É…

Publicado em Bad day por Srta. Ka em 30/03/2009

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Parece que eu estou sempre “morrendo” pela boca mesmo… Outro dia foi a questão Jesus-danoninho, depois o catchup do papo sobre a não-saudade… quando penso que não, tem ainda a “comilança” na mesa do jantar. E hoje? Bom, hoje é só dor de garganta…

 

afe.

:roll:

 

como estou “ardida” (porém, não amarga, please!), alguém tem algo docinho pra me contar?

 

 

Lydia – I Woke Up Near The Sea

 

It turns out you were into yourself
It turns out you could find your way out

And no one ever knew…

Rapidinha

Publicado em Amenidades Cotidianas por Srta. Ka em 26/03/2009

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Como uma boa residente solitária, que adora fazer suas refeições no sofá, finalmente descubro - depois de anos  morando sozinha - a real finalidade da mesa de jantar. Lerdinha, não? :) Só posso garantir que a “comilança” na mesa é boa demais!

E, trabalhar na mesma área que o namorado, às vezes, nos traz situações inusitadas. Hoje, numa reunião, eu, ele e uma outra “senhoura”, percebo a animação da moça pelos “produtos” que ele estava apresentando. Terminada a reunião ele diz:

 

- acho que ela gostou do projeto, não? o que você acha? é economicamente viável?

Respondo:

- Sobre a viabilidade econômica do projeto eu não sei nada… mas, que ela gostou do seu Produto Interno Bruto.. ah… sem dúvida, ela gostou! :)

 

Péssima… eu sei! :( mas, é que hoje estou correndo mais por conta do trabalho que a Dona da Daslu da polícia, depois de descobrir que foi condenada a 94 anos de prisão. É… tá pensando que a vida é facil? :)

 Né, não… meu filho! rapadura é boa, mas, é dura que só!

 

beijos, beijos, beijos!

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Diálogo sobre a (não) saudade

Publicado em Amenidades Cotidianas por Srta. Ka em 24/03/2009

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  O que você está olhando?

Nada. Só pensando que você é uma daquelas cadeiras reservadas a “personalidades”, que ficam vazias nos eventos

Como assim? Cadeira? Vazia?

Sim, daquelas que ficam ali, sozinhas, ocupadas apenas por um pedaço de papel com o nome da pessoa, enquanto, alguns anseiam ocupar aquele lugar.

E isso é bom ou ruim?

Na verdade, tanto faz. Apesar do “nada” deixado pela cadeira vazia, já me acostumei à ela sozinha.

E porque você acha que sou uma cadeira vazia, com papel solitário em cima?

Você também me acostumou à ausência. Me sinto à vontade com a sua ausência.

Eu? Imagina! Não fiz isso! 

Fez. Você não permite que as pessoas sintam saudades suas.

.

.

.

É, talvez, eu prefira mesmo essa não-saudade… Esse modus operandi de ser cadeira-vazia.

Eu sei, mas, não consigo entender o por quê!

A saudade dos outros por nós implica em existir mais. Nos tornamos reais demais.

E você não gosta de existir, de ser real na vida das outras pessoas?

Não. Gosto de ser vento. Daqueles que batem no rosto de vez em quando, deixam uma boa sensação, e seguem. Entende?

Não. Pra falar a verdade, nem quero mais entender. Não agora. Esse papo está muito complicado para o horário do almoço. Quer catchup?

Não, obrigado. Não posso comer nada rosa, vermelho, e afins. Me lembra o “danoninho de Jesus”. Mas, você quem começou esse papo furado de “você é uma cadeira”… Que prosa esquisita…

É. Eu hein. A culpa é do catchup.

É. Deve ser mesmo o catchup.

 

 

Por que apesar de estar tentando bravamente ser “o mais normal” possível, tem sempre alguém que te faz o favor de lembrar que você pode ser uma cadeira. E apesar dos catchups e assuntos sem sentido durante o almoço, o episódio me fez lembrar da composição de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que amo tanto.  

 

  Chega de Saudade – João Gilberto


 
 
Mas se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca
 
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Eu vi Jesus

Publicado em comidinhas, morar sozinha por Srta. Ka em 22/03/2009

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Já que estou na semana das coisas vexatórias, vamos a mais um episódio da série: “senta que lá vem história”. Não contei pra vocês, mas, tem uns dias que vi Jesus. Verdade. Tudo começou depois que fiz a compra da semana no supermercado (estou me empenhando nesse negócio de virar dona de casa). E, após um pequenino descontrole alimentar (três chocolates, um pacote de Trakinas Mais Mais e um danoninho), o Todo Poderoso apareceu pra mim. Na realidade teve um intervalo entre a indigestão e a visão: as 14 vezes que vomitei.

Aviso aos navegantes: se você tem o estômago fraco ou é fresco nada de continuar a leitura. Xispa daqui! Já!

Eu não sou uma pessoa que vomita fácil. Isso já me causou vários problemas especialmente porque sofro 2 dias com qualquer ressaca chinfrim. Tenho um certo pavor de ver coisas que engulo voltando pela minha boca (ok, ok, nem todas as coisas). Antes deste fatídico dia, não tenho lembranças de quando foi a última vez que vomitei espontaneamente na vida. Portanto, confesso que achei o máximo a primeira “seção”. Foi facinho, facinho. Além da sensação de bem-estar seguinte. O problema é que meu subconsciente achou bom demais, e repetiu o episódio… 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14 vezes! É, foram 14. Eu contei.

Só percebi a mensagem divina lá pela oitava, quando me arrastando do sofá até o banheiro, já meio desidratada, comecei a enxergar uma luz difusa. Na vez seguinte, as pernas já cambaleavam… e a luminosidade aumentou. Na décima! uau… quase uma experiência divina… tudo já estava escuro… e só via uma luz forte que eu seguia pra chegar até o banheiro. Décima primeira, segunda, terceira… já ouvia sinos… Na décima quarta estava pronta. Entrei naquele túnel das pessoas que vivenciam a experiência de quase-morte e, juro que vi um sujeito me encarando e dizendo… “venha para luz minha filha, venha, venha, venha”. Eu que já estava entregue, nem pensei duas vezes.

Mas, ai… o maldito pensamento insistente apareceu!!!!! :(

 

Pensamento Insistente do episódio: “cai fora Jesus fia-da-puta, não vou pra luz coisa nenhuma. Morrer de porre vai lá…até aceito! mas, por causa de um danoninho é humilhação demais!”. (Sim, disseram que foi o danoninho!)

 

E Jesus se foi.

Só que tive que encarar o demônio em terra… (leia: minha mãe, que ficou sabendo do episódio..rs.. e por pouco não tive outra experiência de quase-morte. Dessa vez, por esganadura). Ela me perdoou porque disse que em termos gastronômicos sou praticamente uma “criança grande”. Que absurdo! Criança grande? Eu?

Respondi com toda minha indignação, que tenho 3o anos e já moro sozinha a muitos e outros tantos! Criança grande… tá bom viu… Mas, pra ela largar do meu pé prometi comprar “coisas decentes de se comer”. E disse (pra provar) que “enviaria” a lista por email do que tinha comprado na minha visita ao supermercado. A visita em questão foi hoje. Como ando uma preguiçosa resolvi fotografar. :)

É. A foto é essa mesma que abre o texto… Não teve danoninho! Mas, a lista… hummm… não diria que é um exemplo de equilíbrio nutricional. Pão… leite… queijo… (ok, até ai estou indo bem!)… danone, flan, Danette, diamante negro, ouro branco – minhas riquezas! :) – bolinho pulmann de chocolate, bolinho pulmann de tortinha de limão…etc, etc, etc. Por algum lapso, esqueci de passar na seção de frutas, legumes, arroz, feijão, carne, etc…

Desisti de mandar a lista pra ela, né? rs… Senão vou ter que encarar outra seção do “exorcista”… porque vai ser díficil dessa vez mandar o chifrudo que adora possuir minha mãe embora… :)

Amanhã volto ao supermercado!

 

beijos! bom domingo!

 

 

Por que desculpas eu só devo mesmo para meu estômago… but, sou totalmente viciada nessa música… e, portanto, ouçam! :) e, de preferência, com fones de ouvido… que dá para escutar todos os detalhes melhor!

 

So Sorry – Feist

 

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O lado esquerdo da cama

Publicado em Bati a cabeça e postei por Srta. Ka em 21/03/2009

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Acordar com inúmeros homens inteligentes tem me mostrado o quão estúpida ainda sou. Pena que grande parte esteja encapsulada em páginas. Sem contar que a maioria já morreu. Então, não sei não. Olhar para o lado esquerdo da cama e me lembrar do que esses sujeitos falaram, defenderam, não me dá ânimo para dizer ou escrever qualquer coisa. É duro abrir os olhos cada vez mais pateta que o dia anterior. A ignorância pode ser um grande guarda-chuva. Tenho a ligeira impressão que estou ficando mais boba… Sintoma frequente esse. Acho que está na hora de passar na banca de revistas e substituir os ocupantes que residem em meu travesseiro esquerdo. Quem sabe assim não acordo com a sensação de estar mais espertinha?  

E, escrevendo esse post sem-nenhuma-utilidade-pública, às 4h40 da madrugada de sábado, e sem coragem de encarar os “hómis” lá do travesseiro, me lembrei que quando criança adorava dormir sem roupa. E, um dia, assistindo a maldita televisão vi um filme de uma ingênua garota que foi abduzida por um extraterrestre que “adentrou”, sem pedir licença, no meio de suas pernas. Nunca mais dormi sem calcinha.  Expliquei o causo pra mamãe e ela me proibiu de ver televisão. Disse que era pra eu ler antes de dormir, pra ficar mais esperta.  Foi assim que esses homens de pensamentos enlatados em formato de folha passaram a dividir a cama comigo. Ow god.

 

Será que, não fosse o maldito ”ET entrão”, hoje acordaria com a sensação de ser mais inteligente – sem tais dilemas tupiniquins -, e, claro, mais vezes sem calcinha?

 

É… eu sei. Nem Freud explica. :)

 Aposto que você também tem um “trauma” de infância… Conta logo, vai!

beijos! beijos! beijos!

 

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Por que aqui, como vocês puderam notar, no “Priorado da Srta. K.” tudo continua igualzinho como sempre foi, com esses dilemas ultra-importantes.

 

Ida Maria – Queen of the world

 

 

Whiskey por favor, eu preciso de whiskey, por favor
Por isso, me traga consciência e mate minha inocência
Por favor, olhe pra mim
Me guie nessa dança
Não me dê chance pra reconsiderar

Sou a rainha do mundo
Vou na direção das coisas
Rodopio em círculos por aí
E canto
Por que não posso continuar assim?


Homens e o fundo do poço

Publicado em Amenidades Cotidianas por Srta. Ka em 16/03/2009

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E quando em minha santa ingenuidade imaginava já ter atingido, no passado, o “fundo do poço” em termos de homens, eis que surge uma investida este fim de semana de um “excelentíssimo” deputado federal, daqueles famosos e galanteadores. Depois dessa, acho díficil me superar. Só de lembrar as donas “Rosanes” da vida, chego a arrepiar. But, é como dizia um amigo meu (gay, é claro):

“baby, nada é tão ruim que não possa piorar”.

 

yeap, baby… você tinha razão… :)

Sim, tenho “certo” preconceito aos homens pertecentes à classe política.

 

 

Por que de fundo de poço essa aí entende bem!!!

 

Amy Winehouse Me & Mr. Jones

 

 

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Menina Garbosa

Publicado em Amenidades Cotidianas por Srta. Ka em 13/03/2009

E hoje cedinho fui tomar café da manhã com o namorado e, na volta, uma senhora que mora em meu prédio esperava o elevador. Sabe do tipo avó? Cabelo branco bem penteado para o lado e, preso com grampos, vestido tipo camisola, na cor azul floral à la estampa de sofá ou cortina, uma corrente de ouro velho com um crucifixo pendurado, pó de arroz e bochechas rosadas, meias brancas e sapatos pretos tipo mocassim. Bem vestida, é verdade, apesar de não ser o “meu estilo”.

Quando o elevador chegou, abri a porta e fiquei esperando para que ela entrasse primeiro. Ajudei com as sacolas do supermercado, apertei meu andar e perguntei qual era o andar dela também. Ela deu um sorriso, do tipo que agradece e diz:

- Você é uma menina muito garbosa. Obrigado.

Garbosa? Ai minha-nossa-senhora-das-moças-esquecidas-das-palavras-antigas. Não me lembrava se algo garboso era “pretensioso”, “metido”, “bonito” ou “orgulhoso”… Depois de cinco segundos de “branco” retribui o sorriso do tipo que agradece. Na verdade, não arrisquei um obrigado porque não sabia se aquilo era um elogio ou uma ironia. Uma vez um velhinho ficou bravo comigo porque deixei que passasse primeiro na fila do caixa. Ele disse algo como: “as pernas são fracas, mas, ainda consigo me manter em pé para aguardar a vez”.

Já em casa corri para o dicionário… garbosa, garboso, garbo… Achei!

 

garbo
Datação
1524-1585 cf. JFVascUlis

Acepções
substantivo masculino
1    elegância de modos, de gestos; donaire, galhardia
2    porte imponente, marcial
3    qualidade de primoroso; distinção, perfeição

 

Depois do alívio fiquei com um sorriso do tipo bobo no rosto que não sumia de jeito nenhum. Achei bonitinho. Já perceberam que existem palavras que prolongam as coisas? Palavras que prolongam sorrisos, palavras que prolongam o amor, palavras que prolongam a coragem, palavras que prolongam a saudade, ou a tristeza, ou a raiva, ou a vontade. Enfim, existem palavras que prolongam sentimentos.  

 Minha palavra que prolonga a felicidade boba de hoje é “garbosa”… E a sua? Qual sua palavra-viagra do dia?

Nada de pensar safadezas com as minhas idéias de prolonganças, hein! :)

 

Pensamento Insistente do dia: ulalá eu sou uma menina garbosa! menina garbosa… menina garbosa…

  

 

Por que fala das maneiras de dizer as coisas e das palavras… Além, é claro, a música e principalmente o clipe são do tipo que meninas garbosas gostam! E eu, menina garbosa que sou, adoro! Sim, agora ninguém me aguenta com esse “garbosa!” Seguraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa a bruxa senão ela voa de tanta felicidade pela palavrinha antiga, mas, cheia de significados…

 

 Nouvelle Vague – In a Manner of Speaking

 

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Do desejo

Publicado em Pequenas Maluquices por Srta. Ka em 10/03/2009

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 Quem és? Perguntei ao desejo.
                Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada.

 

I
Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo. E que descanso me dás
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada.

 

II
Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras.
Que desenhos e rictus na tua cara
Como os frisos veementes dos tapetes antigos.
Que sombrio te tornas se repito
O sinuoso caminho que persigo: um desejo
Sem dono, um adorar-te vívido mas livre.
E que escura me faço se abocanhas de mim
Palavras e resíduos. Me vêm fomes
Agonias de grandes espessuras, embaçadas luas
Facas, tempestade. Ver-te. Tocar-te.
Cordura.
Crueldade.

 

III
Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.

 

IV
Se eu disser que vi um pássaro
Sobre o teu sexo, deverias crer?
E se não for verdade, em nada mudará o Universo.
Se eu disser que o desejo é Eternidade
Porque o instante arde interminável
Deverias crer? E se não for verdade
Tantos o disseram que talvez possa ser.
No desejo nos vêm sofomanias, adornos
Impudência, pejo. E agora digo que há um pássaro
Voando sobre o Tejo. Por que não posso
Pontilhar de inocência e poesia
Ossos, sangue, carne, o agora
E tudo isso em nós que se fará disforme?

 

Do Desejo, Hilda Hilst (leia inteiro aqui)

 

 Acordei hoje com desejos muito certos, direcionados. Não para o sexo. Mas, para a música e a poesia. Acordei  pensando exatamente num trecho deste texto de Hilda Hilst, que fala justamente do desejo. Passei o dia pensando nele: o desejo. Ia colocar aqui só a parte que pousou em meus pensamentos pela manhã, mas, como gosto tanto, mas, tanto não consegui… É, o desejo… O que fazer? Mas, a parte que acordou comigo:  Se eu disser que o desejo é Eternidade / Porque o instante arde interminável / Deverias crer? E se não for verdade / Tantos o disseram que talvez possa ser… Não é lindo isso? Se não for verdade… tantos o disseram que talvez possa ser. É assim o desejo, de todos nós. Têm desejos do qual não escapamos nunca durante a vida: para mim, Hilda Hilst e Smashing Pumpkins são destes tipos desejados. Até acho que escapo, mas… aí, numa manhã qualquer, vem um pássaro e pousa – como disse Hilda - no meu sexo. Enfim, vai entender…




Por que Billy disse que o amor vem em cores que não podemos negar :)

Smashing Pumpkins – Crush

 

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Da conversa com o cabelo

Publicado em Das coisas da belezura, feminismo por Srta. Ka em 09/03/2009

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“Cabelo, hei, cabelo… me responde! O que você tem, meu filho? Por que anda tão rebelde? De mal com a vida? O que foi que eu te fiz? Seja lá o que for, me diga!”

 

Pois é. Não são os “Monólogos da Vagina”, mas, estou quase chegando lá. Sabe, eu tenho um cabelo bom. Não mereço os fios que tenho porque meu único esforço é comprar o shampoo e o condicionador. Minha mãe deveria receber uma medalha de honra ao mérito pela dedicação que teve comigo na infância. Lembro bem das sessões “passa abacate com azeite no cabelo para dar brilho”. Sei, eca! Era um horror, mas, a coisa depois evoluiu para a babosa… que melava mais ainda. Só que essas sessões de “puxa-estica” me deram um longo cabelo escuro, liso e brilhante – que foi cortado há cerca de dois anos. Mais curto dá menos trabalho. Sem contar que é mais prudente, já que evito parecer com a nova versão da mulher das cavernas quando esqueço de penteá-lo quando saio atrasada. Sim, eu esqueço às vezes. Enfim, de um modo geral, gostei dele curto – na altura do ombro. 

Só que no último mês, o danado andou com um espírito hard-punk-rock. Sei lá. Revoltado, esquisito, sem brilho, desalinhado. Fiz de um tudo para amenizar a situação, e o desespero (de me imaginar tendo que ir muitas vezes ao salão porque minha cabeleira resolveu virar adolescente rebelde) foi tanto que em 15 dias o cortei três vezes. Fracasso total. Primeiro (para dar vida ao cabelo lambido), o sujeito que o cortou disse que tínhamos que dar uma super-fashion-repicada. O resultado foi que fiquei parecendo o bozzo. O segundo foi para dar uma “aliviada” em todo o fashion porque o sujeito disse que minha “personalidade” não sustenta o modernismo do corte… Saio parecendo o bozzo e ainda sou a antiquada. Bom, na terceira vez, resolvemos que não funcionou mesmo. Nem o bozzo completo, nem o meio bozzo. Então, tiramos o repicado e me transformei numa “Mafalda”, do Quino, atualizada.

Apesar de mais alinhadinho, a coisa não melhorou muito porque o coitado estava depressivo, apático, sem vida e brilho. Como bati o meu recorde de “investimento na belezura” dos últimos anos, com a minha ida ao salão três vezes num mesmo mês, entendi que não havia nada mais a fazer. Era fato: agora eu tinha um cabelo mais ou menos. Seria efeito dos 30 anos?  Todos os dias era a mesma situação… acordava pela manhã, olhava para o dito cujo e tentava animá-lo: “hei, cabelo, ânimo! Reaja cabelo, reaja!”. E, nada. Caso perdido.

Sábado fui para o banho e percebi que nem o condicionador me lembrei de comprar. Fiquei numa encruzilhada: deixá-lo sujo ou encarar a possibilidade dele ficar ainda mais revoltado. Cabelo fino embaraça e não tenho muito talento para desfazer essa confusão sem o exército da salvação. Avaliando as duas opções, como sou uma pessoa limpinha, resolvi correr o risco de virar a leoa da vez. E daí? É moderno… (eles dizem… juro que dizem!).  E… encarei a vida sem o condicionador! Adivinhem? O cabelo reagiu! Finalmente ele saiu daquela cor e aspecto de defunto morto há quatro dias, e, passou a ser bonitinho e alinhadinho novamente, como sempre foi!

Mas, que raios ocorreu? Olhei no espelho e falei pro sujeito: “cabelo, você é muito esquisito! que sucedeu, meu filho? Depois de tantas sessões de exorcismo sem resultado, dessa vez eu nem fiz nada e você levantou da tumba? Sozinho? Explica, cabelo!”.

Bom, o causo foi que embora tenha tomado algumas medidas emergenciais para salvá-lo, não sai do prevísivel. Não levei em consideração que as coisas mudam. E, que se precisei do condicionador por 30 anos, não necessariamente precisarei nos próximos 30. Toda “sabedora de mim”, e do “coitado do cabelo”, não percebi que as necessidades dele mudaram. E que as grandes transformações externas não adiantam nada, se não prestamos atenção nas pequenas mudanças que sofremos.

Ontem foi o Dia Internacional da Mulher e ia postar alguma coisa sobre nossos avanços “quanto gênero” nas últimas décadas. Foram muitos, é verdade. Tantos que agora somos “iguais” aos homens. Tão iguais, em certos pontos, que estamos buscando uma nova “identidade”. Só que muitas vezes essa busca é com a visão apenas para as grandes “mudanças e conquistas externas” sem olhar para a transformação natural que existe na gente. De repente, não precisamos mais de “condicionador” e nem percebemos! Veja isso! Fica todo mundo pasteurizado, querendo o corte fashion da moda. E, no fim, se não nos adequamos a ele, somos antiquadas. Não  dignas do mundo moderno e desses “avanços” femininos.

Se tem algo que tenho que lembrar às minhas amigas que vêm aqui – e por que não aos homens também? –  é que as mulheres que fizeram as grandes transformações externas, e conquistaram muitas das coisas que usufruimos hoje, olharam primeiro para si. E buscaram entender quem eram e o que precisavam para serem o que desejavam. Tem que olhar para o próprio umbigo sim para entender as mudanças naturais que ocorrem conosco. Tem que manter a atenção, em primeiro lugar, para si. Depois para o mundo. Senão corre o risco de cometer o mesmo erro que eu, e gastar R$ 700,00, em 15 dias, para fazer cortes fashions que me deixaram com cara de bozzo, quando o único problema era condicionador demais. Cabelo sábio esse meu, viu…

Mesmo esse post sendo bem “mulherzinha”, mesmo eu não tendo nenhuma vontade de falar das grandes conquistas femininas porque na verdade só quero saber das minhas pequenas vitórias, mesmo eu tendo passado mais tempo no salão em um mês que o último ano inteiro, mesmo estando bem breguinha e passional (vide trilha sonora do dia), ainda assim, a mudança foi só no cabelo. Nesse ponto, ainda estou parecida (e não só nas madeixas) com a Mafaldinha.

mafalda

 mas, diga, ela não é ótima????? :)

Beijos, boa semana!

 

Por que hoje eu estou tão, mas, tão brega… cantarolando músicas em italiano, de forma completamente passional. E, daí? Deixa, vai! Isso passa. Eu sei que passa. E, também porque eu adoro uma frase dessa música que diz assim: “Mas o sexo é uma atitude, geralmente como a arte. E talvez eu tenha entendido e aqui estou”. E, você, já entendeu que o sexo é também uma atitude, assim como a arte?

 

Tiziano Ferro – Imbranato

 

Ma il sesso è un’attitudine
Come l’arte in genere
E forse l’ho capito e sono qui

 

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Alegria ao abrir a janela pela manhã…

Publicado em Amenidades Cotidianas por Srta. Ka em 07/03/2009

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Sabe o que essa foto tem de adorável?

Não? Olha direito, pô! Não está vendo essas nuvens cinzas, carregadas?

Finalmente! São Paulo como ela deve ser… NUBLADA!

E, o calor amenizou um pouco… mas, precisa de mais, muito mais…frio!

Definitivamente, não fui feita para viver como camelo.

E o humor, voltou…

:)

 

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Por que é ótimo cantar aos sábados, numa altura não agrádavel aos vizinhos, que desapontados pelo não-dia infernal de sol, ficam reclamando feito velhotas ressecadas. Alice in Chains neles!

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A Ponte dos Suspiros

Publicado em Da série: passa o lencinho pra eu chorar! por Srta. Ka em 06/03/2009

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Em janeiro li um conto de Jean-Paul Sartre, chamado o Muro, que conta a história de um republicano espanhol (Pablo Ibietta), que preso e torturado pelos fascistas de Franco aguarda, numa cela fria junto a outros, seu destino. Uma execução num muro cinzento, metralhado. Enquanto esperava sua vez, ao som da execução de outros companheiros, se enxergou dentro daquela situação limite, onde são colocadas à prova suas “virtudes” como lealdade (para com os outros amigos detidos) e coragem (de resistir ao pouco que lhe restava de vida), passando a  questionar sua própria existência.

Me lembrei de um de seus pensamentos: “Tinha toda a vida diante de mim, fechada como um saco, e entretanto tudo quanto estava lá dentro continuava inacabado”.

Vida fechada e inacabada. Que medo! Mas, por que me lembrei disso? Hoje (05/03), é o Dia Nacional da Música Clássica. E, não por acaso, a abertura de temporada da Osesp (Orquesta Sinfônica do Estado de São Paulo) com um “tom” todo especial: a estréia do novo regente principal, o francês (ah, esses franceses!) Yan Pascal Tortelier. Se não bastasse isso (e a saída do regente-antipático-John-chatão-Neschling), ainda tinha no repertório Elgar, que compôs minha música clássica preferida

Sabe a quanto tempo esse evento estava agendado? Um século, no mínimo. E, claro, esquecida como sou, não comprei o ingresso com a antecedência necessária. Fiquei “de fora”. (Pensamento Insistente do dia: anta, anta, anta!). Depois do “muro das lamentações”, na época da não-compra , esqueci o assunto. E, hoje, zapeando na TV, vejo que a Cultura transmitiu o concerto. Estava até o Fernando Henrique Cardoso! Ora, e eu perdi! Não pelo FHC, mas, por todo o conjunto anterior descrito acima (esse já tive oportunidade de ver… e gostar… se bem que gostava mais da mulher dele! Não no sentido sexual, é claro…).

Fiquei com a sensação, logo no início do “programa televisivo”, de ver a vida fechada num saco, toda inacabada. Era pra eu estar lá!!! hunf! E, não vendo pela televisão! Me lembrei também que na adolescência senti a mesma coisa quando desisti de ir ao show da Legião Urbana (sim, o último) por um motivo banal. Claro, depois disso, Renato Russo “empacotou” e eu quase empacotei junto de arrependimento. E, com essa lembrança surgiu mais um montão delas, feito gremlins endiabrados, com suas risadas sinistras e diabólicas, que se multiplicavam com a água. Pensamentos-gremlins! Ninguém merece…

Bom, vendo o concerto pela televisão (triste sorte a minha!), acompanhada do meu “cemitério-vivo-de-pensamentos-gremlins”, dei um longoooooooooooooooooooooooooooo suspiro. Tão longo que me fez lembrar da “Ponte dos Suspiros”. Sim, existe uma ponte do suspiro… e, não é aquele doce branco não! Hummmm, vontade agora de comer suspiros! :) A ponte dos suspiros,  fica em Veneza, e é conhecida por levar seus visitantes à Prigioni Nove, o primeiro edifício no mundo construído para ser uma prisão.

“A ponte servia de passagem dos prisioneiros à Inquisição do Estado para julgamento. Esse nome foi atribuído a essa ponte porque conta a lenda que os prisioneiros que a atravessavam suspiravam diante do mundo externo pela última vez. Essa lenda não possuia muito fundamento, porque a vista a partir da ponte é quase nenhuma – seria uma lenda mais simbólica”. (Texto retirado daqui ó).

Pois é. Hoje, a televisão foi “minha ponte dos suspiros”. E, a estréia do regente-francês-simpático na Osesp, minha “última visão do mundo externo”. Afinal, estréia é estréia. E, não terá emoção maior nas próximas apresentações. Deixar de fazer as coisas na vida, claro, dá arrependimento. E, deixamos por vários motivos: falta de coragem, timidez, impossibilidade, etc. A questão, nesse caso, foi mero descuido. Ou seja, vi a vida hoje embrulhada num pacote, toda inacabada, assim como o Pablo Ibietta de Sartre, por puro descuido. Descuido com a minha própria vida.

E, cá estou, quase duas da manhã já do dia 6, pensando que mais do que coragem, vontade e possibilidade é preciso também ter RESPONSABILIDADE (afe, até rimou…). Responsabilidade para organizar as coisas que são prioritárias no nosso “pequeno-mundo” encantado. E, não ir deixando – por desorganização – nossa vida navegar à deriva. O risco, como vimos, é dar de cara com a ponte dos suspiros.

 

E essa ponte só quero mesmo é ver em Veneza, ao vivo, em minha próxima viagem. Não diante da televisão.

E, você? Já teve uma “ponte dos suspiros” diante de seu nariz? :)

 

beijos, beijos, beijos e ótima sexta-feira! Obrigado pelos comentários anteriores e por não abandonarem essa blogueira em seu retorno. Vocês são muito caridosos.. e vão todos para o céu…

 

notas_musicais

 

Por que apesar do dia ser de Yan Pascal Tortelier, eu gosto mais (ainda) de outro “Tortelier”. Paul – o pai do regente da Osesp, que tocava divinamente o meu instrumento musical preferido, o Cello. Como sempre “brinco”: dê uma chance à música clássica… e, ao Cello do francês… pleaseeeeeee… :) Senhoras e Senhores, com vocês, o Cello que chora de Paul Tortelier. Okayyyyyyyyyy, não é bem uma composição animada para uma sexta-feira, mas, diante dos meus “muros” e “ponte dos suspiros”, é a trilha sonora perfeita… Não reclama não! :)

 

Paul Tortelier

 

Pari, a mesma

Publicado em blog por Srta. Ka em 04/03/2009

velha

Tentei nos últimos dias fazer um make-up geral. Depois desse breve – mas, importantíssimo – período longe, que me permitiu acima de tudo avaliar minhas relações na web e fora dela, e a importância que cada uma tem em minha vidinha inexpressiva, sobrou tempo para pensar. Já perceberam que a gente não tem mais tempo (ou seria mais apropriado dizer: vontade) para pensar? Está tudo no automático! E isso, cá entre nós, gera uma grande montanha de excremento (Leia: merda. Entenda: Minha terrível auto-censura com palavrões… ).

E nessa avalanche de pensamentos (pensar demais também causa impactos, por vezes, irreversíveis), me lembrei de um primo que dizia que eu sofria de fratura exposta de alma. What? Como não me lembrava direito da tese, nada melhor do que perguntar para o seu autor. A explicação dada foi essa:

 

“Uma vez disse que você era visceral. Me enganei. Você não só mostra os intestinos, como a própria alma, o coração. E, alma é aquele negócio que tem que ficar escondidinho em nossas profundezas. Para que uma, duas pessoas possam tocar (e nos curar) um dia. Mas, você deixa à vista de todos. Como não acho que é uma escolha, ou seja, que você tenha controle sobre isso – e, portanto, uma falha – penso que existe essa fratura exposta de alma. Por mais que se cuide, não tem jeito, está exposta. E, diferente daquelas almas escondidas, ‘tratadas’ uma ou duas vezes na vida, você não tem cura porque embora vísivel a todos, não deixa ninguém tocá-la, e, dessa forma nunca será tratada”.

 

É provável que seja esse o “mal” que sofri aqui. Tinha fratura de sobra e “médicos e médicas” também. E, como a coisa é encarada como “falha”, como disse meu primo, é natural o desconforto gerado nas pessoas, independente se no meio real ou virtual. Com isso, adivinha quem quis virar “a enfermeira”? Pois é. Tratei correndo de esconder minha “alma exposta” para não assustar. Mas, ficar sem escrever para não deixar outros doentes é como vender “a alma ao diabo”. Ou, adicionar um vácuo, um infinito de nada, nessa “alma ferrada” que mora em mim. E, ademais, eu odeio médicos e tratamentos e enfermeiras…

Assim como diz a tese do meu primo, fraturas de alma não têm cura. No máximo, um tratamento paliativo. Já que a fratura é um fato irremediável, que as feridas sejam expostas de uma maneira melhor. É bom fazer um curativo cá, outro lá. E, foi o que fiz. Quando a “ferida” ficar feia demais outra vez, exposta em demasia, tratarei de limpá-la novamente. Por ora, só me restou a tentativa de deixar a “coisa” mais bonita. Fazer um make-up geral. Parir “outra” mais nova.

Mas, o parto – meus amigos – não foi nem um pouco “natural”. Foi feito à forceps. E, ora ora, sabem o que descobri? Pari, a mesma “velha” de sempre. Igualzinha a anterior. Está certo, bem que tentei dar uma “repaginada”. Passei um batonzinho aqui, um blush ali, mas, a verdade é que continuo a mesma. Só tentando deixar as “feridas” mais discretas. Por isso, uma volta – talvez – mais “econômica”. E, por que a volta? Primeiro porque sou uma exibida. Não precisa dizer, tenho plena consciência do “ser” exibido que sou! E, também, me lembrei de uma frase do escritor Cees Nooteboom que diz assim: “somos quem somos onde somos o que somos”. É isso, de certa forma, ainda que a distância e com certa reserva, aqui “sou quem e como sou onde sou”. Como mudar? E quem é que consegue mudar personalidade?

Fui parida com o mesmo “defeito de fabricação” anterior: com fratura exposta de alma. A mesma de antes. E, velha – assim como o “Benjamin Button”, do conto de F. Scott Fitzgerald. :)

 

 

 Por que uma vez parida novamente “a velha” continuo gostando de Beatles e Fitzgerald

Beatles – In my life

(com cenas do filme “O curioso caso de Benjamin Button

 

Parindo

Publicado em blog por Srta. Ka em 02/03/2009

ser_raiz