Porque te quero no meu sono

Publicado em O resto é mar por Srta. Ka em 12/11/2009

Porque te escolho, neste sussurro sem retorno? Porque te quero no meu sono, se iluminaste sobretudo o que não fui? Morreste-me antes que eu morresse e não consigo morrer sem ti. Nunca consegui. Todos os dias da minha vida estive contigo. Como se todas as amizades anteriores fossem só o caminho para chegar a ti. Como se todas as amizades posteriores fossem apenas a ausência de ti.

Inês Pedrosa, no livro Fazes-me falta

 

 

Há dias que de tão insanos só se tem vontade de morrer. Não, a mim nada aconteceu. Só muito trabalho. Aos trinta e cinco minutos do novo dia bateu aquele cansaço, cuja única vontade (con)sequente é fechar os olhos e ir para o nunca. Dói o corpo. Mas, se pode dormir. E dormir funciona assim como um tipo de morte breve. Dorme, morre, ressuscita no dia seguinte.

Em dias de cansaço, sou instinto. Bicho. Sinto fome, sinto medo e sinto falta. Ando a sentir falta. Da minha família. De algumas memórias. E, às vezes, até de mim. Não é solidão não. Moro sozinha há alguns anos e gosto do silêncio. O que acontece, vez ou outra, é que as cadeiras vazias, os lugares à mesa, a cama perfeitamente esticada e os muitos copos limpos na cozinha ficam mais visíveis. E você se lembra. E sente falta. Até daquilo que não conhece, mas, que quando vê, enxerga, se reconhece.

Me lembrei do trechinho acima de um dos livros de Inês Pedrosa, a escritora portuguesa, porque (embora em outro contexto no livro) é como se, apesar de nunca ter conhecido, estivesse ali todos os dias. E, por isso, fica díficil permitir-se essa morte breve, a do sono, sem a coisa ausente.

 

É assim mesmo, como ela disse: “não consigo morrer sem ti… porque te quero no meu sono”.

 

Já sentiram falta daquilo que nunca tiveram? Coisa doida, né?

Beijos, beijos, beijos. Ah, mas eu também quero a minha mãe! :)

 

Por que é bom ouvir assim, baixinho… e, combina com o dia de hoje.

The Magic Numbers – I See You, You See Me

 

 

“Mas querido quando eu te vejo, eu me vejo”

 

 

20 Respostas

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  1. Julinha said, on 12/11/2009 at 08:30

    eu já senti falta de tanta coisa que nunca tive ou conheci! que parece que sempre esteve ali. mas, tem razão, que é esquisito isso é.

    amo essa música!

    *bxo, bxo, bxo

  2. Clarissa said, on 12/11/2009 at 08:32

    Tá estranho né? Tenho achado tudo muito estranho ultimamente…Saudade do que não se teve, vontade de sei lá o que, não confiar na memória… E trabalho, muito trabalho em cima da cabeça, sem um minuto de paz, nem pra poder encontrar com a gente mesmo…só o sentimento de estranheza é certo e implacável….

    umbeijoeumrrrrrhhhh

  3. Lia Sergia Marcondes said, on 12/11/2009 at 09:09

    Ih, amadinha… No final de novembro eu vou visitar a minha mãe (que a filha ingrata aqui não vê há mais de 1 ano :P ). Viajo no dia 27 e retorno no dia 11. Só se for antes do 27. :-)

    E pára de falar que cê é gorda, mulher… hUAhuAHuAHuA

  4. Daniel said, on 12/11/2009 at 09:37

    Que linda amor amor rs…

    To EMOcionado rs… acho que vou chorar….

    Adorei o texto… bem poético… como você também sabe ser. Tristinho… mas lindo… vez ou outra também tenho saudade de algo que não vivi, ou nem conheci.. saudade de algo que nunca foi meu…

    Que cheirosa, vou ai sentir seu amor amor rsrs…

    E do mais, tudo bem?

    beijocas

  5. Mr. Almost said, on 12/11/2009 at 10:40

    Ka,

    Deixa de conversa fiada que você está é com muito soninho. Vai dormir, vai…

    Vá, eu te conto a história do São Bundinha:

    (…)

    “Depois ele adormece e eu deito-o.
    Levo-o ao colo para dentro de casa
    E deito-o, despindo-o lentamente
    E como seguindo um ritual muito limpo
    E todo materno até ele estar nu.”

    (…)

    “Ele dorme dentro da minha alma
    E às vezes acorda de noite
    E brinca com os meus sonhos.
    Vira uns de pernas para o ar,
    Põe uns em cima dos outros
    E bate palmas sozinho
    Sorrindo para o meu sono.

    … … … … … … … … …

    Quando eu morrer, filhinho,
    Seja eu a criança, o mais pequeno.
    Pega-me tu ao colo
    E leva-me para dentro da tua casa.
    Despe o meu ser cansado e humano
    E deita-me na tua cama.
    E conta-me histórias, caso eu acorde,
    Para eu tornar a adormecer.
    E dá-me sonhos teus para eu brincar
    Até que nasça qualquer dia
    Que tu sabes qual é.”…

    - Shiuuuuuu, gente! A Ka está dormindo!… Olhem só, que menina linda! E assim despida nem parece gordinha, pois não?… Rsss…

  6. Cal said, on 12/11/2009 at 11:20

    Olhá que às 00:35 eu também ficaria (e fico) com sono… É o grande problema de ser profissional autónoma: você não liga muito com horários e tal. Me lembro de um período distante de minha vida, onde eu acordava bem tarde e ia dormir mais tarde ainda… e não tinha um minuto de inatividade… até fazer a comida muitas vezes era opcional… e quando fazia, ela costumava queimar no fogão :)

    Quanto à falta do que você não tem, não conhece, ou do que não existe (afinal, quem sente falta do que já existe…?), eu sugiro você colocar como objetivo satisfazer essa necessidade, porque sempre há um jeito de conseguir preencher os vazios que a vida deixa em nos. (Note para o Almost: não tem sub-entendidos duvidosos no meu comentário, OK? :P )

    Enfim, chega de morrer. Acorde, menina!

    Beijos.

  7. Pedro said, on 12/11/2009 at 12:10

    Especialmente hoje, acho que o culpado é o dia.

  8. Andarilho said, on 12/11/2009 at 15:53

    Pra mim isso é tão recorrente. Justamente por nunca ter tido, sinto a falta.

    E eu posso estar de férias, mas sempre passo por aqui, viu?

    Beijos, beijos.

  9. Ana. said, on 12/11/2009 at 16:12

    COMO É BOM VIR AQUI!!

    Vc salva o dia.

    Beijos beijos e beijos. =****

  10. Mr. Almost said, on 12/11/2009 at 20:37

    Ka,

    Eu menti no meu anterior comentário: você não é nada gordinha.

    Quer dizer, pode ser e pode não ser… I don’t know.

    Quem vê caras não vê corações e muito menos… you know, you know.

    But, seja como for, você é linda, un vrai enfant tèrrible!

  11. Srta. Ka said, on 12/11/2009 at 21:31

    ai que bonitinho, tá arrependido Almost??? rs

    eu gosto de vc, até quando vc me chama de gordinha! :)

    beijos, relax. I don´t care!

    oiu, oiu… enfant tèrrible!

  12. gilrang said, on 12/11/2009 at 21:32

    inês perigosa…. ela toma conta da gente….

  13. lucia said, on 12/11/2009 at 22:58

    essa falta do inexplicável..acontece comigo…quando fico ouvindo..músicas “antigas”…gostei do texto..querida beijos ..lúcia

  14. Sentimental said, on 12/11/2009 at 23:54

    estou sentindo agora, e é tudo culpa da geografia.
    bjs

  15. fluiz said, on 13/11/2009 at 08:55

    Olha só… finalmente chegou a tua vez de sentir tudo o q eu sinto. Mesmo estando rodeado de pessoas… as vezes das que eu mais gosto, sinto a sua falta… sinto falta do seu sorriso… da rua risada… da sua voz gostosa… do seu olhar… das pequenas sardas… das tuas mãos… do teu corpo… dos teus cabelos… ah… qtas saudades… Minha cama sempre será sua… eu sempre serei seu… e vc, nunca será minha…

  16. Srta. Ka said, on 13/11/2009 at 16:07

    Você tá malvado comigo! :P

    sério, você sempre faz com que eu me sinta bem, não? Sempre assim.
    também tenho saudades de você, mas, eu sou PREJUDICIAL à sua saúde..rs. digo, à sua vida. Já estraguei um casamento, não vou repetir a dose no segundo né. Seria muita maldade. E gosto muito de você para isso. Sem falar que a culpa é SUA! rs.. quem manda me “mimar” feito criança grande. Ademais, a noiva Chucky é muito brava! rs rs e eu morro de medo. Casa primeiro direitinho depois voltamos a ser amigos..rs.rs.rs…distância necessária para eu não fazer nenhuma M**%$#@ e estragar seu casamento. :)

    agora, deixa a Noiva Chucky ler isso de que sua cama será sempre minha que você vai ficar sem seus órgãos mais preciosos! rs rs rs Ela arranca à dente, numa mordida só.

    ui.

    :)

    BEIJOS, SAUDADES.
    bom saber que vc ainda “está aqui”, perto, como sempre.

    l

  17. Mr. Almost said, on 13/11/2009 at 16:08

    Ka,

    Não foi arrependimento. Sabendo eu como você é uma chorona sem remédio, o que eu havia escrito antes poderia servir de pretexto para você ensaiar beicinho e desatar de seguida numa choradeira desalmada. E isso é uma das suas actividades predilectas que eu quis evitar.

    Pronto! É a verdade.

    Agora que são aí cerca de 17 horas e que já lanchou trakinas, só porque contei a verdade não vai ser reacionária e fazer greve de fome até à hora do jantar, pois não?…

    Rsss… Bad, bad girl!

  18. Srta. Ka said, on 13/11/2009 at 16:23

    Chorona? eu?

    imagina… só porque chorei uns TRÊS LITROS por conta do “gordinha”. rs rs rs

    Deixa estar. Estou quase sendo “readmitida” naquela turma do mal (http://incompletudes.wordpress.com/2008/07/16/turma-do-mal/) que acaba comigo!!! rs rs rs Lembra? rs e um dia, meu caro, poderei comer todas as Trakinas Mais Mais que o Alien que mora no meu estômago deseja consumir…. :D

    hummm, pensando bem… até que a Trakinas Mais Mais ia bem agora viu!

    :P

    beijos!

  19. fluiz said, on 15/11/2009 at 23:40

    EU SEMPRE ESTAREI AQUI… NÃO IMPORTA O QUE ACONTEÇA… SEMPRE ESTAREI AQUI… SEMPRE…

  20. Revisorado P... said, on 17/11/2009 at 14:31

    Oi!

    Gostei daqui. Vou voltar. Passa lá também revisoradoprazer.blogspot.com


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