
“Mas é isso mesmo que nos faz senhores da terra, é esse poder de restaurar o passado, para tocar a instabilidade das nossas impressões e a vaidade de nossos afetos. Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não; é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes” – (Machado de Assis)
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Terminei essa semana a leitura de um livro do Ernesto Sábato, em que o personagem principal diz assim: “os detalhes me emocionam, não as generalidades”. Não teria frase melhor para fechar meu ano e começar este texto. São os detalhes, sem dúvida, que me emocionam mais. Pouco me importa se a pessoa faz isso ou aquilo, se seu nome é A ou B, se usa a moda da última estação ou farrapos. Tudo isso, para mim, são generalidades. Gosto mesmo dos detalhes, daqueles que fazem a pessoa ser como ela é.
Para esse último post do ano, seria fácil – muito fácil! – despejar aqui todas as coisas ruins que me aconteceram em 2011 (e, garanto-lhes que não foram poucas). Foi um dos anos mais difíceis que já tive na vida. Mas, assim como a personagem de Eleanor Porter, prefiro (e sobrevivo!) sendo Pollyanna, com o seu “jogo do contente” – no qual busca encontrar algo de positivo para qualquer situação que se viva. Então, com exceção de dois ou três tópicos (que julgo que foram muito representativos para mim), o restante da minha “retrospectiva de 2011” só traz as coisas boas. Sobretudo, as coisas que não devem ser esquecidas. As coisas ruins, sem serventia, vão ficar bem enterradinhas no passado porque é coisa morta, e eu – definitivamente – não sou um cemitério ambulante.
Minha retrospectiva, mais do que restaurar “o passado” para corrigir a “edição” recente de minha vida – como sugere Machado na citação acima – vem mesmo é tocar nos afetos – para não esquecê-los e melhorá-los na “edição” do próximo ano. Detalhes que cercaram o meu 2011, e, essencialmente, fizeram o que sou hoje – para quem sabe, formarem um “eu” melhor amanhã. Vamos nessa? Me conta algum detalhe “pollyanna” do seu ano também? Os meus, olha que coisa incrível, são muitos (mesmo em um ano ruim). Aliás, que ano ruim? It’s over.
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Uma conquista: vencer, por ora, a depressão. Melhor terapia do ano: caminhar pela Avenida Paulista, sempre, e sem pressa. A melhor festa: a de reabertura do Theatro Municipal de SP. O livro que mais gostei de ler: O Poder da Arte, do Simon Schama. O restaurante favorito: Vicolo Nostro Ristorante (ainda, e desde 2006). Um amor constantemente renovado: por meus pais e minhas irmãs. Companheirismo: meu namorado (six years, dear!). Paixão sem fim: Minha filhota lhasa apso. Uma meta alcançada: eliminar duas manias que trazia desde a infância. Uma exposição: Lugares, estranhos e quietos (fotografias de Wim Wenders). Filme que vi e mais gostei: Asas do Desejo (1987), de Wim Wenders. Uma ausência a ser equacionada: viagem de férias. Vinho preferido: Tinto Chileno Montes Alpha Carmenère – safra 2007. Uma alegria offline: conhecer, pessoalmente, o Andarilho – que me atura virtualmente desde 2007 e amo de paixão. Uma saudade: meu avô paterno. Um medo: a diabete e o coma da minha irmã mais nova. Uma pessoa que nunca será esquecida: Sérgio de Biasi. Outras que admiro e também partiram: Ernesto Sábato; Moacyr Scliar, Sergio Britto, Jack Kevorkian; Thomaz Farkas, Ítalo Rossi; Elizabeth Taylor, Amy Winehouse; Presente que mais gostei da ganhar: Caixa Photo Poche, da Cosac Naif (Box com cinco livros que trazem imagens e biografia dos fotógrafos: Henri Cartier-Bresson, Man Ray, Sebastião Salgado, Helmut Newton e Elliott Erwitt). Thanks querido Ric! Um momento gracinha: “apresentar” comida japonesa para o Eder Albergoni (por “apresentar”, leia: “obrigá-lo” a comer). Séries de TV: House e Dexter. Uma necessidade: dormir melhor. Uma descoberta: posso (e, continuo tentando) ser mais “social”. Um aprendizado constante: desapego, desapego e desapego – de coisas, de pessoas, e sentimentos que não me fazem ser melhor. Uma maluquice: ter o cabelo de quatro cores diferentes, em menos de 10 dias. Um orgulho: nunca, mesmo em anos ruins, abandonar a leitura. Um sonho pouco realizável: ter tempo (e dinheiro!) para poder escrever ficção. Maturidade: evitar (já é um começo!) qualquer tipo de autodestruição, especialmente no quesito “bebida”. Uma vontade: chocolate, ever. Um bloqueio (ainda): ligar/atender telefones, responder emails. Uma qualidade: generosidade. Três defeitos: impulsividade, inconstância e desorganização. Admiração, agradecimento e respeito: a todos os que veem aqui no blog dividir um pouco de suas vidas comigo. Quero: cozinhar mais (que adoro). Não quero: engordar (risos). Um tesão: um? Nem pensar: vários (mas, não conto! Descubram…). A melhor notícia musical do ano: A volta do Mazzy Star.
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Por isso, fechamos este post e 2011 com uma das melhores coisas da vida, que é ouvir música. Ah, sim, e não se esqueça de ser ridículo também durante o Ano Novo, porque no Natal se é ridículo coletivamente (com essas coisas de família e etc), e no réveillon individualmente (com aquele monte de listas e desejos). Permita-se. Depois temos um ano inteirinho pela frente para viver as chatices e tropeços da realidade!
Beijo, beijo! e, FELIZ ANO NOVO.
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Mazzy Star – Common Burn
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Simple things like you over cold round your beauty
That stay and burning me
Love me hang around even if it’s just some way to have
Some common burn… A common burn










