, velhos também são curiosos… rs
Beijos.
Luciano.
outros…
ah, Luciano…
quem me dera ser organizada!!! rs rs Acho que gosto das listas pra me iludir um pouco (e não perder o rumo!)
mas, muitas mulheres são assim e eu as invejo profundamente. um dia chego lá! (mais uma ilusão..rs.)
O seu comentário – sobre a paixão – foi lindo. Quero viver muito também. Muito mais, ainda.
Ah essa danada da Michele! amei a música…
quanto ao “velho” – vá catar coquinho vá..rs… (com todo o respeito que têm os amigos..rs). Acho que você é mais jovem que meu namorado. (e ele não tem nada de velho… aliás, me dá é uma canseira)
beijo grande.
Ahhhh, pleaaase, essa história do agente penitenciário você precisa nos contar Srta. K! rsss
A paixão é um sentimento misterioso. Não acho que possamos escolher, de acordo com nossa listinha de qualidades, aquele(a) pelo qual vamos nos apaixonar. Também não conseguimos nos desapaixonar de alguém quando não é mais conveniente…
Agora, aquele ditado que diz: “amor se cura com outro amor”, funciona que é uma beleza! O problema é esperar o outro amor aparecer e, até lá, roer pelo antigo… (rs)
Por que será? Também não sei….
Beijinhos
hahahhahaha…. ai, você vai justo na mais sórdida né???
o dia que eu tomar uns “drinks” a mais, escrevo (porque tem estar bêbada pra contar tamanha bobagem..rs). Mas, eu conto..rs..
sobre a paixão, e o “amor que se cura com outro amor”, como dizem por aí: “enquanto não aparece o certo, a gente se diverte com os errados”… ups!
beijossss
K querida e amada!
Sumi né? Peguei uma gripe atrás da outra… na verdade acho que o que me abalou mesmo foi uma melancolia chata. O nascimento da minha filhota linda me aproximou muito da minha mãe, na verdade, na falta que eu sinto dela (perdi minha mãe há 5 anos), aí já viu né? A imunidade caiu e eu fiquei dias reclusa com minhas dores.
O Natal chegou e eu assim, porque nessas datas tudo fica muito maior. Mas, passou! Fui ali, tomei um banho de mar e já estou melhor.
Amei o seu recadinho de Feliz Natal! Amei mesmo!
Sobre paixões… Ai ai! Se alguém descobrir a fórmula para não se apaixonar por quem não devemos eu quero saber, porque o coração da gente as vezes é traiçoeiro e eu já me meti em cada uma…
Beijos e beijos
Ps. Ainda volto para desejar um feliz ano novo!
Ana, querida
você tem toda a permissão pra sumir por um tempo… voltar, reaparecer. Se sumir muito, eu te caço e vou te buscar.
Essa questão de mãe é complicado mesmo, nem consigo imaginar. Digo isso porque minha “melhor amiga” sempre foi – disparado – minha mãe. E, num momento assim, uau… não consigo dimensionar em palavras o que seria também para mim. Imagino pra vc.
Sei que não é a mesma coisa, mas, você sabe… tem amigas que te amam também.
beijo grande! (qualquer coisa, já sabe… só chamar).
K, querida.
Meu Natal foi em casa, e até que nem foi tão ridículo pq resolvemos nada fazer e jantar e dormir. E vc bem que podia ser menos sã.
Deixa eu contar!?
Eu era mega super babacamente apaixonada por um carinha quando eu tinha uns 13 anos… Ele, no alto de sua maturidade aos 18 dizia que eu era criança demais (nem teve a delicadeza de dizer que érmos diferentes como o tatuado do fusca, ô).
Enfim, um dia, eu estudando na portaria do prédio (claro, que para esperar minha paixão passar) nossa como somos todas iguais… Ele veio me perguntar o que eu estava estudando. Era biologia (ciência na minha época vai) orgãos reprodutores… Eu pensei: “meu Deus, logo esse assunto?” Mas enfim, ele veio querer me dar aula e me disse a coisa mais bizarra que já ouvi na minha vida, as palavras exatas foram (gente não ri, o cara era um gato, tinha um sorriso lindo, a voz que derretia qualquer coração): “vulva e ânus são a mesma coisa”. Assim, como se controla uma paixão, ou qual o processo de se apaixonar eu não sei, mas desapaixonar, pra mim, aconteceu assim, de estalo! Foi incrível! foi como se um espírito estivesse saindo do meu corpo e no olhar seguinte eu não consegua olhar para ele. (tá gente eu sempre fui meio cdf e burrice pra mim não tem vez, não pra minha paixão). Que bom né, porque se o lance evolui…
ai ai ai, que felicidade! olha quem apareceu por aqui!
“vulva e ânus são a mesma coisa”… ahahahahaha… ESSA FOI A MELHOR! rs rs rs
eu também “desapaixono” por algumas coisas assim. Só pra você ter uma ideia: eu morava (MORAR MESMOOOO) com meu ex-boyfriend. Estávamos juntos há quase 6 anos, e, num jantar – em plena pizzaria – eu comentei com um amigo dele sobre um texto de Shakespeare que tinha lido (porque tínhamos acabado de ver uma peça cujo texto era dele… e esse tal amigo era entendido em Shakespeare – coisa que eu não sou!). Então, o querido ex vira, assim, do nada e diz: “desde quando você se interessa tanto assim por literatura e Shakespeare?”.
FIM DO AMOR. Fim mesmo – logo depois sai de casa. Aquilo pra mim significou falta de interesse. Algo como: “moro contigo há seis anos e você sequer sabe que gosto de literatura?”.
senão me engano foi Alain de Botton que disse que “amar alguém é ter profundo interesse por essa pessoa”. Quando me deparo com essa “falta de interesse”, ou cuidado, ou quando vejo um interesse “simulado” – só em certas horas – acaba na hora o amor, a paixão e o tesão.
beijo amadinha! some não, vai?
Meu natal foi ridiculamente simples e maravilhoso.
Comi horrores e prometi a mim mesma só comer de novo na virada do ano.
(Não deu certo, xiiiu)
Paixão pra mim sempre foi e é um problema, quer dizer… não se apaixonar.
Tenho a mania danada de me apaixonar por qualquer defeito sórdido e banal que a pessoa tenha.
Tipo o dedo torto, o jeito de coçar o pé, a gargalhada mais horrível do mundo… Essas coisas. Então nunca tentei fugir dela, até esse ano. Tentei exercitar, ficar longe de qualquer intimidade que me fizesse enxergar tais “encantamentos”. Só que, sabe como é… Não funcionou.
Então, parei de tentar. Descobri que é a paixão que me move.
Beijos beijos.
PS: Resposta sobre o livro no seu email.
E please, conte-me esse causo de Açores.
Assim… só pra eu poder me apaixonar. Rs
Mogzinha,
os melhores são os mais simples… sempre. Aliás, a vida é muito melhor na simplicidade. E nem me fala na “comilança”. Minhas calças estão estourandooo.rs..rs.
“Tenho a mania danada de me apaixonar por qualquer defeito sórdido e banal que a pessoa tenha” - Pois, você não poderia ter ME definido melhor. Sério mesmo… Não pare de tentar não, okay? okay! Tenho muitos defeitos sórdidos e banais
li seu email agora! amanhã ou depois respondo.. estou pensando nas possibilidades!! só um cadinho de paciência que seu presente já já chega (com todo carinho).
beijo grande.
(ah! um dia conto o causo de Açores! rs)
Os motivos que levam alguém a não se apaixonar? Bem, consigo lembrar-me de um milhão!
Mas o que interessa toda uma construção teórica (mesmo que feita de muita experiência) acerca daquilo que achamos que gostamos ou não, perante o óbvio? Quanto vale essa construção perante aquilo que nos cai em cima como um raio e nos parte em dois (como é mesmo aquela frase lindíssima de Cortázar inserida no trecho que nos leu, K.?). Não temos a mínima hipótese de comandar a paixão. Quando chega, toma conta de nós de modo avassalador, sem pedir licença. A paixão, quando cai, deixa-nos inteiramente entregues ao objecto amado. Assim como uma folha que, mesmo se usada, se sente branca, ansiando por ser reescrita com sinais de cumplicidade. E todos os motivos a favor ou contra esbatem-se, diluem-se, evaporam-se perante a sua novel insignificância.
O que realmente interessa é aquilo que fazemos com ela. A paixão. Ou a partir dela. Diria.
Bjs.
PS: A propósito, para quando mais uma leitura Srta K.? Please….
“A paixão, quando cai, deixa-nos inteiramente entregues ao objecto amado. Assim como uma folha que, mesmo se usada, se sente branca, ansiando por ser reescrita com sinais de cumplicidade. E todos os motivos a favor ou contra esbatem-se, diluem-se, evaporam-se perante a sua novel insignificância”
ui, tão bonito o que você escreveu… o que posso comentar diante disso?
mais uma leitura? tá doido criatura? rs rs Meus “velhinhos” (ok, não os velhinhos… mas, as supervisoras) me demitiram do cargo de “contadora de histórias”. Agora só posso jogar damas… de preferência de boca fechada! rs rs
beijo. love.
Porque não consigo dormir e vocês (você e o vinho) são minhas únicas companhias cabíveis nesse momento…
Porque quero morrer por sempre me apaixonar por mulheres casadas… e ser correspondida
Beijos… beijos.
A vida é um filme de suspense, quando você dobra esquina achando que está livre do mal, ele aparece para te atormentar novamente, and again and again and again…
Beijos
garoto, eu gosto de você!!
quanto a vida ser um filme… a minha é um misto de tudo: suspense/comédia romântica/uma pitadinha de terror/e muita, muita, muita aventura…
sem mais. acho que gosto do meu roteiro
Beijos e Happy New Year, dear!!
Bianka,
estou pensando seriamente em sequestrar o Djavan… você me ajuda???
Sempre que precisar!! \o/
com trilha sonora de fuga e tudo o que tem direito
rsrsrs não vão me colocar no porta-malas não, né!
Vocês são uns amores.
Então que o roteiro leve ao sucesso.
Feliz ano novo para você também.
Beijos
Se cuida
baby, que o tormento então seja bom.
Será?
É sim.
Da boca para fora não.
ah tão bonitinha você… Vi seu recadinho lá no twitter! tão querida.
bom, sempre há vinhos e madrugadas no próximo ano. Estarei por aqui.
sobre as “mulheres casadas”, sei não… tô achando que vc gosta é de confusão! rs qual seu signo?
beijossssssssssss
awnn… obrigada pelo ‘bonitinha’, rsrs
Eu ando bem querida, ultimamente… sei lá o que tá me dando, é como se fosse uma TPM as avessas, isso está me preocupando tanto!! rs, rs.
sobre ‘gostar de confusão’… mulherrrrrrr, você não tem noção do quanto!!
Eu até procuro fugir dessas coisas, mas elas definitivamente não me largam. rs
Sobre o meu signo, descreve em gênero, número e grau o que eu sou:
peixes acendente escorpião (tal qual a música do Renato Russo!)
Beijos, linda!!
Amor talvez seja escolha, costume mesmo…mas paixão?! Ah…por ela continuo olhando o teto refletindo se escolhi bem aquele que dorme tranquilo ao meu lado e cuida bem de mim ou se estava mais feliz com uma paixonite quase 10 anos mais novo – por quem prometi não me apaixonar. Eu sei, eu sei…totalmente ‘mirim’ essa promessa…aliás, fui mirim e pedófila
Ok, meu tempo acabou…manda o número da conta pra eu depositar o valor referente a essa sessão-terapia…rs
mirim e pedófila???… pronto, você se superou!!!
ainda bem que minhas paixões, no geral, são geriátricas… rs rs rs rs