A Casa da dona Ondina

Publicado em Da série: me leva para Marte! por Srta. Ka em 31/08/2009

Vez ou outra, quando canso de falar sozinha, vou visitar a Casa da Dona Ondina. Me aconchego lá na varanda, que tem jeitinho de casa de vó, e vou papear com os veiótinhos (como gosto de chamá-los) que moram lá. A disputa é intensa de quem fala mais. É dureza! Mas, geralmente, deixo que falem - até porque pareço sempre boba demais perto deles. Eu adoro aquele lugar. Até pedi para ficar lá de vez, mas, eles não deixam… (malvados!) disseram que eu tenho que esperar um bocadinho mais (coisa, apenas, de uns 50 anos). Ok. Fazer o quê. Eu espero!

Mas, então, no meio de uma prosa dessas – estirada no sofá que dá vista para o jardim cheio de plantas e árvores – sentindo o sol bater no rosto (desses que só os domingos sabem nos dar), escuto a seguinte pergunta: minha filha você nasceu para quê?”. Eu olho para o sujeitinho e respondo: “uai, vou lá eu saber? Vamos jogar Damas?”. Desaforado que é, não desistiu e questionou de novo: “quero saber as coisas que dão sentido a sua vida”. Eu olhei, pensei, pensei de novo, e envergonhada só tinha uma resposta: “Que pergunta! tá doidão é? Andou tomando Captopril demais, foi?“. (leia: remédio de controlar a pressão arterial). E o pacotinho enrugadinho não desistiu: “tem que pensar nisso, antes que seja tarde”. Claro que para importantíssima pergunta eu tinha uma resposta “genial”: “E, 21? quer jogar 21?”.

Ok. Oficialmente eu estava encrencada. Voltando para casa me lembrei de uma crônica da Clarice Lispector, para o Jornal do Brasil, que começava assim: “Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos”. Três coisas… três coisas… três coisas… Bom, gastei aqui o teco e o teco e a única coisa que vejo claramente para o que nasci é escrever. Afinal, por trabalho ou por lazer, minha vida está repleta da escrita desde que me conheço por “gente”. E é bem possível que preferiria morrer se não pudesse mais fazê-lo.

Mas, e o resto? Mais nada? Afe, será a minha vida assim tão sem razões para existir? Ahhhhhhhhhhh, maldito veiótinho! que padeça de hemorróidas! (brincadeirinha!) Apesar deles me encherem de caraminholas são uns bonitos. Mesmo quando te mostram claramente a inutilidade de sua vida. Se você quiser ter uma dessas “coisinhas de estimação”, dá até para adotar. Eu super recomendo. :D Mas, às vezes eles chegam com cada uma!

 

Clique na imagem e saiba como – ah, sim, o “velinho” da imagem não é obra minha. Já estava assim… :)

 

Mas, diga-me, e você? Sabe, pelo menos três coisas para as quais nasceu e para as quais daria sua vida? (ah! aqui vale dizer que não se inserem pessoas ou coisas. Claro que eu vivo e morro pela minha mãe, pai, irmãs, minha cachorrinha, por poucos amigos e amores, e, claro, pelo Figo! :) Veja, Clarice disse que nasceu para “criar seus filhos”, ou seja, tinha vocação para ser mãe. Nasceu para isso. Nem toda mãe nasce para está “função”. Ás vezes, apenas se é mãe. Ou apenas se escreve. Ou apenas se ama. Mas, tem gente que nasceu para determinadas coisas, e elas dão o sentido de vida e morte).

  

beijos, beijos, beijos, boa semana!

  

  

 

Por que já estou no clima de “segunda”, sem varandas ou sol…

 Nirvana – You Know You’re Right

 

  

Sobre geléias, cellos e aquários

Publicado em Pequenas Maluquices por Srta. Ka em 30/08/2009

 

Raramente fico sem assunto ou sem saber o que dizer. Mais raro ainda é não saber como fazê-lo. Sempre arrumo uma forma, especialmente se for escrevendo. E, hoje, que já é ontem porque já estamos na madrugada de domingo, passei por dois desses momentos “raros”. Tudo começou lá pelas 20h00, quando comia pão integral com geléia de morango, e ouvia um concerto qualquer de cello. Essa combinação é perigosa para mim: geléia de morango e violoncellos. Parece que há uma reação química em meu organismo, em que meu coração assume todos os pensamentos, aniquilando qualquer possibilidade de ser racional. É como se o danado do coração mandasse um torpedo para o cérebro dizendo: “hei, sabichão, a partir de agora eu assumo isso aqui”. E é assim.

Na verdade eu tinha o que dizer, mas, não encontrava as palavras. Depois eu não sabia o que dizer, mas, sabia a forma. Um desastre total. E tudo porque recebi um email carinhoso com o vídeo acima, que é do Kuroshio Sea, que dizem ser o segundo maior aquário do mundo. O vídeo vinha acompanhado dos seguintes dizeres: “especialmente para você que gosta de aquários”. Coisa bonita né? Como se a vida separasse aqueles que sabem ou não contemplar o ballet que reside no mar. E, a coisa travou tudo aqui. A combinação da geléia de morango, com os cellos e o aquário, uau, deu tilt total em minha mente. Não nos sentimentos.

Depois de ver a dança singela do aquário, nessa vida azul observada por aqueles que também querem dançar esse leve viver que os ”pequenos” têm, decidi: setembro será o melhor mês da minha vida. Quer dizer, até que outubro não chegue e, depois novembro – para quem sabe, quando chegar dezembro – eu ter o melhor ano da vida. Claro, até que 2010 não venha. E ai escrevi listas, desenhei manuais de auto-ajuda, vim correndo para cá, dizer somente isso: setembro será o melhor mês de toda a minha vida. Não, não… não há nenhum evento programado, encontro marcado, sonho concretizado. Nada. Só haverá mais geléias, cellos e aquários. É possível que haja um esforço, também raro, para me reencontrar. Talvez, por isso, tenha me faltado as palavras e a forma. Às vezes, a gente nem percebe que se perdeu, que se desgarrou de si. Cuida mais dos outros, por bom ou mal grado, mas, olha demais para fora. E, quando percebe tamanha negligência para consigo, dá vontade de fazer como lá no aquário, essa dança sincronizada, flutuada na água azul.

Parece fácil dizer: “hei, pessoal, vamos ter o melhor setembro de nossas vidas?”, mas, não é não. Parece discurso de programa de auditório do Dr. Phil. E, longe ainda de conseguir fazer isso para mim, faltou a palavra e a forma de dizer aos outros. Desisti de vir até aqui e falar dessas coisas de geléias, cellos, aquários, e o melhor setembro de nossas vidas. Impotente que estava fui ver um filme, quem sabe as idéias não sossegavam?

O filme (Crime delicado), do qual eu não gostei mas tem uma ode apaixonada às imperfeições humanas, e imperfeita que sou me identifico com essas coisas, me fez entender tamanha frustação e inquietação dos meus pensamentos de, em uma única vez, não conseguir dizer o que queria aqui. Lá pelas últimas falas, um dos personagens diz assim:  

 

“Para quem está servindo as artes? Sei que servem para um mercado da arte. Sei que servem para os assuntos dos estados, dos países. Sei que têm muitas funções. Mas, na verdade, a gente é artista porque acha que através da arte consegue compartilhar as transformações que atravessa. Eu ia dizer sofre, mas, são as transformações que a gente agradece nesta vida”.

 

Então é isso. Mesmo sem saber exatamente o que e como, não podia deixar de vir aqui e dizer que “setembro será o mês feliz, setembro vou tentar deixar de cuidar somente dos outros para cuidar de mim, setembro eu não serei minha inimiga, setembro comerei mais geléia de morango [modo porpetinha off: light, pleaassseeee], verei mais aquários, ouvirei mais cellos”. É como na frase acima, no fundo tudo se resume a um eterno compartilhar das transformações que sofremos e agradecemos. Ou esse grande ballet azul do Kuroshio Sea.

 

Compartilhar transformações. Como não fazê-lo aqui?! Espero que consiga sem parecer muito a versão de saias do doutorzinho lá… E aí, vamos ou não vamos ter o melhor setembro de nossas vidas?

 

beijos!! bom domingo! :)

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Os dragões não conhecem o paraíso

Publicado em Da série: Me leva pra marte! por Srta. Ka em 27/08/2009

Desculpem-me ser repetitiva e falar mais uma vez de Caio F., mas, é que mesmo com o término do livro (Para Sempre Teu, da Paula Dip) ainda estou impregnada dos pensamentos desse escritor da urgência, da intensidade, da necessidade de ser arrebatado, apaixonado, chamuscado.  A verdade é que sempre fui fã porque reconheço familiaridade ali. E, honestamente, nem sempre isso é bom. Fazia tempo que não o lia. Certa época começou a me incomodar porque, talvez, através de suas palavras era a primeira vez que via nitidamente o que eu também era. E, depois de anos, retomar a leitura, sobre ele, mexeu um pouco comigo. De ver – e se reconhecer - no jeito que ele vivia a vida, especialmente, e, nesta dualidade que era tão evidente de ser anjo e demônio ao mesmo tempo. Têm coisas que só certas pessoas conseguem. Ele era uma dessas. Conseguia ser amado e odiado ao mesmo tempo.

O que eu ia dizer é, que mesmo sem lê-lo criei um hábito há anos, quando acordo, por conta de um conto dele.  E, foi esse mesmo texto que me afastou de sua leitura. O trechinho é bobinho, simples, meio Amèlie Poulain, que amo tanto, mas, a mensagem é poderosa. Diz assim: “Essas coisas todas que decidimos fazer ou nos tornar quando algo que supúnhamos grande acaba, e não há nada a ser feito a não ser continuar vivendo. Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante”.

Que seja doce. E eu também abro as janelas todas as manhãs e repito sete vezes o “mantra Caio F”. Mas, como eu disse acima, ele tinha essa particularidade de ser anjo e demônio ao mesmo tempo. Ontem, conversando com uma pessoa muito especial para mim, me vi fazendo isso. Sendo anjo e demônio. Não é intencional, não é programado, não é um jogo. É assim: existe uma parte de mim, dragão, que vive só. E outra que abre as janelas entoando mantras docinhos e querendo construir jardins. Estão ali, juntas. E, depois que desliguei o telefone, lá pela madrugada, e ouvi essa pessoa dizendo algo como “você consegue dizer a coisa mais linda e a mais terrível no mesmo telefonema”, é que me lembrei – mais uma vez – do conto, que me fez correr da leitura de Caio F. há anos. Entendi por quê.

 

Tenho um dragão que mora comigo.

Não, isso não é verdade.

Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço – seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Ou invulgar, como imagino que os outros devam ser. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos freqüentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo.

Isso me pareceu gradiloqüente e sábio como uma idéia que não fosse minha, tão estúpidos costumam ser meus pensamentos. E tomei nota rapidamente no guardanapo do bar onde estava. Escrevi também mais alguma coisa que ficou manchada pelo café. Até hoje não consigo decifrá-la. Ou tenho medo da minha – felizmente indecifrável – lucidez daquele dia.

Estou me confundindo, estou me dispersando.

O guardanapo, a frase, a mancha, o medo – isso deve vir mais tarde. Todas essas coisas de que falo agora – as particularidades dos dragões, a banalidade das pessoas como eu -, só descobri depois. Aos poucos, na ausência dele, enquanto tentava compreendê-lo. Cada vez menos para que minha compreensão fosse sedutora, e cada vez mais para que essa compreensão ajudasse a mim mesmo a. Não sei dizer. Quando penso desse jeito, enumero proposições como: a ser uma pessoa menos banal, a ser mais forte, mais seguro, mais sereno, mais feliz, a navegar com um mínimo de dor. Essas coisas todas que decidimos fazer ou nos tornar quando algo que supúnhamos grande acaba, e não há nada a ser feito a não ser continuar vivendo.

Caio F. Abreu – Os Dragões não conhecem o Paraíso (para ler o texto completo clique aqui)

 

Tenho um dragão que mora em mim – que me abandona às vezes, é verdade - e que dá espaço a essa pessoa banal, meio Amélie Poulain, que também faz parte do que sou e vive para os jardins e para os paraísos. Mas, de outra face, não me iludo e sei que faço parte dos que carregam dragões consigo. É tão díficil explicar dragões. Diz Caio que ninguém os compreende. Talvez, por adormecer dragão é que recito mantras ao acordar. Que seja doce, que seja doce, que seja doce…

“Dorme, só existe o sonho. Dorme, meu filho. Que seja doce”

 

Tomará que você entenda de dragões. E saiba que, apesar de chamuscar coisas o tempo todo, dragões também desejam, da sua forma, o paraíso.

 

Ow God! Please… alguém aí é capaz de me ensinar a acordar, todos os dias, Amèlie? Como fazer? Eu quero ter jardins!!!  Se puderem leiam o texto inteiro. Vale a pena. :)

beijos, beijos, beijos!

 

 

Por que é música de ninar sentimentos, que acalma a alma e os dragões

Sea of Love – Cat Power

 

 

Despedida de solteiro

Publicado em eu por Srta. Ka em 25/08/2009

E estava tranquilamente trabalhando ontem à tarde quando recebo uma ligação. Era F.Luiz (já falei dele aqui), meu querido ex e anjo da guarda, anunciando que vai casar. Tirando o fato que a noiva é uma ciumenta-louca-possessiva, que não me deixa chegar perto dele com uma distância mínima de 1000 kilômetros, eu fiquei muito feliz. Ele merece ser feliz. É um querido.

Só que a ligação tinha um propósito. Um convite. E, claro, não era para o casamento porque a mocréia – digo - noiva não deixará ele fazer isso. E bundão do jeito que é (sorry baby, mas, é a verdade! você morre de medo da noiva modelito Chucky que arrumou), vou manter distância. Mas, na ligação, papo vai papo vem, e ele faz um pedido-convite: quer ”guardar” a despedida de solteiro dele para ser comigo. Whattttt?? Como é que é?

Depois de desligar o telefone, não antes – claro – de fazer várias piadinhas e praticamente dizer “agradecida pela preferência” (afinal, não é todo dia que a gente recebe um convite desses), tenho que confessar que fiquei confusa. Por que raios, um homem prestes a se “enforcar” iria querer fazer sua despedida com a ex-namorada que só ferrou a vida dele??? Ai god, será um plano mirabolante de vingança? F.Luiz, amore, chegou a hora do acerto de contas??? Você pretende me trucidar?

Só pode visto que: (1) eu fugi de casar com ele. (2) já tem uns quatro anos que não encontro pessoalmente e (3) quando estávamos juntos eu era mais jovenzinha, mais magrinha, mais durinha, menos chatinha e não tinha 30 anos ainda. (buáaaaa) (4) Cometi uns pequenos deslizes, assim de leve, quando estava com ele. Nossa Senhora Achiropita só pode ser vingança!!!! rs rs rs

báh, que medooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!

Licença para um pensamento chauvinista, por favor: se eu fosse homem, e fosse fazer uma despedida de solteiro, e fosse casar com uma mulher digamos doida-varrida, ia querer – no mínimo – a Angelina Jolie!

Voltando ao normal, pós-feminista: mas, que raios esse doido quer fazer despedida de solteiro? Como assim? Ainda se fazem despedidas de solteiros?

Eu disse que toparia só se fosse no dia do casamento, e na sacristia! :D (para garantir de vez meu lugarzinho no inferno, é claro).

 

Mas, vamos ao que interessa:

  • Se você acha que ele está planejando uma vingança cruel, disque 1.
  • Se você acha que eu deveria parar de frescura e aceitar logo o convite, disque 2.
  • Se você acha que sou eu quem devo castigá-lo, por casar com a noiva modelito Chucky, disque 3.
  • Se você acha que ambos são pervertidos, que vão queimar no mármore do inferno, disque 4.
  • Se você acha que tenho que parar de encher a vossa santíssima paciência e começar a postar coisas mais decentes, disque 5.

 

 E dizem ainda que viver não é divertido! Adoroooooooooooooo! :D

 

Ps: F.Luiz, amore, fica bravo comigo não, tá? Só brincadeirinha diante da tragédia (casamento com a noiva modelito chuchy). Você sabe que adoro usted, com noiva chucky ou sem noiva chucky!

 

 

Por que é preciso homenagear meu querido amigo que finalmente tomou vergonha na cara e vai casar!

I Still Haven’t Found What I’m Looking For – U2,

com cenas – claro – do filme Noiva em Fuga 

pensando bem, acho que a homeagem foi para mim! :D

 

Casa limpa

Publicado em Deixa de retórica menina!, eu, eu mesma e irene por Srta. Ka em 24/08/2009

gaenadebois

Limpei a casa ontem. A contragosto porque está muito frio. Mas, limpei. Dá uma sensação estranha, uma vez por semana, quando troco os lençóis. Cheiro de vida em ordem. Chão brilhando. Começa na segunda, assim, e vai se transformando em caos na sexta. Às segundas, quando a casa está limpa, não sei se sou triste ou feliz. Mas, sou diferente dos outros dias. Na sexta, tenho certeza, fico em estado de espera – da felicidade. No sábado, ela chega com uma sensação de paz, de mundo largado, despreocupado. No domingo sou triste. Por isso ontem fiz festa. Sozinha. Eu e minha casa limpa. Tomei vinho, encerei o piso de madeira com as meias e cantei. Alto, bem alto. Fui feliz porque não dá para ser óbvia sempre. É preciso fazer algo, vez ou outra, para mudar o cenário.  

Nem tudo muda. Apesar da casa limpa, e da dança, e da tentativa de não ser eu mesma, li. Li muito. E quem consegue escapar perpetuamente do que se é? Terminei a leitura de ”Para sempre teu, Caio F.”, livro novo da Paula Dip, com as cartas, conversas e memórias de Caio Fernando Abreu. Homenzinho demasiado humano este!  E, me perguntaram aqui - no blog – se estou apaixonada. Eu? Apaixonada? Claro. Sempre. Lá pela página 221, das cerca de 500, Caio F. diz assim:

 

“O bicho homem não faz outra coisa a não ser pensar no amor. Até as relações de produção, a luta de classes, a ecologia, o jogo pelo poder: tudo, questão de amor. Formas de amor. Amor é a palavra que inventamos para dar nome ao Sol abstrato em torno do qual giram nossos pequeninos egos ofuscados, entontecidos, ritmados. A vida toda”

 

E não é no inverno que precisamos mais de Sol? Caio tem razão. Por isso, talvez, é que o bicho homem não faz outra coisa a não ser pensar no amor. O guru das letras pergunta: será que à medida que você vai vivendo, andando, viajando, vai ficando cada vez mais estrangeiro? Deve haver um porto“.

Deve haver um porto, sim. Por isso, apesar do frio que congela a vida arrumei a casa ontem. E, apesar disso, porque viver não é coisa fácil, pergunto: será esse o porto? Ou, serei – seremos sempre estranhos estrangeiros?

 

Mas, bora terminar com essa prosa e começar a semana logo porque como dizia Caio F.,: “escrevendo, eu falo pra caralho, não é?” . E, complementando com uma outra guru (minha ex-faxineira que me demitiu): “pára de papo-furado que pagar o aluguel é o que há”. :)

 

beijos! beijos! beijos! boa semana! 

 

Por que é preciso começar a semana, assim, devagarzinho, falando de dias em que fomos mais felizes…

Adriana Calcanhoto – Inverno

 

 

Os meus, os teus, os nossos defeitos

Publicado em O resto é mar, eu, eu mesma e irene por Srta. Ka em 22/08/2009

E seria tudo tão fácil se a gente conhecesse primeiro os defeitos, não? Nada de belezuras e dádivas. Não. Você conheceria primeiro as coisas feias. Sabe? Daquelas que a gente esconde lá no fundo da gaveta ou em diários mal escritos em letras tortas. Todo mundo tem sua gaveta cheia de coisas feias. E se depois de conhecê-las, uma a uma, ainda fosse capaz de dizer :SIM, é assim, ainda assim, desta forma, É VOCÊ“. Ah! como seria tão mais fácil.

Mas a gente abre primeiro uma longa cauda, bela, colorida feito um pavão cheio de pose para seu ritual de acasalamento. Um ballet de braços, pernas, desejos, sorrisos, idéias. Só que uma hora as plumas se recolhem e aquele ser imponente desaparece, e resta o frágil, o pequeno. O feio que também faz parte de nós. Então, pergunto: não seria bom se conhecessemos o pouco desejável antes? E, assim, uma vez desejado pelas fraquezas, pelo incerto, pelo questionável, supreendessemos com uma bela plumagem! Por que invertemos tudo? Tão mais lógico seria desta forma. Tão mais feliz.

Sente aqui. Antes é preciso acender um cigarro, preparar um café quente misturado a uma bela dose de cognac, para que eu te diga: tenho uma gaveta cheia das feiúras. Você precisa saber. Pois saiba, eu demoro a acordar, quase sempre sou preguiçosa, preciso sempre de dez minutinhos a mais que se transformam em 30, e estou sempre atrasada. Durmo com uma tonelada de cobertores até me sentir sufocada, e depois de acordada… já de pé…hum… levo uma, duas horas para realmente acordar. Fico meio besta, sabe? Lenta. Não, não… não mal-humorada. Lenta mesmo. Tipo sonâmbula. E, sempre, veja bem, sempre tomo café da manhã. Coisa simples, geralmente uma xícara imensa de café puro, e pão, e queijo, e manteiga. Nada de margarina. Gosto de manteiga.

Ando de meias pela casa até que fiquem pretas. Se estiver em casa passo o dia de pijama – e os pijamas, afe! tenho talento peculiar para escolher os mais horrorosos. Se estiver chovendo geralmente fico manhosa. Se estiver de TPM choro algumas dezenas de vezes. E não adianta perguntar o por quê, não saberei responder. Se o fizer, vou mentir. Algumas vezes tenho vontade de morrer. Ela quase sempre desaparece depois que como chocolate. E, às vezes, todo o resto que estiver na minha frente. E se você estiver perto e não segurar a minha mão ou não me der abraços apertados várias vezes ao dia, vou me sentir triste, e chorar outra dúzia e meia. Posso te proibir de sair de casa se achar que você vai ser atropelado ou assaltado. Se você insistir, escondo as chaves. Não leio manuais de instruções. E costumo rever filmes que gosto no mínimo dez vezes.

Posso querer discutir sobre a extinção dos pandas às 4 da madrugada, depois de um sonho qualquer. Acordo para anotar coisas. Faço xixi umas três vezes por noite. E tropeço na ida e na volta, sempre, em alguma coisa. Não gosto de ir a médicos, e nem a reuniões familiares. Mas se for preciso eu vou, mas, vou me sentir uma monja numa festa rave. Quase sempre desligo os telefones e fujo das pessoas. Mas adoro conversar. E isso pode ser um problema também. Gosto de dirigir de madrugada. E, ouvir música de luzes apagadas deitada no chão da sala. Gosto de escutar o que o silêncio me diz, então, ficarei quietinha muitas vezes. E é melhor não se aproximar muito quando eu estiver lendo sob a pena de ser acertado por algum objeto voador não identificado. Mas vou gostar de ler ao seu lado. Impreterivelmente vou tomar café com leite, bem quente, antes de dormir.

Tenho talento especial para a bagunça. Enrolo para lavar a louça, esticar a cama ou ajeitar as coisas. Esqueço o dia da lavanderia. De pagar as contas. Não me lembro facilmente de nomes ou feições das pessoas e sou a rainha dos foras. Atraio seres humanos esquisitos, e situações fora do normal não são raras de acontecer comigo. Sempre acho que esqueci o ferro de passar ligado e que vou incendiar o prédio. Tomo banhos demorados. Uso muita maquiagem e tenho preguiça de tirar à noite, então, não será díficil que vez ou outra você acorde com o bozzo ao seu lado.

Devo morrer cedo porque sou sedentária. Sou teimosa. Não gosto de surpresas. E tenho celulite, pintinhas e crises alérgicas. Gosto de tomar pilequinhos e geralmente brigo com o sono. Prefiro ficar acordada. Infinitamente prefiro a noite ao dia, e fico mais esperta durante às madrugadas. Vou pedir para ir em programas esquisitos, que você sabe que são uma furada, mas, ainda assim vou querer ir. Se você não for, vou mesmo assim. Vou querer usar seus moletons e pedir para fazer sexo em lugares improváveis. Não será raro cometer alguma loucura nesse campo – do vestuário ou sexual. Vou sair de blusa de frio mesmo no calor. Eu já nasci com frio. E vou chorar para você esquentar meus pés antes de dormir. Ou certamente dormirei com aquelas meias engraçadas de dedinhos.

Você vai me ver fotogrando colheres, ou qualquer outro objeto que não faça muito sentido. Falo com as plantas, com os gatos, os cachorros – ainda que pareça ridículo. Provavelmente te farei de cobaia em experimentos culinários e posso te fazer comer dez vezes ao dia se achar que está fraquinho. E te dar vitaminas. Nem pense em questionar porque quando menos esperar a pilula estará descendo goela abaixo. Posso ficar pobre no caminho do supermercado porque cruzei com três mendigos e darei o dinheiro todo a eles. Não estranhe em ter afilhados no zimbabue ou alguma terra dessas miseráveis. Vou ligar para o Criança Esperança todos os anos e para o Teleton. Se assistir filme de terror certamente passarei três dias com medo de espiões ou de seres extraterrestres ou de zumbis, mesmo sabendo que eles não existem. Se você me fizer ver a menininha do exorcista então serão, no mínimo, 15 dias de acompanhamento às minhas idas noturnas ao banheiro.

Posso pedir para que você fale coisas bonitas e que jure que será até o final da vida, mesmo sabendo que isso é improvável. Vou dizer eu te amo, todos os dias, muitas vezes ao dia. Ou ficar grudada feito bicho-preguiça em seu corpo por longas horas – até você ter a certeza que seu braço está caindo. Talvez, ainda assim, eu não saia. Vou planejar mil viagens, mil concertos, mil teatros, mil passeios – mesmo que eles não aconteçam. Vou planejar a vida com você, mesmo que essa vida nem exista. Vou ser chata muitas vezes. E, ficarei entediada. Mas, passa. E você não poderá me fazer cócegas – a não ser que queira receber um duplo twist carpado sabe-se lá deus onde.

Pensa que acabou? Não. Não acabou. A lista é extensa. Talvez por isso seja mais fácil, rápido e agrádavel mostrar as coisas boas. Talvez seja melhor amar as plumas coloridas e bonitas. Talvez.

Mas plumas voam fácil. Se desprendem, somem no ar. Quero me apaixonar por gavetas escondidas. Amar os pequenos defeitos, às coisas feias que moram em você. Àquelas que julga não serem dignas de amor.

E, depois disso e justamente por isso, no final das contas, não ter dúvida em dizer: “é você”.

 

 

Por que vou ouvir uma banda indie, perdida no fim do mundo, e Smashing Pumpkins, e Kurt Cobain e Janis… mas, outras, assim, vou querer ouvir Ravel ou Satie ou Elgar ou o docinho Chopin.

 

 

 

Alô? É a fada madrinha?

Publicado em Bati a cabeça e postei, Insônia por Srta. Ka em 20/08/2009

Essa é a história entre mim e duas telas. E, como coadjuvantes estrelam um sofá, um cartão de crédito e um sonho. É preciso falar de sonhos. Eu sei, muitas vezes eles atormentam a vida. Outro dia mesmo, cá estive a reclamar dessa coisa louca que é sonhar. Mas, me dei conta de tamanha injustiça. Como se queixar de algo que tantas vezes nos salva a vida? Sim, é preciso falar de sonhos. Alôôôôôô, é você fada madrinha?

Vambora sonhar na/pela/com a parede da minha sala?!

Para mim, hoje, o sonho possível – de duas telas.

 

Ps1: sim, meu sonho é rimado. Ps2: sim, eu fui à falência. Ps3: sim, eu tenho mais o que fazer do que gravar telas penduradas em paredes. Ps4: sim, sou insone. Ps5: sim, tenho medo de perder o encanto por esse tipo de coisa que me faz sonhar. Ps6: Não, você não pode me mandar catar coquinho. PS7: Sim, o vídeo acabou antes da música, mas aloooowww, eu sou amadora, ok? Ps8: Sim, a banda chama-se Sub Rosa e a música Lost you there. Ps9: Sim, te desejo uma boa noite e um bom dia. Ps10: E, também, muitos beijos.

 

Uma carta para Elise

Publicado em eu, eu mesma e irene por Srta. Ka em 17/08/2009

lee_friedlander

E outro dia eu fui fazer uma entrevista com um cara entendido em astrologia. No meio de nosso papo ele pergunta minha data e horário de nascimento, por “mera curiosidade”. Como sabia responder às duas questões (minha mãe sempre amaldiçoa o fato: parto normal às 05h25 da manhã), ele pediu dois minutinhos e logo em seguida falou metade da minha vida – passado e presente. Assim, na lata. Era como se eu estivesse sentada na frente de uma televisão assistindo alguém narrar minha história. Como sei me comportar (quase sempre) em ambiente de trabalho, não perguntei as “cenas dos próximos capítulos”. Faltou pouco. A verdade é que fiquei com medo (ou vergonha) do que ele diria. Melhor deixar para lá, né?

E, essa noite, sonhei o tempo todo. Ando meio irritada com essa coisa de sonhar. Não consigo dormir direito porque todo dia é uma “história nova”. Quer dizer, geralmente, é história velha mesmo. Ou já sonhei, ou é algo do meu passado com “cores novas”. Ai fico me perguntando: mas por que raios estou sonhando com isso de novo? Quem é o “desgranhento” que anda me sacaneando? Sonhar direto com seu passado é sacal. É como se o sonho me fizesse expectadora da minha própria vida.

Mas, é como o homem lá, entendido das coisas da astrologia, me conta o passado e o presente mas não adianta nadinha das próximas cenas, como o resumo semanal da novela (seria mais fácil, né?).

E, falando em coisas do passado, ontem encontrei nas minhas caixas de tralhas uma carta, antiga, antiga. De 15 anos atrás! Era de um “amigo por correspondência”, que conheci por meio de um jornal, e já falei dele aqui . Achei que tinha perdido todas as correspondências, mas, essa ficou. No envelope, além de uma carta havia também fotos da Casa do Sol, onde a escritora Hilda Hilst morava. Como eu só tinha 15 anos quando conversávamos e não podia viajar para outras cidades sozinha, mas morria de vontade de ir até lá – ele que morava em Campinas ia nos lugares para mim. Fotograva e me mandava. Naquela época eu ainda não tinha acesso à internet. Ou seja, não era como hoje, que abria o Explorer e matava a curiosidade.

Me deu uma saudade tão profunda, tão profunda daquela pessoa. Das coisas todas que falamos, da cumplicidade, da intimidade. De novo, como brincadeira, parecia meu sonho. O passado me tocando mais uma vez.

Tive também saudades de mim. Da pessoa que já fui, da ingenuidade da menina de 15 anos. Já teve saudades de você? Escrevi uma carta para ele, hoje, contando das coisas da vida, como fizemos por anos. A carta nunca será enviada porque não sei mais nada do meu amigo, nem endereço, email, telefone, como vive.

Quiçá eu não saiba nada, também, sobre mim.

Talvez, por isso, o passado adore me cutucar.

 

beijos! boa semana. :D

 

 

Por que ele gostava de trocar o nome “Elise” pelo meu! E, acabei de me lembrar…. afe, quanta naftalina!

A letter to Elise – The Cure

 

 

Oh Elise it doesn’t matter what you say
i just can’t stay here every yesterday
like keep on acting out the same
the way we act out
every way to smile
forget and make-believe we never needed
any more than this
any more than this
oh elise it doesn’t matter what you do
i know i’ll never really get inside of you

 

 

Como fazer amigos e influenciar pessoas (ou, “você colocou silicone?”)

Publicado em Bati a cabeça e postei por Srta. Ka em 14/08/2009

14082009-Então, ando ocupada. E, não… não sumi não (obrigado aos preocupados que mandaram email). É que minha mente anda preocupada com outras coisas, coisas de inverno. Para ser mais explícita: PESO DO INVERNO. E, mais explícita ainda: os recentes (e maleditos) seis quilos (você leu certo, foram SEIS mesmo) adquiridos, de vinhos, foundues, chocolates, e olho grande. Mas, não se engane: eu não estava fazendo dieta ou me exercitando na academia não… estava exercitando o tico e o teco. Pensando, pensando…. Tentando solucionar um dilema: como perder a barriga sem perder os peitos?

Explico: quem já le este bloguito há algum tempo sabe que eu sou uma menina grande: 1.67 (owwwww), de peitos pequenos! :D E, formidavelmente a pergunta que mais tenho escutado ultimamente é: você colocou silicone? Já foi o padeiro, a mulher do Avon, meu cunhado, meu primo e até o porteiro.

“você colocou silicone? você colocou silicone? você colocou silicone? você colocou silicone?”

NÃO, eu não coloquei silicone! É que engordando as peitcholas engordaram também… Estão tão saltitantes! Fofinhas! Que até eu tenho vontade de ficar apertando! :D  

Mas, ando dividida! :) Dos peitos para cima me amo, dos peitos para baixo me odeio… OWWWWWWWWWWW GOD!!!

Algum Freud ai para ajudar?

Eu sei, eu sei… deveria estar pensando no aquecimento global, no Sarney, no desmatamento, em como fugir do Brasil, mas, NÃO! Só consigo pensar em como as pessoas resolveram ser minhas amigas depois que provei do poder das peitcholas crescidinhas!

Isso é que eu chamaria de tática eficiente de “como fazer amigos e influenciar pessoas”. Mas, como logo logo pretendo eliminar os baconzitos adquiridos, temo, pela grave situação de perder meus “super poderes ativar“.

Sentiram o dilema? :P

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Esteriótipo da minha geração

Publicado em Pequenas Maluquices por Srta. Ka em 10/08/2009

Hopper

“Moro sozinho, minha casa é muito bonita, eu sempre digo que posso ter uma solidão medonha, mas sempre vai haver um vasinho de flores num canto. A gente pode enfeitar a amargura”. Caio Fernando Abreu

 

Tentei resistir ao dia dos pais, mas, não foi possível. Minha “culpa” cristã não permitiu tamanho furo. E, como filha ausente que sou, claro, levei presente e tudo. O fim de semana – além das formalidades que a data pede – veio com uma cortante constatação: me tornei tão óbvia.

Tudo começou quando fui alugar um carro. Resisti à tentação “classe média” de pegar um modelo econômico, e fui – naturalmente – aos exageros. Um nome de um carro metido à besta que nem me lembro mais. E, lá na rodovia Presidente Dutra, a 160 kms/hs, torci para ser parada pela Polícia Rodoviária, mas, não aconteceu. O fato que era para ser novo (uma bronca, uma multa, uma morte qualquer) continuou o mesmo velho de sempre: nada. 

E na mesa com a minha “casta” e a família alheia, da qual carecia apresentações da “primogênita”, escutei: “já tem 30 anos essa menina! não tem namorado não. É… trabalha demais. Imagine, não quer filhos, nem dividir a casa com ninguém. Vive sozinha, a pobre. Nem medo de fantasma tem!”.

 

Foi aí que saquei:

meu deus, como eu sou típica, óbvia, subproduto esteriotipado da minha geração.

 

E olha que a gente ”ainda” pensa que é diferente. Nada. Tudo igual.

E, por isso e apesar disso, continuo ouvindo Cazuza, lendo Caio F., tomando pequenos porres noturnos, café feito água, fazendo sexo (apesar de hetero-monogâmico) com frequência invejável ao padrão Censo, fugindo dos encontros sociais, comprando balas 7 belo de dia, Halls vermelho à noite, e chocolate sempre.  Óbvia.

 Mas, é estarrecedor dar “de cara” com a obviedade da gente, né? 

 

beijos, boa semana! ;)

 

Por que é trilha do filme “Um beijo roubado”, que revi esse fim de semana e adoro ambos (música e filme)

 Norah Jones - Story

 

 

Comidas e Comidas

Publicado em Pequenas Maluquices por Srta. Ka em 05/08/2009

comida-doll

Decidida a “recomeçar” a dieta e a abandonar todas as porcarias (deliciosas)do meu armário fui fazer compras (sem-graça). E, todo ser humano que vai  fazer dieta come o quê? Mato e filé de frango. Pois fui lá, no açougue, porque o mercado aqui perto de casa ainda está fechado. E peço meu franguito… Enquanto aguardo, uma senhora de seus 70 anos encosta no balcão e pede a sua “encomenda”. Pergunta também para o outro ”moço” qual o peso total do pedido e ele não sabe responder. E, diz que vai pegar o tal do “negócio” para pesar. E, eu… continuo aguardando – uma eternidade – o outro cortar meus filés em cubinhos para fazer com legumes (blergh).

E lá vem o senhor açougueiro com um “pacote”, que de longe não decifrei bem o que tinha dentro (cegueta). Ele com todo “cuidado”  joga o tal pacote em cima da balança. E, a tal coisa ESCORREGA! Eu, com o maldito reflexo (e como estava ao lado da balança) agarro o tal do pacote, feito um bebê no colo. Olho para baixo e vejo UM LEITÃOZINHO, MORTO, AZULZINHO, COM OS OLHOS FECHADINHOS E MORTINHO.

 

aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii socorroooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo que medoooooooooooooooooooooooo do leitãoooooooooooooooooo!

 

Na hora, com o falecido nos braços, só gritava:

- Moço!!! tá morto! morreu! tá morto!

Ele responde: claro… você tá no açougue! tá tudo morto aqui!

 

Ow god. Deixei o frango lá. E tenho certeza que vou ter pesadelo com o leitãozinho essa noite. :(

Volto, oficialmente, aos chocolates. Desisti da dieta, da sopinha, dos matos, e das coisas mortas – pelo menos até eu esquecer da cena embalando o leitãozinho falecido.

 

Tchau viu!

A experiência maior

Publicado em Pequenas Maluquices por Srta. Ka em 04/08/2009

Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu.

Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil.

Minha experiência maior seria ser o âmago dos outros:

e o âmago dos outros era eu.

 

Clarice Lispector

 

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>>> E eu estava cá, sonolenta, lendo o blog pela madrugada quando me deparo com o comentário do querido Andarilho, no texto anterior… Sabe, ele anda tão intenso… menino, que tu anda tomando, hã? passa para cá que tenho estado tão profunda quanto uma frigideira. O fato é que me lembrei desse texto da Clarice… ah, se eu soubesse disso a mais tempo! tinha economizado tanto tempo e fígado :)

 

beijos, beijos, beijos – boa terça!

oba! hj é dia de feira, dia de pastel, e dia de ganhar uns “baconzitos” na cintura! :)

 

 

 

Por que hoje amanheci, sabe lá por que, berrando Bob…

Howwwwwwwwwwwwwwwww does it feelllllllllllllllll?????

então, berre comigo também!

Bob Dylan – Like a Rolling Stone

 

 

Assim é se lhe parece

Publicado em Amenidades Cotidianas por Srta. Ka em 03/08/2009

E, esse fim de semana, briguei com uma pessoa próxima por algo bem “insignificante”. Um tema ligado ao teatro em que eu defendia a liberdade artística para uma situação, e a outra pessoa argumentava justamente o contrário, de ”acordo com a lei”. 

Sabe daquelas discussões que começam por nada e vão se transformando, trazendo “coisas” nada a ver que estavam “enterradas” em nosso cemitério vivo de lembranças? Pois foi assim que ocorreu.

Geralmente compro “briga”. Mas, desta vez, me aconteceu um fenômeno surreal – por culpa das minhas “noites literárias”. Enquanto a pessoa dizia “você isso, você aquilo, você tals, você… você… você”, só me passava pela cabeça uma frase, do escritor italiano Pirandello:

 

“Assim é se lhe parece”

 

Então, a discussão ficou até “cômica”, de certa forma porque era algo como:

* Você isso…. e eu respondia: Assim é se lhe parece! (pensamento insistente: minha nossa! como o Pirandello surgiu em meu pensamento agora?)

* Você aquilo… “Assim é se lhe parece!” (pensamento insistente: defenda-se! sai Pirandello da minha cabeçaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!)

* Você tals… “Assim é se lhe parece!” (Goddddddddddd! estou possuída pelo italiano! xispaaaaaaaaaaaa Pirandello! sai dessa corpo que não tem pertence!!!!!!!!)

 

depois de umas 30 acusações e a mesma resposta: “Assim é se lhe parece!”, passei a ser um monte de coisas que nem sou.

 

Mas, assim é…. se lhe parece!

E, você? Já deixou algo “ser” só por “parecer”?

 

beijos, boa semana. :)

 

 

 

Por que a letra é perfeita para o dia de hoje…

Legião Urbana – Quase sem querer