Sapatos vermelhos versus o Segundo Sexo

Caríssimos, hoje o dia foi estranho! Podemos dizer que rolou por aqui uma verdadeira luta. De um lado do ringue: o conhecimento. Do outro: os poderes do sapato plataforma vermelho de não-sei-quantos-centímetros. Explico: para quem acompanha meu blog há algum tempo sabe que de vez em quando eu (até) sou “boa samaritana”. Em outras palavras, desvirtuo algumas pobres crianças – com trabalho voluntário de ”fefessora” de leitura e redação. E essas adoráveis criaturinhas ( já falei delas aqui) agora estão escrevendo suas próprias histórias. Ow, quanto orgulho! E, claro, querem colocar isso num livro! owwww, quanto orgulho [2]. O problema é: quem é que paga?! Claro, a entidade que tem 100% de funcionários voluntários é que não é. Então, como euzinha dei a ideia, euzinha tenho que me virar (quem manda inventar!). Ou seja, tenho que esmolar para algum empresário rico, impiedoso e poderoso. O que na prática significa: estou ferrada.
Bem, nem preciso dizer que já tomei com a porta na cara umas trinta e cinco vezes né? Quem é que quer bancar livro de criança deficiente cuja professora sou eu? Pois está mais fácil ganhar na loteria. Juro, meu São Bundinha (lembra dele aqui? meu santinho protetor, amado e querido?) está até estressado de tanto que esfreguei o fiofó do porpeta com pedidos de “graça”. Nenhuma graça recebida até o momento. Maldito!
Se nenhuma solução milagrosa cai dos céus (ou do rabicó do elefantinho), melhor me planejar para a reunião. Então, ontem, passei à tarde definindo as estratégias, os slides, os argumentos, o discurso, tudo, tudinho para convencer o sujeito desalmado que não quer liberar a verba. Bem ao modo: mulher-independente-e-inteligente-procura. Na verdade, aquilo tudo já estava me enchendo a paciência porque não sou muito boa em pedir nada.
Foi aí que vi a luzzzzzzzzzzzzzzzzz! A luz Carolyne! Um amigo ligou e me contou uma história meio trash. Algo como: uma antiga namorada o procurou pedindo emprego, e usou as velhas táticas femininas da carência, da insinuação sexual, da fragilidade, e, pimba! ele fez sexo com ela por dó (?!?). E, depois – obviooooooooo - ficou penalizado com a situação da moça, se sentindo culpado e devedor do tal emprego. E me disse a emblemática frase: “que homem resistiria???”.
Refletindo depois…pensei: se esse meu amigo que é tão lindamente inteligente caiu na “golpeta” feminina mais antiga do mundo será que uma versão mais light – do tipo, bota um saltão para a reunião e faz cara de pobrezinha – ajudaria minhas crianças? Será que o empresário que já tinha me dito NÃO 3 VEZES se comoveria assim como o meu amigo?
óooooooooooooooooooooooo dúvida cruellllllllllllllllllllllllllllllllllll!!!!!!!!
A manhã hoje foi “tensa”. Botei na minha frente a pilha de livros (para lembrar que sou uma pessoa inteligente) versus minha plataforma vermelha do estilo “vem-que-eu-tô-facinha“. Ow São Bundinha, help me!
Meu santinho fio-da-puta me aconselhou e lá fui eu para a reunião sem nenhum slide em mãos mas munida de um vestidinho preto à moda comissária de bordo (pra que respirar gente?), cintão vermelho, e a sagrada plataforma. Ah, claro, não antes de fazer a promessa que QUEIMARIA o Segundo Sexo se o homem caisse no meu teatro.
Resumindo:
No modo mulher-independente-e-inteligente-procura, eu chegava, apresentava mil telas sobre o projeto social, explicava a importância de uma grande companhia se atrelar a projetos desse porte, dos benefícios, do ganho que a marca da empresa teria, bla bla bla bla bla.
No modo mulher-carente-indefesa-procura, eu cheguei – sem nenhum slide, of course – cruzei as pernas, fiz cara de cãozinho abandonado, mostrei minha poderosíssima plataforma vermelha, fiz um discurso comovente, lacrimejei um pouquinho mas sempre com o ar de “mantenha a distância senão te denuncio no programa da Márcia Goldschmit“. Tirando o fato que o cidadão quase lacrimejou junto comigo, ele se comportou bem, mantendo distância mínima recomendada. Mas, claro, antes que ele resolvesse cuidar mais de mim do que das crianças fui embora, com o mesmo ar de coitadinha e de “preciso muito de você”.
Quem adivinhar se saí de lá com o cheque ou não eu dou um doce. Como diz minha pobre vó: homem é homem em todo lugar e tempo. Não mudam nunca. (E eu, juro, achei que as coisas não funcionavam mais assim há muitooooooooooooo tempo. Santa ingenuidade!)
Meninos: eu imploro! digam-me que não é tão fácil assim manipular vocês???
Basta o saltão, mesmo?
Meninas: vocês já usaram desse artíficio antes???? Sejam honestas com esta novata!
Enfim…………………… bem ou mal, o importante é que os bontinhos dos meus aluninhos vão ter o sonho deles realizado. Mas, dá uma licencinha que vou ali fazer uma fogueira com Simone de Beauvoir e já volto, ok?
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ENQUANTO ISSO… NA SALA DE ESPERA….
um velhinho andava na rua à minha frente
e ele não percebeu que a blusa de frio estava presa na calça, o que deixou seu bumbum à mostra de forma ridícula quando andava

enquanto ele rebolava – sem perceber – eu fotografava o popozão dele
mas, a cena estava tão bizarra que não aguentei…
bati no ombro do velhinho, e como monja-de-beauvoir que (ainda) sou disse: “senhor, sua blusa está presa na calça. Com licença, sim?”.
Claro, dei um puxão e a blusa voltou para o lugar onde deveria estar (cobrindo a bunda porque ninguém merece ver tal cena!)
O pobre me olhou com cara de assustado, como se eu fosse uma maníaca.
Imaginaaaaaaaaaaaaaaaa! Eu? Por quê??? hã?
Era para o bem dele!!!!!
(Espero que não me processe)
Amém. E, viva, São Bundinha!
…
por que não dá para (des)virar feminista de um dia para o outro né!
Eu quis puxar a blusa do velhinho e puxei.
e tenho dito!
beijos, beijos, beijos… e está bom de encrenca para um dia só, né? boa sexta!

Por que ela já cantou sobre “garotas estúpidas” mas, essencialmente, porque sabe ser gostosa
Pink – Sober


Pois, então, na minha época de trainee trabalhávamos em dupla e a minha partner era uma garota sem qquer atributo que fizesse a minha cabeça mas que falava muita merda e jogava um charme para cima dos gerentes/diretores das áreas pelas quais passávamos. Todas as imbecilidades que ela transbordava sem parar ficavam registradas na MINHA folha de avaliação enquanto na dela era perfeita….
Muitos anos depois fui trabalhar em uma empresa cujo diretor comercial demitiu quase todo mundo e só contratou mulheres gostosas (burras e gostosas, claro). e falava claramente que elas deviam chamar os clientes para almoçar. “E a verba de representação”, perguntou uma. “Não, não, não… vocês não convidam para almoçar, mas insinuam que almoçariam, assim quem paga a conta é ele…E não saiam da mesa sem ter fechado negócio!”
É classica a história de uma delas que teve que fazer uma apresentação para um público enorme e eu saquei, minutos antes, a preparação com jogada dos cabelos de um lado e para o outro, brilho nos lábios, tirada do blaser e ajuste dos faróis. Não dissse coisa com coisa. Comentei com o meu diretor, perto do fim, “Putz, ela não tem idéia do que está falando”. Ao que ele respondeu: “É, mais prestou atenção nos peitões? Maravilhosos…” Pois é, ninguém estava prestando atenção nos resultados pífios e nas justificativas sem sentido – e ela ainda terminou sendo ovacionada.
A melhor vendedora, por sinal, era bem conhecida pela combinação peitão-decotão e um certo ar “ainda vou dar para você, só não sei se hoje, tá?”.
bjo bjo bjo
Pois é, dona K., não basta o salto, mas uma saia mais curtinha e um decotezinho e ficamos babando, hahaha.
Homens são simples.
Beijo, beijo.
Há uns 3 anos uma amiga que trabalhava em uma grande empresa aqui em sp me falou que precisavam de mulheres para 2 vagas de atendimento, no qual o salário era muito maior que o meu e de cara perguntei se ela não me indicaria, ai fiquei sabendo que não eram as qualificações profissionais que olhavam mas sim o corpão (pqp de chocolate!). Entraram 2 moças burras como portas mas com corpão de “mulher fruta”….
É, eu também achei que isso não funcionava mais nos dias de hoje….
O negócio é se adaptar!
Beijo
Kzinha, vc é fantástica!! Ai, meu Deus… Devia “chorar”, mas eu me divirto. hihihi
Beijos!!!
e o pior é que no fundo é isso mesmo!
bjo
Ka,
Há dias li um artigo científico que falava das gurias que usam salto alto. O estudo asseverava que são as mais sensuais: o salto alto obriga-as a apertar as coxas para manter o equilíbrioo e, muitas delas, com o roçar das coxas nos grandes lábios excitam-se enquanto caminham.
My God e eu desocupado, pronto a dar alegrias a gente que nem precisaria de caminhar! It’s unfair!
E, no futuro: não tira a camiseta do rego da bunda os velhos. Quem sabe se não é um artifício idêntico, né?
Falando agora mais sério do que o normal: duas coisas.
a) – Acho que a mensagem deste post está mais na música escolhida do que pelo texto;
b) – Há muito tempo que não tenho notícias do Geraldo. Ele não reage mais. Isso preocupa-me. Gosto que todos os meus amigos estejam bem, acima das criaturinhas que, por muito adoráveis que sejam, eu não conheço.
Confuso acerca de como responder a este seu divertido post, me lembrei de seguir o método de Hegel, ou não fosse eu um romântico tentando me adaptar ao séc. XXI. Aquela coisa de chegar à verdade através da Tese, Antítese e Síntese.
Sua Tese: Que horror, estamos no séc. XXI e ainda existem mulheres que usam seus atributos femininos para conseguir algo. E, como boa cientista social que é, foi lá e experimentou para ver se essa horrenda teoria ainda teria validade. Estranhou se dar bem, ficou doente com a ideia de décadas de feminismo deitadas para o lixo, com todos os soutiens queimados inutilmente e com a desacreditação das Simones de Beauvoir da vida.
Minha Antítese: Previamente ao meu argumento, acho que os dois casos comparados… não têm comparação. No caso de seu amigo, se tratava de uma ex, no seu caso, de um estranho. Ficamos por saber se ela queria apenas um emprego ou reatar a relação. Pode ser apenas uma recaída amorosa entre os dois… e nem sabemos se ele a empregou depois.
Mas, e passando ao meu argumento, já no seu caso, se provou que, mesmo sem qualquer favor sexual, o seu poder enquanto mulher/fêmea fez milagres que nem mil powerpoints ou explanações inteligentíssimas alguma vez conseguiram. Então eu pergunto: E isso é mau???
Já sei… lá vem a coisa da mulher-objecto, que ser burra e gostosíssima é o que os homens querem, blá, blá…
Não. Erradooooooooooooo! O que a gente quer é mesmo uma mulher que, de tão inteligente que é, tenha sabido sair dessa treta feminista toda para entender que quanto mais feminina uma mulher for, mais MULHER vai ser. E isso não tem nada de contraditório com ser inteligente. Pelo contrário. A mulher inteligente sabe usar todas as suas “armas”. Seu cérebro e seu corpo. Se cultiva, estuda, mas não se nega a cozinhar, perpetuando as receitas caseiras que vêm de sua avó ou de sua mãe. Ela sabe que isso é uma mais valia enorme. É cultura também. Não tem problema em vestir lingerie para agradar seu amante, porque sabe que ele adora. Não se sente objecto. Se sente adorada. Amada. Desejada. Mas também quer a reprocidade. Que ele não se negue a cozinhar quando está cansada, que ela possa dar uma palmada no seu traseiro nú, só de avental, enquanto cozinha para ela (hum, essa comidinha está cheirando bem… slap!), que partilhem as tarefas chatas domésticas, que ele não faça cara feia de mudar fraldas ou de ser ele a levantar a meio da noite quando o bebê chora, e por aí fora… O feminismo foi útil… mas já passou. Hoje, sinto uma fase mais gostosa e divertida, onde os dois sexos já não estão em guerra. Ou não têm necessidade de estar.
Resta agora a Síntese, a seu cargo, para nos elucidar acerca da verdade. Caso a Srta. aceda a descer do Olimpo onde, com toda a justiça, habita, e conversar com os pobres mortais.
tadinho do velhote, nem tinha tanta bunda assim pra aparecer…
bjs
hum!! você foi fantástica..incrível…maravilhosa……..rs….os “homens”..são assim……deixam dominar……..nós mulheres ..sabemos fazer muito bem né não k?….beijos lúcia
ps: o cruzar das pernas foi fatal rs.
Primeiramente, parabéns pelo seu modo mulher-carente-indefesa-procura… rss Amei!
E segundo, tadinho do velhinho, não sei se faria oq vc fez… mas se não fizesse tenho certeza que ficaria com a consciencia pesada o dia inteiro… rsss (adorei a foto)
Menina,
Não tem como fazer nada, não é novidade as pessoas usarem suas vantagens para ganhar mercados, corações, etc…
Você usa sua beleza, seu charme, seus truques de mulher.
Outros usam seu carismo, sua posição social, suas vantagens profissionais, seu dinheiro…
Provavelmente, se a vida fosse apenas populada de pessoas que são o que pareçam, tudo perderia charme, viraria um tédio…
Homens tem fraco para mulheres sensuais.
Mulheres tem fraco para homens poderosos.
Fazer o que?
Beijos.
È Kazinha, é simples assim….
Saudades de você.
XÊros….