
Sou egoísta, impaciente e um pouco insegura. Cometo erros, sou um pouco fora do controle e às vezes difícil de lidar, mas se você não sabe lidar com o meu pior, então, com certeza, você não merece o meu melhor – Marilyn Monroe
Já brincou de gato e rato? Ou esconde-esconde? Pois. Estou assim há uns dois meses. A dona do apartamento onde moro quer que eu saia porque parece que vem morar um parente dela em São Paulo, e ela quer que fique aqui. Tudo bem que até gosto de transformações. Mas, essa possível mudança de endereço tem me deixado um pouco mal. Explico: tirando o fato de que, definitivamente, esse não é um bom momento para mudanças (em se tratando de agenda, trabalho, e, especialmente, de dinheiro), tem uma outra coisa que tem me aborrecido. Nunca passei muito tempo em um lugar. Sou meio nômade. Na infância meus pais mudaram-se muitas vezes, por motivos pessoais. Depois, quando “cresci” escapulia com facilidade. Passava um tempo na casa da minha família, depois do meu padrinho, depois de amigas, depois fui morar em flat, depois aluguei apartamento, depois fui morar com namorado, depois voltei a morar em flat, e, por fim, acabei me instalando aqui – onde estou há cinco anos.
Pra ser bem honesta, nem gosto tanto assim daqui porque sempre preferi casa a apartamento. Mas, fazia muito tempo que não me sentia “em casa”. Demorou cinco anos para que o vigia da doceria que fica na rua me dissesse: “bom dia, precisa de ajuda com as sacolas?”. Ou, o gerente da locadora me parar e dizer: “passa lá depois que separei um filme que tenho certeza que você vai amar”. Ou, a recepcionista-idosa da papelaria que sempre me dá um tchauzinho quando passo em frente à loja. E minhas visitas até o sebo do bairro, não só para comprar livros, mas, para bater longos papos com o proprietário – que adora uma boa prosa. Sabe essas coisas?
Então. Um pouco de medo de perder e voltar à vida nômade, de desconhecida, de sempre estranha. Daqui a pouco, tenho reunião com a dona-malvada-proprietária da casa que não é minha. Já chorei uns dois litros (exagerada!) e me borrando de medo. Estou certa de que se ela disser que tenho 60 dias pra sair, como “adulta” que sou, vou chorar também (vexame!). Sei que dificilmente vou conseguir pagar outro apartamento por aqui. Infelizmente, moro num bairro metido à besta e caro. Mas, eu não sou metida à besta e nem cara. Ou seja. Se tiver que sair daqui, começo do zero – de novo, e de novo, e de novo – em outro lugar. Tenho mais idade pra essas coisas não!
Faz favor de alguém me adotar? Prometo ser boazinha e me comportar! Aceito uma casa de presente também, obrigado.
… e o pensamento insistente do dia é: não chore na frente da proprietária do apartamento, não chore na frente da proprietária do apartamento, não chore na frente da proprietária do apartamento…
então tá, né. Vou lá. Pegar minha “cartinha de expulsão”
beijo da (quase) desabrigada! e maior abandonada! (dali Cazuza!)
*
Porque sempre que falo de “casa” me vem essa música – que amo – à mente…
Cinematic Orchestra – To Build A Home
This is a place where I don’t feel alone
This is a place where I feel at home
Cause, I build a home… for you, for me









Qual a importância das idéias de um indivíduo? Qual a relevância do que um indivíduo, sozinho, tem a dizer? Por que deveríamos proteger o pensamento individual? Para melhor refletir sobre essa questão, invertamos a pergunta: Existe algum outro tipo de origem para idéias e pensamentos? Ou será que, na verdade, tudo o que surgiu de original e belo e, inclusive, atualmente compartilhado como comunitário e coletivo em nossa cultura teve que primeiro ser criado por algum indivíduo em algum momento no espaço e no tempo, incluindo nossa língua, nosso país, nossos valores?
