O sono de Klimt

Publicado em Amenidades Cotidianas, O resto é mar por Srta. Ka em 28/05/2009

Se Klimt fosse vivo, gostaria de saber se ele me pintaria assim. Dormindo. Dúvida impossível de ser solucionada. Mas, sempre que vejo esses dois quadros imagino a mesma coisa. Quanta pretensão! Mas, eles me remetem ao sono sagrado da fuga. Sabe como é? Um sono reparador de almas… É assim: eu e meu sofá desenvolvemos uma relação harmoniosa. Então, descobri que toda vez que fico muito nervosa, ou triste, ou cansada, ou qualquer coisa da qual eu gostaria de fugir, me deito de cara virada para o sofá, com o rosto mergulhado nele que mal dá para respirar e, como a cereja do bolo, ainda coloco uma almofada em cima da cabeça para dar o clima escurinho e tampar as orelhas. Funciona! Juro que funciona! Melhor que maracujina, ou gardenal, ou Lexotan, ou qualquer uma dessas bolinhas da felicidade. Sério mesmo… Tenho umas manias assim… Essa eu chamo de “sono de Klimt”. Mamãe diz que é fuga mesmo. Quem se importa? Nem eu e nem Klimt ligamos. Vamos ao sofá…

<<<e hoje eu queria cafuné nos cabelos com flores e cores das jacarandás>>>

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 E, você? Foge como? Conta como é seu “exército da salvação”.

 

beijos, beijos, beijos. Melhor da Gripe! Obrigadooooo

 

 

 

Cansada, cansada… e me lembrei dessa música por tantos motivos! E, também, porque “meu” Danielzinho adora. Adora mesmo, né baby?

 

All Star – Nando Reis

 

 

Estranho seria se eu não me apaixonasse por você…

 

 

Os outros

Publicado em Dodói, atrapalhadas por Srta. Ka em 26/05/2009

 .

 Já conheci muita gente
Gostei de alguns garotos
Mas depois de você
Os outros são os outros

Ninguém pode acreditar
Na gente separado
Eu tenho mil amigos mas você foi
O meu melhor namorado

Procuro evitar comparações
Entre flores e declarações
Eu tento te esquecer
A minha vida continua
Mas é certo que eu seria sempre sua
Quem pode me entender
Depois de você, os outros são os outros e só

 

Kid Abelha – Os Outros

 

 

Hoje, invertendo um pouco a ordem das coisas. Primeiro a música, depois o texto. Por quê? Por que hoje eu “estou de ponta cabeça”. De tanto tentar virar “pig”, porpeta, acho que fui pega… pela gripe. Suina? Sei lá! Só sei que dói tudo. Tudo. E quando fico assim tenho crises dos anos 80, 90. E meio na fossa! rs rs rs… É… tá vendo como é sério??? E hoje me lembrei dessa música… tão linda! mas, cá entre nós, velha de dar dó. Que nem eu. Um trapo.

E, ontem, quase meia-noite pedi socorro… pra farmácia. E, vieram entregar meu “Kit Naldecon” aqui. Tranquilamente desci, paguei, peguei meu pacotinho, entrei no elevador, apertei o andar, sai, coloquei a chave na fechadura… e… não abria!!! Ow, god… isso é hora da porta emperrar? Forcei a chave, rodei, chorei, esmurrei a porta. Até que… a porta se abre! ou melhor…. um simpático senhor de cuecão florido e meias até os joelhos abriu a porta colocando os óculos. Whatttttttttttttttttttttt???????????????? O que o senhor faz ai?????????????? Ele responde: Eu moro aqui! Eu: mora, é? Ops, errei o andar.

 

Pois é. Bad night, bad day. :)

beijos, beijos (de longe, pra não passar o vírus da porquinha!)

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Dos lugares públicos e medos privados

Publicado em Amenidades Cotidianas por Srta. Ka em 25/05/2009

E eu aguardava numa longa fila, de um centro cultural, para assistir uma palestra com escritores. Já era noite e, cansada, não tinha vontade de ler nada enquanto esperava os malvados organizadores que deixavam todos esperando do lado de fora do auditório. Enquanto pensava qual seria a explicação racional para aquela fila , além do frisson e o burburinho que justificavam o sucesso do evento, ouvia a conversa de outras pessoas que aguardavam também. Como o frio de São Paulo resolveu dar as caras, pedi para o simpático moço que estava logo atrás a mim, que guardasse o meu lugar enquanto buscava um chocolate quente. Ele gentilmente consentiu com a cabeça e um sorriso.

Fui até o café e pedi dois “baldes” da bebida fervente dos deuses e entreguei um deles ao simpático guardador de lugares. Ele se surpreendeu e disse que eu tinha sido muito gentil. Até me senti realmente gentil. Impressionante como somos influenciados pelo “olhar” externo. Mas, aquele gesto abriu as portas, não do auditório, mas, da conversa com aquele sujeito. Ele estava com um calça jeans tão apertada, da bunda ao calcanhar, que eu ficava pensando como era humanamente possível respirar. E, olha que o sujeito era magro de doer. Em compensação, “na parte de cima”, estava coberto com uma jaqueta larga vermelha, cheia de bolsos, entrecortada com um cachecol listrado verde e branco, e uma boina cinza. “Estiloso” o rapaz.

E ele me perguntou o que eu fazia. Eu disse: “jornalista“. Ele disse: “ow, você tem cara“. Eu perguntei: “por quê?” Ele respondeu: “tem cara de Lois Lane, do Planeta Diário“. Suspirei fundo e falei: “Só o que me faltava… mas, se é assim, tenho direito a um super-homem“. Ele riu. E disse: “me too, querida”. Ok. Ok. Como aquele papo tinha começado a ficar num tom esquisito, talvez porque eu nunca tinha escutado e lido tantas vezes a palavra “contemporâneo” por segundo, resolvi perguntar o que ele fazia. “Professor, de literatura”. Que bacana, pensei! Um outro rapaz que estava na fila junto com uma moça escutou e entrou na converesa. “Ah, também sou professor de literatura. Você escreve?”. O da jaqueta vermelha disse que não. A moça se apresentou como artista plástica. Gente simpática.

O que estava com a moça me perguntou se eu era professora também. Eu disse que não. Que era “Lois Lane”, ele riu. E disse: com especialização em quê? O outro – da jaqueta – me atropelou e respondeu: sou mestre em linguagem… bla bla bla… a moça logo em seguida sacou um titulo de doutorado em artes, bla bla bla, o meu questionador também se adiantou e disse que era mestre-doutor também em não sei o quê…

Nesse momento, veio o pensamento insistente: ow, ow… estou encrencada… como dizer que sou “das letras”, mas, com especialização em “números”?

Começamos uma longa conversa sobre as obras e escritores que veríamos mais adiante. E o mestre-doutor em não sei o quê me perguntou novamente: e você Lois?

Eu? Eu sou mestre-doutora em paixão.

Paixão? Ele perguntou.

Eu respondi: é… paixão pelos livros.

Ele riu. E perguntou: tá falando sério? Depois de toda essa explicação que me deu? Não pode ser!

Eu disse: claro que pode… e é verdade!

Ele me olhou, com aquele olhar de quem não tinha acreditado muito, me deu um beijo na testa, dizendo: “Bravo! Mas, que delícia de função!”

Eu disse: é.

 

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às vezes, me dá um medo da minha “quase” ingenuidade e inaptidão social. Deveria eu ter mentido?

A verdade nem sempre convence…

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Por que é tão doce quanto o chocolate quente da noite… E é bom começar a semana assim “docinha”.

Beijos, beijos, beijos :)

Norah Jones – Come Away With Me

 

 

Come away with me in the night
Come away with me
And I will write you a song

 

 

  

Oração à Hilda Hilst

Publicado em eu, eu mesma e irene por Srta. Ka em 24/05/2009

behappy

Querida Hilda, minha quase santinha pela qual rezo todas as noites. Eu sei, eu sei… não ouso chamá-la assim porque você me mandaria enfiar o “santinha” no rabo… E, eu tenho medo de santinhas bravas (mesmo as não santinhas). Tente me entender. Não há como rezar para nenhuma outra representante feminina – assim, tão perfeita para mim – que não seja você. Eu prometi à mamãe parar de “conversar” todas as noites contigo. Ela disse que isso não é muito normal. Primeiro porque você não é santa. Segundo porque você é morta e isso pode me trazer maus fluidos. “Menina! Tem que rezar para Nossa Senhora, não para essa tal de Hilst!”. Mamãe acha que você pode virar um encosto. Mas, eu nem ligo. Adoraria que você “encostasse” em mim. Deve ser uma experiência e tanto!

Essa semana foi complicada Hilda. Muito cansativa e tive vontade de cortar os pulsos com bolacha Maria, umas… deixe-me pensar – 35 mil vezes! É… minha alma quase escapou de mim! Queria pedir demissão! Não queria ser mais minha alma, não! Mas, eu segurei a danada firme! E aí decidi fazer essa alma feliz! É minha obrigação!  Coitadinha… ela merece Hilda. Apesar de ser uma alma muito teimosa! E aí tive uma idéia! Segura! Você sabe que minhas idéias nem sempre são boas…

Busquei em fotos Hilda, o momento que nós duas estávamos nos entendendo e de bem uma com a outra. E não é que achei Hilda?! É sério… Está certo que faz um tempão… mas, tem gente que nunca teve essa chance de se sentir assim, tão feliz. Achei que devia isso à minha alma. Então, peguei aquele montão de fotos Hilda e coloquei na porta da geladeira, no espelho do banheiro, na porta do quarto, em toda a casa… santinha! Tem fotos minha e da minha alma… felizes, felizes…

O que tinha as fotos? Liberdade! Você saberá me entender… Por isso estou rezando pra você hoje… As pessoas não sabem, Hilda, mas eu adoro pisar na terra, sentir o vento no rosto, fazer doces caseiros, entrar em rios… com cuidado porque não sei nadar não! Acho que sou uma “caipira”, Hilda! É verdade… outro dia, veja se pode!, um amigo meu de Portugal me gozou que só… por causa dos “erres”. Eu disse, Hilda! Sou uma legítima caipira… e adoro ser!

Quer dizer…. eu não! Minha alma! Tenho uma alma caipira! E ela encasquetou que quer ser você! A teimosa fica aqui me buzinando na orelha que é pra eu rezar pra você todas as noites…! Ela se acha herdeira da Casa do Sol… veja! Até me lembrei da música do seu amigo Zeca Baleiro… aquela que diz que “eu bem que tento… tento entender, mas, minha alma não quer nem saber… só quer entrar em você!”.

Entendeu, Hilda? É por isso que rezo todas as noites para você. Então aqui vai a reza de hoje… 

Santinha, por favor, me torne tão safada como você, deixe-morar num sítio como o seu, assim perdido no mato, num lar para os amigos como foi a sua a Casa do Sol… assim para escrever, ler, ouvir música… perdida com meus livros, artes e alguns gatos, e claro, uma boa dose de insanidade e uma orgia ou outra.

Amém.

Durma bem santinha. Eu, minhas fotos e minha alma, caipiras, dormiremos agora. Até amanhã.

:)

 

 

 

 Por que, às vezes (às vezes? hã hã) eu surto de vez! Então, surte comigo?

 Diga seu momento em paz entre você e sua alma… please! ;)

Alma Nova – Zeca Baleiro

 

 

Sempre que te vejo assim
Linda, nua
E um pouco nervosa
Minha velha alma
Cria alma nova
Quer voar pela boca
Quer sair por aí…
Eu digo
Calma alma minha
Calminha!
Você tem muito
Que aprender…

 

Verdades transitórias

Publicado em Amenidades Cotidianas, Pequenas Maluquices por Srta. Ka em 20/05/2009

Viver é uma ciência de verdades transitórias. Acordei pensando sobre esse assunto. Eu sei…eu sei… isso não é lá bem o tipo de coisa que a gente começa  o dia refletindo. Normalmente, meu único dilema ao acordar é resolver entre comer pão light 7 grãos (saudável e sem graça) ou um belo bolo de chocolate (delicioso e pesado como um elefante).  Mas, hoje, assim que abri os olhos me lembrei de Valéria Alves Marmit. Lembra-se dela? Não, né? Nem eu me lembrava do seu nome, mas, nunca me esqueci de sua história. Era uma advogada de 37 anos, que estava dentro daquela van, que foi engolida pela cratera das obras do metrô aqui de São Paulo, há mais de dois anos. Sabe?

Se abrir os olhos pensando em verdades e não verdades já não é lá muito normal, imagina então despertar lembrando de alguém que você só tomou conhecimento da existência pelo noticiário policial a dezenas e dezenas de dias. Mas, assim que acordei pensei: “uau, mas, que coisa mais louca você estar sentadinha dentro de um carro e a terra literalmente te engolir!“. Ok. Vai ver meus neurônios são tão lerdinhos que ainda não conseguiram “processar” a história toda, até hoje. Mas, nem foi *só* pelo fato dela ter sido engolida pela cratera não… é que ela tem uma história tão linda, em meio à tragédia toda, que não consegui me esquecer… Chego a pensar que certas tragédias podem até ser belas, apesar da dor.

                                                                                                                                                                                                                                                      Quando os bombeiros localizaram seu corpo, encontraram junto o livro La Poesía de Federico García Lorca, de Julio García Morejón. Valéria, que gostava de poesia, foi obrigada pela morte a interromper sua leitura na página 67. Sabe, eu sei que ela tinha filhos e tudo o mais, no entanto, fiquei aqui  a pensar que toda sua existência ficou registrada por esse episódio, o da poesia nos escombros. E ela, agarrada não mais ao livro, que saiu praticamente intacto, mas à morte. Ai fiquei imaginando qual teria sido seu último verso lido? a última linha, a última palavra? o último pensamento antes de ser sugada pela terra? E, também, como é que aquela *verdade* tão certa, a de uma mãe de três filhos, sentada numa van, indo para o trabalho ou qualquer outro lugar, muda assim tão rapidamente? Engolida junto à poesia que tanto amava. Ela viveu para esperar esse momento? Pois foi por ele que pessoas como eu, que nem sabem como era seu rosto, lembrarão de sua história por muito tempo.

E lendo o jornal hoje, vi uma declaração do escritor Marçal Aquino – um dos meus preferidos atualmente – que me deixou mais encucada ainda. Ele disse: “O que me justifica no mundo é a literatura”. O tico e o teco aqui entraram em parafuso… Simplesmente porque “casou” com meu pensamento de hoje de manhã.  “O que me justifica no mundo é…”. O que te justifica no mundo? O que me justifica no mundo? O que justificou a vida de Valéria no mundo? Veja, Marçal não disse “minha mulher, meus filhos, minha casa, etc”.  Aquela “literatura”, a que ele se refere, é a verdade que justifica toda a sua existência. Ela estará lá no início de sua vida, no meio e no fim – o acompanhará para sempre independente do que ocorra ao redor. É claro que sua mulher ou filhos também são parte de sua verdade. Mas, é uma verdade transitória.

Como????!!!!!!! Minha mãe, meu pai, minha mulher, meu marido, meus filhos são verdades transitórias? São meus caros. Adoramos nos enganar e achar que as pessoas que amamos são eternas e que sem elas nossa vida perde o sentido. Isso é uma bonita ilusão.  As pessoas, em nossas vidas, são finitas – voluntariamente ou involutariamente. Elas se mudam, elas brigam, elas abandonam ou morrem. E mesmo aquelas que permanecem ao nosso lado têm na verdade a missão de cuidar da própria vida. Pessoas são finitas. E sempre sobrevivemos, apesar do sofrimento que algumas deixam quando nos deixam. É uma “verdade transitória”. Mais dia ou menos dia elas nos deixam ou a deixamos, como Valéria deixou seus filhos. Eles sofreram? Claro que sim! Isso deixará marcas? É óbvio! Mas, a verdade é que ficarão bem. Valéria, como qualquer outra pessoa, era uma verdade transitória para eles.

Mas, se as pessoas são finitas e, de certo modo, não permanecem em nossas vidas, o que será uma verdade que permanece? Pra mim, é aquilo que te faz respirar todos os dias, aquilo que justifica – como disse Marçal Aquino – a sua própria existência. Como descobrimos isso? Não tenho a menor idéia! Tem gente que passa a vida buscando sua “própria verdade”. Umas encontram, outras ficam apenas na busca.

Marçal é um cara de muita sorte. Ele sabe exatamente para que veio a este mundo. Talvez, Valéria não tenha tido tempo para descobrir a sua verdade, ou, quem sabe, a sua existência tenha se justificado mesmo por aquele trágico e inspirador momento. Talvez, ela tenha vivido para ler até a página 67 do livro de poesia, e por isso, muitos inspirados em sua impossibilidade de seguir adiante com a leitura, o fizeram para homenagia-la e tornaram a poesia possível em suas próprias vidas.

Ou, talvez, ainda, não existam essas tantas verdades que minha cabeça maluca insistiu em criar assim que acordei. Nem as verdades que permanecem, nem as transitórias. Talvez, a única coisa que exista seja a memória. A minha hoje existiu e me trouxe Valéria de volta. E não pude deixar de torná-la “viva”, mais uma vez, contando sua história a vocês.

 

Quanto às verdades, eu continuo na busca – com uma leve sensação de já ter encontrado a resposta.
E, você? Qual é a sua verdade? O que justifica sua existência no mundo?

 

beijos! beijos! beijos!

 

 

Por que foi a música que passou pela mente quando escrevi esse texto

 

O poeta está vivo – Barão Vermelho

 

 

 Baby, compra o jornal
E vem ver o sol
Ele continua a brilhar
Apesar de tanta barbaridade…

Baby escuta o galo cantar
A aurora de nossos tempos
Não é hora de chorar
Amanheceu o pensamento…

O poeta está vivo
Com seus moinhos de vento
A impulsionar
A grande roda da história…

 

Coco Chanel, culpada! culpada! culpada!

Publicado em Pequenas Maluquices por Srta. Ka em 18/05/2009

Então, antes de dizer o resumo do meu primeiro dia no twitter, preciso explicar (para os curiosos, né Mr. Bob) a causa de eu ter me metido nessa enrrascada. Tudo começou na semana passada, não me lembro se quinta, sexta-feira. O fato é que eu estava me sentindo muito, muito, muito má. E, pra falar a verdade, adorando ser má. Então, fui encontrar uma amiga para um café. Era só para ser café. Mas, a maledita estava precisando “relaxar”. Eu disse: owwwwwwwwwwwwww no! nada de sexo! Ela disse: ok, então vamos beber. E assim foi feito.

E como ainda estava me sentindo muito, muito, muito má – com um humor mais irônico do que minha mãe com o meu pai depois de 32 de casados – ela disse que eu estava meio parecida com a Malvada Mor da história… Não, não era a maga patolina… era a senhora Gabrielle Bonheur Chanel, mais vulgarmente conhecida como Coco Chanel, sim… a dona daquela marca de “gente pobrinha”. Eu, na altura da minha malvadeza, ser comparada com Mademoiselle Chanel… adivinhem o que aconteceu? ENLOUQUECI, é claro!

Relato fiel do questionário (meu) pós-loucura (igualmente minha):

A doida, varrida: você me acha parecida com a Coco Chanel?
A amiga: não

A doida, varrida: E a elegância?
A amiga: já tá bêbada, K.?

A doida, varrida: E o estilo?
A amiga: hum?

A doida, varrida: E o dinheiro?
A amiga: ahahaha

A doida, varrida: E o cabelo?
A amiga: Ah, o cabelo… bom… pretinho assim… bem… mais ou menos, né? Se fosse o Corte Chanel, até poderia ficar próximo!

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh sabia! gêmeas! gêmeas! Eu e dona Chanel somos gêmeas!!!!
Detalhe: eu e a senhora Chanel não temos NENHUMA SEMELHANÇA FÍSICA… mas, uma garrafa de vinho, mais maldade à flor da pele, mais, um tantinho de loucura… é o que dá!

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Então, claro, eu que não me pareço nada com a malvada-mor – com exceção a cor do cabelo – resolvi fazer o quê? cortar o cabelo Chanel! O que foi comunicado imediatamente à amiga, com a paciência de Jó. E ela? Bom, ela disse com todas as letras: VOCÊ NÃO VAI SE ACOSTUMAR… e eu? Ahhh, eu… toda poderosa, quase gêmea de Grabrielle, disse que SIM! EU IRIA AMAR…………  Tentei convencer minha amiga, que insistiu… e, o que se transformou em teimosia, e teimoisia se transformou em aposta, e… CLAROOOOO, TEIMOSA FEITO UMA MULA, CORTEI!

E… assim que sai do salão senti um ventinho frio na nuca…. uma sensação nova… esquisita… cadê os cabelos? mas, logo pensei que aquela nuca descoberta poderia significar muitos beijinhos naquela região… E, sai toda saltitante. Passada uma semana, nada de beijinhos, nada de rabo de cavalo, nada de jogar o cabelo de um lado a outro, nada de nada… especialmente, nada de cabelo. Ok, ok. O corte é um charme, mas, EU QUERO O MEU CABELONNNNN DE VOLTA!

 

a teimosia toda me rendeu duas coisas: entrar para o twitter (sim, era meu castigo caso me arrependesse de ter cortado o cabelo) e trabalhar de cachecol quando todos te olham esquisito ou  te perguntam: “você está doente?”.

 

Queria tanto meu “rabo” de volta.

ai, essa frase ficou esquisita.

 

hei, não ri não…. porque é tragédia demais para uma semana só!

Beijos, e me recuso a falar do twitter neste momento. Vou dormir porque é a única coisa digna que me resta a fazer :)

Maldita Pinga

Publicado em Da série: passa o lencinho pra eu chorar! por Srta. Ka em 18/05/2009

twitter

 

Incompletudesincompletudes     Então, eu perdi uma aposta hj com uma amiga de blog. Nunca apostem nada, ainda mais se tiver tomado uma garrafa de vinho antes. Cá estou.

Incompletudesincompletudes   Promessa é: K, 90 dias de twitter, em todo o auge do meu dia-a-dia (tsc, tsc). Será que aguento? O “castigo” se não cumprir é very bad… :)

Incompletudesincompletudes     maldita “pinga”….

 

 

ou seja, me ferrei de verde e amarelo… Helppppppppp! não me deixem só!!! Pleaseeeee…. :)

 

 

Por que diante da tragédia acima é a única trilha sonora possível

Não me deixe só – Vanessa da Mata

 

 

 

Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz

Não me deixe só
Tenho desejos maiores
Eu quero beijos intermináveis
Até que os olhos mudem de cor

 

 

Peixinho-dourado

Publicado em Amenidades Cotidianas, Gente chata, Gente legal por Srta. Ka em 15/05/2009

aquario

Quase sempre, no horário do almoço, frequento um restaurante japonês. Fica aqui perto de casa e adoro a comida. Já sou freguesa antiga, desde que inaugurou, praticamente “de casa”. E, hoje, almocei lá. Eles mudaram um pouco a decoração, notei logo na entrada, mas, como escrevi outro dia para uma amiga-blogueira: “o pecado nasce da distração”. E, distraída (ou habituada) que sou, não reparei que tinham “reinaugurado” o aquário, até então em reforma. Como de costume, me sentei à mesa do canto, rente à parede do aquário… e, logo depois de devorar um ou dois sashimis, tomei um susto! Vi um peixinho-dourado, com “nariz” colado no vidro, me observando. Na hora pensei se tratar de um olhar condenatório, do tipo: “não coma meus amigos”. Mas, não. Era só curiosidade mesmo.

Durante todo o almoço, para minha vaidade e certo desconforto, o peixinho-dourado sequer “piscou”. Ficou lá, o tempo inteiro me analisando. Pensei fazer um movimento brusco ou dar uma batidinha no vidro pra ver se ele parava de me olhar, mas, achei que seria “perturbador demais”, e desisti. E, assim, ele passou o tempo inteiro… me observando, olhando, analisando…

Aí, me dei conta que vocês – aqui no blog – também são peixinhos a me observar (ou seria o contrário?). Eu chego, “sento”, conto uma prosa qualquer e vocês ficam como o peixinho de hoje… me observando, me olhando, me analisando… Uns sinalizam algo nos comentários, aparecem… outros, só me “vigiam” mesmo. Eu gosto muito de peixinhos! Os que moram fora ou dentro do aquário. Assim como no restaurante, apesar da estranheza despertada num primeiro momento, me sinto acompanhada e cuidada por muitos de vocês, peixinhos, que vêm aqui.

Mas existem peixinhos malvados também. É engraçado como têm aqueles que “colam o nariz” no vidro só para criticar. Na verdade são peixinhos que nem sequer me conhecem! Nem são peixinhos-dourados… como vocês. São bisbilhoteiros a catar migalhas de pão, de outros peixinhos, só para se sentirem confortáveis em águas nas quais não foram convidados a nadar. Eu não gosto desses peixinhos não. Eles são feiosos, rancorosos, ciumentos, e estão mais para peixe-boi, inflados de tantas certezas… e vejam, certezas daquilo que desconhecem. Afe! Quanto peixinho feio tem no mar!!! Mas, eles juram que são sapientes tubarões, e nadam de peito petulante em mar aberto… Dá vontade de falar: “Hei, peixinho feio, esse mar aqui é só para convidados! Quer entrar? Pode.. claro… mas, pra isso tem que se transformar em peixinho-dourado! Aqui, peixe-boi não tem vez, não!”.

E, eu gosto de transformações… Todo dia mudo. O tempo inteiro. Não gosto muito de coisas previsíveis, não. São chatas, chatas. Então saio mudando… a casa, o cabelo, o jeito, as músicas, o comportamento. Todo dia, ao levantar, me pergunto: o que vou fazer de novo hoje? o que vou conhecer? Como posso mudar? Nem sempre as mudanças são boas, sabe? Por que nem sempre “as águas estão claras”. Vez ou outra ficam turvas… e, os peixinhos-dourados que me rondam e observam sabem disso. Melhor: entendem isso, aprendem com isso, brigam com isso, se entregam a isso, se divertem com isso, e se envolvem. Mas, é preciso ser peixinho-dourado para entender e enxergar. Peixinhos feios só olham a superfície e a feiúra. Não entendem muito da beleza do mar.

É díficil viver, nesse balançar de águas instáveis, sem as “mini-certezas” dos peixes-boi. Mais fácil é viver todo ”tubarão”, com seus ”dentículos” para fora. Mas, eu ainda prefiro ser assim, esse ser estranho observado por peixinhos-dourados, que muda a toda hora, porque a gente já sabe… água parada fica estagnada, e água estagnada apodrece. E, só peixinhos feios vivem em águas podres.

 

E eu, adoro vocês, os peixinhos-dourados que moram em águas claras a me observar. :)

 

beijos, beijos, beijos

 

 

Por que eu sou sempre tão Crazy Mary… e vocês…meus peixinhos-dourados

 

Crazy Mary – Pearl Jam

 

 

“Mas suas mãos não paravam quietas
Maria Louca de olhos selvagens”

 

A corda bamba

Publicado em O resto é mar por Srta. Ka em 13/05/2009

E não é que esqueceram de me contar que a vida é essa dança feita em corda bamba? Dá para acreditar? E eu aqui pensando que ela estava mais para um exercício de solo de ginástica artística, onde a gente se joga sem medo, e não! Nada de piruetas e saltos. Só passos mansinhos, mansinhos. Tudo bem… ginastas sempre têm a dor estampada no rosto. É de tanto se jogar… assim… sem medo dos tombos que se machucam tanto. Vale arriscar? Não sei, mas, penso sobre all time. Eu gosto de voar, mas, temo cair lá de cima. É sério.

Agora 01h33, da madrugada de quarta. Trabalhar essa hora me faz bem. Silêncio, silêncio. E de tanto silenciar o pensamento me traiu. Me lembrei que hoje é (seria) uma data importante para um projeto pessoal. Não prosperei. À princípio por falta de tempo. Mentira! ô desculpinha boa essa, não? Mas, vou contar a verdade pra vocês. Mas, é um cochicho baixinho, para que ninguém nos escute, ok? Essa história do tempo e blá blá blá é real, mas, não é bem assim, assustadora, não. O fracasso veio com mãos dadas ao medo. É. Eu tenho medo de algumas coisas. E fracassei. Tudo bem, eu lido (ou tento lidar) bem com os fracassos. Todo mundo fracassa, não é verdade? Mas, não gosto de pensar que posso me acostumar a ele. Do tipo conformada. Apesar do medo e do sorriso nervoso, eu viajo de avião. Só não pulo de pára-quedas, sabe?

Mas, dos sorrisos… bom, desses eu não tenho medo não. Mas, fracasso sempre nesse ponto também. Algumas vezes acerto, mesmo sem querer, no alvo. Outro dia, chorei feito criança jogada na cama de tanto rir. Que surpresa! Chorar de tanto rir. Até doeram as costelas. Tudo bem. Esse é o preço de se jogar no riso. Pago com gosto. E o seu Raimundo  não abriu hoje o portão do prédio para eu entrar. Tive que tocar o interfone 3 vezes. Ele disse que “estou diferente”. Eu cortei, mais uma vez, o cabelo. “Ah dona K., você ficou mais jovem com esse corte!”. Creio, honestamente, que não foi milagre atribuído ao Jacques Janine não. Foi o sorriso! Logo pensei. Chorar de tanto rir, feito criança, me deixou assim – com cara renovada.

Sabe, falando em sucessos e fracassos, o “seu” Raimundo é um sucesso pessoal. Demoramos a nos entender. Achei que era “caso perdido”. Mas, não é que agora acho o danado do porteiro the best! É a tal da corda bamba… A gente pensa que vai se estatelar, e de passinho em passinho atravessa o percurso inteiro. Paciência e perseverança são fundamentais em situações impossíveis. É preciso atravessar à nado, com longas braçadas. E, cá, pensando neste entendimento “patrono-residencial”, me passou pela mente que existem pessoas que devem ser preparadas. Sabe? Sem que a gente perceba, o tempo vai “preparando” essas pessoas pra gente. E, quando a gente menos espera, pá! lá está a pessoa prontinha e perfeita pra nós. Assim como o seu Raimundo é, para mim, o porteiro perfeito. O contrário também é verdadeiro. Tem gente que chega “verde”, não amadureceu.

Aqui na minha rua, por incrível que possa parecer, tem um pé de carambola na área de lazer do prédio vizinho ao meu. Agora está na época delas ficarem maduras, maduras. É coisa bonita de se ver! A grama toda reluzente com as frutas amarelinhas. Vou tentar fotografar para vocês verem. Mas, a cena das carambolas me fez pensar no caso das pessoas verdes e maduras. Carambola é boa demais, mas, verde é um horror. Azeda, azeda. As pessoas também são assim. É díficil cair do pé do mundo uma pessoa madura e docinha pra gente. É mais fácil a gente arrancá-las verdes. Pra quê? Tem que ter paciência para esse ”preparo”. E, de repente, o preparo acaba e a gente percebe a carambola docinha ”da gente“. Dá até vontade chorar de tanto rir! Sucesso total.

 

2h46.  E, chega de falar de sucessos e fracassos. Vou bem, de passinho em passinho, topando com carambolas pelo caminho. Não é a vida uma dança de equilibrista?

 

beijos! boa quarta pra todo mundo! e, desistam… não vou bater na porta do vizinho não! Nem por vinho, viu dona Lia?! espertinha a senhora, não?  Estou sem tempo para “comentar os comentários”, mas, leio todos! e, os adoro. Como também, vos adoro. Obrigado, obrigado e obrigado pela companhia! :)

 

 

Por que escrevendo esse texto, assim, sem muito compromisso, me lembrei dessa música e apertei o play

 

Teatro dos Vampiros – Legião Urbana

 

 

Esse é o nosso mundo
O que é demais
Nunca é o bastante
E a primeira vez
É sempre a última chance

.

Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo
Eu, homem feito
Tive medo
E não consegui dormir…

.
Já entregamos o alvo
E a artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas
Possam se encontrar…

Impróprio para o horário comercial

Publicado em Sexo por Srta. Ka em 11/05/2009

Vou contar uma coisa para vocês… Eu realmente tenho certa dificuldade para me “desligar” do que ocorre ao meu redor para dormir. E, tenho que confessar que sempre tenho bons motivos para permanecer acordada… seja pela leitura, pela escrita, pela música ou às maravilhosas conversas ao telefone madrugada a dentro.

Se não bastasse tudo isso, mais recentemente, há a colaboração dos meus sexualmente ativos vizinhos. Entendam bemmmm!!!! Isso não é uma reclamação!!! Muitooooooo pelo contrário… Só uma constatação: EU NUNCA MAIS VOU DORMIR!! NUNCA! NUNQUINHA! QUEM PRECISA DORMIR?

Aperte o play logo abaixo e me conte: é possível dormir desse jeito??? Essa noite quase bati lá na porta deles!!! não está “dando” (literalmente) para ficar comportada assim, não!!!

Ah, seguinte, se eu fosse você escutaria com fone de ouvido… ou, sem platéia à volta.

e, bem-vindos à trilha sonora de muitas das minhas noites.

 

 

Conseguiria dormir?

:)

 

 

Filha da mãe

Publicado em Pequenas Maluquices, pets por Srta. Ka em 11/05/2009
Oi, tudo bem? Você não me conhece, mas, eu sou a filha da minha mãe. Essa mesma que você lê aqui. E, no dia das mães foi ela quem veio me visitar. Sabe, ela me abandonou então moro com vovó. Mas, amo muito minha mãe... Apesar dela ser meio, assim, doidinha.... Ahhhhhhhhhhhhh peraí que ela chegou!

Oi, tudo bem? Você não me conhece, mas, eu sou a filha da minha mãe. Essa mesma que você lê aqui. E, no dia das mães foi ela quem veio me visitar. Sabe, ela me abandonou então moro com vovó. Mas, amo muito minha mãe... Apesar dela ser meio, assim, doidinha.... Ahhhhhhhhhhhhh peraí que ela chegou!

Ai

Ai "minha santa protetora de caninos", acho que é melhor eu me esconder aqui nesse cantinho... Mamãe veio vestida de onça! Que medo! Ela tentou me convencer que era uma onça de mentirinha, mas, nunca se sabe...

Ai nãooooooo!!! Socorroooooo!!! Ela me pegou!!!!

Ai nãooooooo!!! Socorroooooo!!! Ela me pegou!!!!

Hellllpppp......!!!! Alguém me tira daqui de cima!!! Eu disse que essa roupa de oncinha tinha deixado mamãe esquisita!!! Ela disse que queria chegar aqui de vaquinha, pra irritar vovó... mas, ninguém quis vender roupa de vaquinha pra ela!!! Me tiremmmm daquiiiiiiiiiiiiiiiiii

Hellllpppp......!!!! Alguém me tira daqui de cima!!! Eu disse que essa roupa de oncinha tinha deixado mamãe esquisita!!! Ela disse que queria chegar aqui de vaquinha, pra irritar vovó... mas, ninguém quis vender roupa de vaquinha pra ela!!! Me tiremmmm daquiiiiiiiiiiiiiiiiii

Hei! me ajude??? Agora ela agarrou firme mesmo... acho que tô ficando tonta...sem ar..... help!!

Hei! me ajude??? Agora ela agarrou firme mesmo... acho que tô ficando tonta...sem ar..... help!!

Pô, sacanagem!!!! Agora virei travesseiro da mamãe!Helppppppppppp!

Pô, sacanagem!!!! Agora virei travesseiro da mamãe!Helppppppppppp!

Afe, estou exausta... foram tantos apertos, amassos, chacoalhos... que estou mais morta que a oncinha e a vaquinha da mamãe... Ninguém merece!

Afe, estou exausta... foram tantos apertos, amassos, chacoalhos... que estou mais morta que a oncinha e a vaquinha da mamãe... Ninguém merece!

Ai, ai... que alívio... que brisinha... finalmente mamãe sossegou! Cheirou um "negocinho" lá que o tio Marcelo deu de presente pra ela... e ficou calminha calminha! Hei! Não vá pensar bobagens! Nada ilegal, não!!! é um misturinha de uma tal de alfazema e não sei mais o quê... pra sossegar leão... ou seria oncinha? vaquinha? Ai... isso está virando um zoológico! Thau procêis, viu!!! Ahhh, tio Marcelo... mamãe disse que adorou o presente e a visita!!! Fuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Ai, ai... Não é nada fácil ser filha dessa minha mãe...

Ai, ai... que alívio... que brisinha... finalmente mamãe sossegou! Cheirou um "negocinho" lá que o tio Marcelo deu de presente pra ela... e ficou calminha calminha! Hei! Não vá pensar bobagens! Nada ilegal, não!!! é um misturinha de uma tal de alfazema e não sei mais o quê... pra sossegar leão... ou seria oncinha? vaquinha? Ai... isso está virando um zoológico! Thau procêis, viu!!! Ahhh, tio Marcelo... mamãe disse que adorou o presente e a visita!!! Fuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!

Uma história de meninas

Publicado em amizade, amor por Srta. Ka em 08/05/2009

                                                                                                                                                                                               

                                                                                                                                                                                                 À Marina

Querida, hoje me lembrei de você.

Caso totalmente acidental. Desses que não têm a menor importância, mas, que varrem nossa vida com o passado. Sabe, faz tempo, muito, que não nos falamos e, entretanto, continuo a mesma. Você garantiu que mudaríamos se nos afastássemos. Não mudei. Você mudou? Hoje, bom, hoje, não tive tempo para nada. E, há pouco, a fome bateu em minha porta. Havia na geladeira uma garrafa de vinho e no freezer salmão congelado. Nem um, nem outro. Liguei para a padaria e pedi pão, salaminho italiano e cerveja. É, sei… não precisa dizer, não é uma escolha saudável. Dane-se. Não quero viver muito. Pra quê?

Quando o interfone tocou, e o porteiro avisou, desci. Peguei a sacola do entregador que disse: “dona, só tinha a Malzbier”. Malzbier???… Malzbier!!!!… palavra ingrata, culpada. Ela que te trouxe para a minha noite. Foi um pensamento desses “teia de aranha”, sabe? Um puxa o outro e outro e outro. E cá estou falando com você. E quase te ouvindo dizer: “aprenda: é Malzbier! Malzbier! nada de cerveja preta! pare com isso! fale corretamente”.  Aprendi. Agora já sei que essa cerveja escurinha e docinha, a única que gosto, se chama Malzbier. Você teria orgulho de me ouvir pedindo ao padeiro… “Malzbier, por favor”.

Marina, eu não queria te trazer ao presente não. Você tem lugar de honra em meu passado. Mas, essas coisas a gente não controla. Depois que dei a gorjeta ao garoto, notei em meus braços o embalo daquelas garrafas. E pelo espelho do elevador me dei conta que não tomava cerveja, assim, sozinha “desde a gente”. É. desde a gente, minha querida. Você sabe que “sou do vinho”. Faz tempo. Quase pude me lembrar de você estirada no tapete branco e fofo da sala junto com o gato (como se chamava?), que me dava uma alergia danada (ainda não sei se o gato ou o tapete), pedindo “a sua cerveja”. Você era folgada. É verdade! Nem adianta contrariar. F-O-L-G-A-D-A!

Você sempre gostou de cerveja, não? Que horror, Marina! Cerveja à vinho? Não brinque! Quando não tínhamos um tostão no bolso, até entendo… mas, depois? ah, não…minha querida! Vinho, por favor… Se lembra quando saíamos fugidas das aulas? E só tínhamos o dinheiro para o ônibus? Quantas caronas fomos obrigadas a pegar!? Mas, bebíamos! Estiradas na grama do lindo jardim da faculdade… estragando o paisagismo da noite… com folhas coroando nossos cabelos sujos. É, não éramos uma bela paisagem vistas desse ângulo. Bêbadas, sujas e tremendamente palhaças. Por que ríamos tanto, Marina? Até hoje não entendo… Mas, havia graça ali… se havia!

Também você foi minha melhor amiga. Se não rirmos junto a ( e para os) amigos com quem será? E nós rimos muito. De tudo. De todos. Mas, hoje, Marina, comendo esse pão com salame e tomando essa cerveja, lembrei de nós. De um dia em especial. Saímos da aula do professor japonês de fotografia. Se lembra? Aquele mesmo que adorava nos agarrar no laboratório escuro… Uma vez você deu um kung-fu direto no estômago dele porque tocou seus seios. Lembra? Mas, depois, mais tarde, estirada comigo na grama você confessou que gostou. Como Marina? Como pode ter gostado? Ai, que raiva de você! Que pouca noção de “qualidade” … para bebidas e para gente.  Até brigamos… Você chorou. Resmungou e encostou a cabeça no meu ombro, como fizemos tantas vezes. Foi ali que começou Marina. Senti você de uma forma diferente e única, como nunca havia sentido.

Até tentei te afastar, não é mesmo? Mas, você apoiou seu rosto no meu colo e me abraçou. Estirada, ali, na grama. Te embalei como fiz com as garrafas hoje no elevador. E, tudo ficaria assim, Marina. Só que você olhou para cima e quis me mostrar as estrelas. Elas estão mortas, Marina! As estrelas morrem muito antes da gente nascer. E, você, sempre boba, iludida, disse que nós também. Nosso brilho estava ali, há muito tempo, antes da gente existir e muito depois ”da gente” morrer. E você olhou para o lado, Marina! Não deveria ter olhado para o lado porque senti sua respiração em meu nariz. Você puxava o ar que eu expirava. E senti seu cheiro. O cheiro da sua alma saindo pelas narinas. Nossa, como o seu cheiro é bom! Te senti em minha boca.

Você tinha gosto do terror e da sedução que moram nas coisas novas. Ah, Marina! Eu tentei te impedir… mas, você nunca me deu ouvidos. Nunca! Embora, não tenha admitido, você fez a coisa certa. Deitada ali, sua boca tocou a minha. A gente ria, é verdade… para minimizar todas as sensações que vinham do seu, do meu corpo. Não deu para ignorar. Era bom tocar seus lábios, era bom sentir seu cheiro, seu cabelo em meu rosto, seus dedos entre minhas pernas. Foi nossa primeira vez, não é? Tantas depois dessa… Era bom ver você jogada no chão da sala, esperando a cerveja, com o gato arranhando seu rosto, e você me chamando, miando, feito criança. Mas gostava mais dos flagrantes que te dava enquanto fazia pose para foto no espelho do banheiro, com o cabelo molhado,  ou, no quarto com os dentes arregalados e dedo no queixo, ou, com aquele seu chapéu meio blues e o cachecol que compramos em Campos. Kitsch. Totalmente Kitsch.

Marina, preste atenção: agora a Malzbier acabou mas as lembranças não. Essa história está ficando longa e amorosa demais, como a nossa foi. É que hoje, só hoje, me lembrei de você. Não costumo me lembrar mais de você. É como estrela brilhante e morta. Renasça. Terra brasilis te espera, de novo, um dia. Recebi as fotos do “pequeno”. Lindo. Não esqueça de apresentá-lo à sua melhor amiga, desde muito, muito tempo… Vou mandar fotos novas. Trate de imprimir e colar no berço do danadinho! Aí de você se, no futuro, ele não me reconhecer! Mande beijos sortidos para o “nosso” marido”. Diga que ele me deve. Me deve você. Essa é uma dívida imensa Marina. Acho que ele não conseguirá pagar nunca. Mas, por você, minha querida, essa é dívida perdoada. Agora eu estou feliz e um pouco bêbada. E você, como estará neste exato momento?

 

Saudades de bolinho de chuva, de Marina à milanesa no chão da sala, de cafezinho com papo, de choros minguados e colos, muitos.

Amor sempre, da sua amiga e companheira de vida.

 

 

 

Por que hoje, gostaria de provar até a alma das duas queridas Marinas.

Marina Lima – Pessoa

 

 


O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora entra, 
vai e volta sem sair!
Oh, não ! Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir
Sou um herói vencido

 

 

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Meias de dedinhos

Publicado em Amenidades Cotidianas por Srta. Ka em 06/05/2009

Sabe que há pouco saí do banho e fui direto para o quarto. Quando estou muito cansada faço as coisas praticamente no ”automático”. Foi dessa forma que ”saquei” minha super roupa de dormir, no qual cabem duas de mim lá dentro. Dormir sozinha te dá essas “vantagens”. Ninguém vê nosso ridículo e a gente quase se acostuma com ele.  No automático, junto com a roupa última moda de “modelito balão”, no tamanho e estampa, peguei também minhas meias arco-iris. Não são essas dá foto, mas, são bem parecidas.

E, eu adoro que esquentem meus pés à noite. Sou friorenta. E, com friozinho, meias protetoras são ótimas. Mas, há só um problema. Sou estabanada demais para usar meias. Não são raros os tombos que tomei à noite, indo quase-dormindo-acordada ao banheiro. É muita informação e pouco jeito para esse pobre cérebro. Meias, chinelos, roupa balão, banheiro, sono. Resultado: queda. E foi então que, há alguns anos, surgiram as meias com dedinhos. E, no quesito, ridículo – ow god – elas são as melhores. Só que havia outro problema: não conseguia olhar para os meus pés! Por que caia numa crise de risos frenéticos. Sozinha. Era só olhar para aqueles dedinhos ridículos, coloridos, e última moda “pé de pato”, que eu me acabava de rir. Então, quando usava as meias de dedinhos procurava não olhar para baixo porque senão era crise certa de riso. Mas, elas são seguras e nunca mais caí.

Então, adotei o modelito pato donald.

Mas, foi como eu falei há pouco: a gente se acostuma com o ridículo. E um dia eu parei de sorrir para as meias de dedinhos. Até nem me lembrava mais que tinha crises de risos com elas. Mas, aí, hoje, saindo do banho cansada, ou melhor, muitoooooooo cansada, peguei as tais donzelas coloridas. E, quando me estiquei na cama, com meu livro, olhei para os pés de pato ali, estatelados no lençol branco. E sorri novamente, sozinha. Ri tanto que até me esqueci da canseira e corri aqui para contar-lhes esse segredo:

 

QUER SER FELIZ?

Tenha meias de dedinhos! Todo mundo precisa ter meias de dedinhos.

Quentinhas, carinhosas, alegres, coloridas, seguras, e que te fazem sorrir loucamente.

São boas demais essas danadas…

Claro, tudo isso se você estiver sozinho. Porque nenhuma meia de dedinhos substitui “o calor e o riso” de uma boa companhia. É outra boa forma de ser feliz.

:)

Boa noite. Eu e minhas meias vamos para cama agora. Bom dia.

 

 

Por que combina com minhas meias de dedinhos…

Telegrama – Zeca Baleiro

 

 

“me dê a mão… vamos sair para ver o sol….”

 

Mrs. Dalloway saiu para comprar flores

Publicado em Bati a cabeça e postei por Srta. Ka em 04/05/2009

E, na sexta-feira, acordei um pouco angustiada. Sonhei que tinha matado uma pessoa. Não me pergunte quem era e como foi o ocorrido porque disso meu sonho não tratou de explicar. Mas, sei que estava num campo aberto, rodeado de árvores e o chão tinha cheiro de terra, vermelha, molhada. Parecia que a morte do defunto era justificada e não me apetecia nenhum sentimento de arrependimento. O momento crucial do sonho (ou, aquele que realmente me lembro), era como ia me desfazer do tal embrulho. Sim, pelo que tenho na memória, o sujeito morto estava embrulhado num tapete persa vinho, igualzinho ao que tenho aqui na minha sala. Porém, maior. E, avaliando a decisão de que eu não conseguiria carregar aquilo de forma alguma, como alguém que carrega um saco de pãezinhos nos braços, decidi “rolar” o embrulho morro abaixo, que dava num rio. Meu cálculo dizia que a correnteza carregaria aquilo para bem longe, e o “morto matado” nunca seria descoberto. Mas, nunca fui boa de matemática. E, o impulso foi forte demais e o jogou para a margem onde todos puderam conhecer seu triste fim. Nesse ponto do sonho só pensava, “que burrada”,  ”que burrada”, você deveria ter cuidado disso melhor. Agora, todos irão descobrir! E, surgiu assim um aperto no peito, não de arrependimento da morte do morto, mas, de medo de ser descoberta. Se fui? Não sei. Acordei antes.

No sonho, uma coisa que ficou em mente enquanto via o ”embrulho” boiando nas águas do rio era “ah droga… deveria ter colocado umas pedras, como fez Virgínia, para afundar. Estúpida”. Já desperta e ainda com a sensação de ter “embrulhado alguém com meu persa”, resolvi sair pra comprar flores. Adoro flores. Era uma chance de ocupar a mente com outras coisas “além morto”. E ai, aconteceu algo estranho. Um homem, jovem mas esquisito, disse assim: “eu adoro os seus ombros”. Eu disse: “Como?”. Ele respondeu: “Seus ombros (e apontava para eles com o indicador em riste) são ótimos… é, são… ótimos. Adoro, adoro seus ombros”. Com as flores nos braços, passei o caminho todo de volta olhando para os meus – até então – insignificantes ombros. Se foi uma cantada, foi a melhor que recebi até hoje. Se foi uma alucinação (dele), igualmente. Gostei muito. Se a alucinação foi minha, talvez devesse me preocupar (?).

 

O fato é que agora adoro os meus ombros.

Mesmo que tenha praticamente ignorado a existência deles em 30 anos.imagem-122

 

E, sexta-feira, é o dia da mesada do “meu mendigo”. Já o perdoei depois daquela cena  “mulherzinha cretina”. Toda semana ele fica no mesmo local, em frente ao supermercado do bairro. E, quando me aproximo ele já se levanta com um sorriso no rosto, pega o dinheiro, me agradece e some da minha vista. Sempre penso que ele acha que vou me arrepender de lhe dar os seus 10 – 15 reais. Bobagem. Mas, essa semana ele não se levantou. Mesmo quando parei a sua frente. De qualquer forma, coloquei o dinheiro em sua mão, e repeti o que digo toda semana: “Pode beber, mas, não se esqueça de comer hein…”. Ele sempre concorda, mas, xispa de perto rapidamente. Dessa vez, ficou ali paradinho, não sorriu, pegou minha mão e beijou. A mão dele estava tão suja, mas, tão suja que fiquei com nojo. Mas, passou depois de lavá-la. O que não passou foi o diferente olhar que lançou enquanto beijava minha mão. Era um olhar de estranheza, de “agora sei quem voce é”. Pois foi neste momento que me lembrei novamente do defunto de outrora. Será que o mendigo sabia que eu havia matado alguém horas antes? A verdade é que essa semana ele não me reconheceu. Ainda estou tentando decifrar qual de nós dois alucinou.

Foi uma sexta-feira estranha. De olhares diferentes – dos outros e meus – em minha direção. Olhares de desconhecidos íntimos, de íntimos que te desconhecem e aqueles de si, de quem nunca se entendeu.

Mas, o importante mesmo é que Mrs. Dalloway saiu para comprar flores. :)

 

beijos, boa semana!

 

 

Por que nem sempre a gente precisa saber dos “por quês” das coisas

Echo & The Bunnymen – Bring On The Dancing Horses

 

 

Abstrata-minimamente-miserável

Publicado em eu, eu mesma e irene por Srta. Ka em 01/05/2009

Hoje, não quero ler grandes romances. Fico com o poeta da condição humana, essa mão repleta do nada.

Não escutarei as imensas e controversas óperas wagnerianas. Fecho os olhos para ouvir a composição descomplicada, minimalista, frágil e do quase improviso solitário.

Nem mesmo desejo ver as coisas da razão, da ciência, da realidade explicada tim-tim por tim-tim. Só enxergo o fascínio abstrato das cores, capacidade inerente das grandes e pequenas crianças. Para todo o resto, vejo nada.

Sequer defenderei teses acerca do simbólico dia. Só quero o descanso quase (desas)sossegado do trabalho.

Hoje, só uma música, um soneto e uma imagem.

Assim, abstrata-minimamente-miserável.

E, basta.

.  

Soneto aos Sapatos Quietos

Carlos Nejar

Os pés dos sapatos juntos.
Hei-de calçá-los, soltos
e imensos, e talvez rotos,
como dois velhos marujos.

Nunca terão o desgosto
que tive. Jamais o sujo
desconsolo: estando postos,
como eu, em chãos defuntos.

Em vãos de flor, sem o riacho
de um pé a outro, entre guizos.
Não há demência ou fome.

Sapatos nos pés não comem.
Só dormem. Porém, descalço
pela alma, o paraíso.

  

  

Por que, de repente, de notas suaves e delicadas, a vida deixa de ser nada.

Erik Satie – Gymnopédies 1