Vamos falar de amor?
Maio 3, 2008 de K. - incompletudes.wordpress.com
Enrolei, enrolei e enrolei, mas agora vai. Parei o trabalho (sim, estou trabalhando neste sábado gelado de São Paulo), só para iniciar esse assunto. O fato, primeiro, é que o livro “Ensaios de Amor”, de Alain de Botton, um dos escritores que comecei a ler em 2008, com o livro “O Movimento Romântico”, me surpreendeu. Pela história? Não, ela é bem “simples”, comum até. Pela narrativa? Não, está longe de ter grandes diálogos. Se tivesse que defini-los em uma palavra (o livro e o autor), eu diria audácia.
Audácia por que o escritor explica de forma límpida todo o processo que envolve o amor, do começo ao fim. Ah, não dá para explicar o amor???? Você que pensa. Dá sim. E é quase uma explicação matemática… equação, aliás, bem parecida com que ocorre em todos nós. O fato dele falar tão claramente as coisas que “desconfiamos” a respeito desse sentimento (embora não acreditamos nelas por livre e espontânea vontade), e ainda sim não tirar a magia que envolve esse “sentir” é que me deixou positivamente surpresa. E perplexa.
Seria ótimo acreditar em “almas gêmeas”, “amores eternos” e “príncipes encantados”. Mas, não é assim. O amor também tem um ciclo. E passa por etapas bem parecidas, por mais diferente que seja a “nossa história de amor”. Acho, honestamente, que é uma ótima leitura para todo mundo. Dos que acreditam em contos de fadas aos que não acreditam em nada. Alain de Botton mostra, com sutileza, numa leitura descontraída, com humor e um pouco de ironia, todos os aspectos de uma história de amor. Vai do fatalismo romântico, passa pela idealização, sedução, autenticidade, intimidade, terrorismo romântico, psicofatalismo às verdadeiras “lições de amor”.
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Alain de Botton, (nascido em 1969 em Zurique, Suíça) é um escritor e produtor residente em Londres, famoso por popularizar a filosofia e divulgar seu uso na vida cotidiana. O escritor é uma celebridade. Não apenas no circuito intelectual, mas como um fenômeno popular. Simplesmente porque Alain de Botton, em seus livros, costuma sempre apresentar respostas para quase todos os problemas que afligem os corações humanos, como amor e falta de dinheiro. Alain ficou famoso ao trazer a reflexão de filósofos, artistas e pensadores antigos para os problemas cotidianos.
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Todo o livro é muito interessante para se discutir. Nesse post, vou tocar num dos primeiros temas que o autor aborda, mas sem falar das conclusões dele (para poupar quem quiser ler o livro). Se quiserem podemos continuar o assunto, então, por favor, sejam gentis e digam se querem prosseguir com o tema, ou se já basta…
(e, sejam honestos, please…)
I D E A L I Z A Ç Ã O
Nós nos apaixonamos esperando não encontrar no outro o que sabemos estar em nós mesmos - toda a covardia, fraqueza, preguiça, desonestidade, comprometimento e estupidez bruta. Jogamos um laço do amor sobre o escolhido, e decidimos que tudo o que cair dentro de algum modo estará livre de nossos defeitos e, portanto, digno de ser amado. Localizamos no outro uma perfeição que nos ilude dentro de nós mesmos, e por meio da união com o amado esperamos de alguma forma manter (contra evidências de todo o autoconhecimento) uma fé precária na espécie, página 20.
Se por meio do “fatalismo romântico”, ou seja, aquela tendência que temos de entender as coisas como parte de um destino, evitamos o pensamento impensável de que a necessidade de amar é sempre anterior ao nosso amor por qualquer pessoa em particular, o que vem depois e o que dá mais medo é a extensão até onde um pode idealizar o outro, quando “tolerar a si mesmo já causa tantos problemas”.
É daí, para o autor, que vem toda a agonia pois as pessoas simplesmente não têm certeza suficiente de si mesmas ou do que querem da vida ou de qualquer coisa. E, no fundo, ajudamos a definir nossas posições com referência a outros. Essa ambiguidade promete a salvação ou danação. E, quanto mais esperamos, mais a pessoa pela qual esperávamos se torna exaltada, miraculosa, perfeita e digna de ser esperada.
Mas, será essa pessoa tão perfeita assim? “Por que os outros deveriam pensar melhor deles do que eles pensam de si próprios? Tem aquela velha piada feita por Marx que ria de não se dignar a pertencer a um clube que aceitasse alguém como ele de sócio”…
Se a paixão acontece de forma tão rápida, é talvez porque o desejo de amar precedeu o amado - a necessidade inventou sua solução. Para ele, só podemos nos apaixonar sem conhecer direito por quem nos apaixonamos. “O movimento inicial está necessariamente fundamento da ignorância”.
Em resumo:
O próprio atraso “deste amor” ajuda a aumentar o desejo pelo “amado”?
E, não amaríamos se não houvesse carência dentro de nós, mas por paradoxo, somos ofendidos por uma carência semelhante no outro?
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Será?

































Assunto muito bom. Essa história da idealização queria comentar, mas não tenho muito tempo. Comentarei depois…
Continua logo com os outros temas, talvez eu comente em bloco
Beijos,
Matt.
Interessante, não tinha pensado desta perspectiva ainda.
Espera eu ler o livro pra falar mais
Muito boa dica!!
Òtimo tema senhorita K, continua comentanso sobre ele, confesso que não tinha pensado no amor sobre este prisma, mas vou ler o livro e depois te falo o que achei ok? Xêro
Amo esse livro
Ja li um livro desse autor, sera q foi esse movimento romantico? nao lembro,nao me marcou..rs
vou ver se leio esse, parece um jeito interessante de tentar explicar o amor.
Ótimo domingo p vc!
beijos!
Cena:
domingo meio-dia.
Porto registra 16.4°C, chove uma insistente garoa - o sol já não aparece aqui há uns três dias. A cama é o lugar perfeito para se ficar…
Abro teu blog e leio o seguinte título: “Vamos falar de amor?”
Uniu tudo o que eu queria pra esse dia chato… hehe
beijo
Sempre idealizamos e com isso tornamo-nos cegos e não agimos racionalmente, mas também amor e razão (antes de ler o livro) para mim não combinam.
Vou ter que ler o livro..
Bj.
Olá, K.
Concordo plenamente que o desejo de amar é anterior à amada, e que “o movimento inicial” é fundamentado na ignorância (e também nos nossos sonhos e carências), pois o que vemos no outro é apenas a ponta do rabo do elefante.
Mas depois de algumas derrapadas (para a direita, a esquerda, a frente e atrás) e da conquista do direito à solidão, já dá para desvendar um pouco da ignorância e farejar quando a coisa caminha para um desencontro (ao menos, para os desencontros já conhecidos).
É pena que não dê para farejar a solução.
Beijos,
JR.
acho que no fundo, na ignorância não temos desejo de amar, temos desejo de sermos amados. Concordo que esse desejo é muito anterior ao fato em si. Por experiência, todos os meus amores platônicos eram as melhores pessoas que encontrei no universo. Só que não eram, obviamente. Olhando depois as mesmas pessoas sem a mesma intenção pude perceber que o que eu via não eram elas, mas o reflexo do meu desejo, eram, pra mim, do jeito que eu queria que fossem.
Querer amar e ser amado desse modo é fruto da carência interna, falta de amor por si, justamente como ele diz. Estamos tão cheios de ver tantas falhas em nós que queremos fazer parte de alguém que tenha qualidades.
Ele fala de algo bem interessante. A NECESSIDADE de amor. Temos que estar amando, ser amados, estamos todos procurando por alguém perfeito externo a nós…
…..falar de amor é sempre muito complicado K!!!! em parte concordo com seu resumo….. realmente pode ” inventar” carência dentro de nós …..cobramos muito dos nossos “amados” beijos ..lúcia
O máximo é se apaixonar pelo outro imaginando que ele não tem nada de você. E descobrir que tem. Adorei isso.
Bjs, é sempre bom por aqui.
assunto capicioso esse hein?
mariah
Ih… Será que você vai encontrr seu amor na Alsácia? Dizem que lá não tem formiga não… Mas, falando sério: o assunto amor é sempre demais. Até porque o amor romantico, o principe encantado e tudo isto é uma invenção bem recente, e ãno faz parte da cultura “natural” da nossa espécie. Boa semana, cheia de amores! Ethel
PS: No interior de Sampa, bundinha de formiga frita é considerada uma iguaria! Pode? Ai, ai, ai, meus sais…
Oi.
Não me interessei muito pelo livro, mas o tema é fascinante. O meu problema é que, para quase todos os temas, sempre acabo recorrendo a Proust.
“Só se ama aquilo que não se possui completamente”
“Damos a nossa fortuna, a nossa vida, por uma criatura; e no entanto sabemos muito bem que,com dez anos de intervalo, mais cedo ou mais tarde, negaríamos a esta criatura tal fortuna, preferiríamos conservar a vida”
Retirados de “A Prisioneira”, quinto livro da obra “Em Busca do Tempo Perdido”
bjs e boa semana.
é aquela historia: a gente ama o que o outro nos proporciona.
beijos, flor.
tudo bem?