Maria Gasolina (de carro funerário?)

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Continuando a série: mortos, cemitérios, caixões e médiuns…rs… que começou com o “Sai prá Lá coisa Ruim (!)”.
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E era sábado. De calor, muito calor. E, eu, no auge dos meus 14 anos, batia perna pelo centro da cidade com a mamma, que lutava ferozmente na selva de pedra para arrumar uma “fantasia” de madrinha de casamento. Depois da sétima hora andando entre linhos, viscoses, sedas, e todo o kit que compõe o brilho falso das roupas destas ocasiões formais, eu insistia - na verdade, implorava - que já estava na hora de ir embora. Meus pés doíam, minha cabeça, meu estômago, minha visão…
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- Vamos?
- Não! Ainda não decidi! Você prefere o rosa ou o verde?
- Peloamordedeus, vamos? estou exausta!
- O azul? você viu o azul?
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Numa das centésimas travessias entre uma loja e outra, aguardando a passagem livre na faixa de pedestres, o mundo começou a rodar, rodar, rodar… Eu olhava o bonequinho do semáforo, que não ficava verde nunca, e aguardava na calçada enquanto a mamma repetia inúmeras vezes os problemas das rendas e cores…
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- Mãe, por que o mundo está rodando???
- Hã?
- Por que tem quatro semáforos que giram, giram, giram?
- Você viu o vestido salmão?
- Maaaa…………………
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Ploft. E caí ali no meio da rua.
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Do período em que desmaiei até o meio do caminho para o hospital, não lembrava de nada. Então, só tenho o testemunho da dona “encrenca” (como diz a Mara). Que ficou “discretamente”, berrandoooooooo para alguém ajudá-la a me socorrer. Ela acenava para os táxis e nada. Implorava para os carros e nada…. Mais um táxi, nada…. Ninguém parava… Ninguém queria as encrencas (eu e a mamma, of course)… até que…. alguém parou. E fui socorrida. E acordei dentro do carro.
A sensação era de estar bêbada, meio “grogue”, não tinha forças para absolutamente nada, mas consegui abrir os olhos… o corpo parecia que estava morto, não conseguia fazer nenhum movimento ou som. A boca não respondia à vontade. Só o “cabeção” funcionova.
De longe ouvia o som da minha mãe, conversando com um homem que eu não tinha a menor idéia de quem era. “Ai meu Deus, como isso foi acontecer!”, “Ai coitadinha…”, “A culpa é minha e tudo por causa de um vestido!”, “Calma senhora, as coisas ficarão bem”, “Não vou me perdoar nunca!”…
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Pensamento Insistente
- O que aconteceu? Coitadinha? Culpa? Perdão? Onde estou? Hummm, que cheiro é esse?
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Olho para cima e vejo um teto de metal negro, olho para os lados vejo flores… sinto que estava deitada em algo não anatômico, o cheiro era bem esquisito, as costas doíam…
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Pensamento Insistente
- Onde estou? Hummm, que cheiro é esse? Hummm, que negritude é essa? Hummm, por que não consigo me mexer? Hummmm, flores? Hummm, “com amor e saudades de sua família”, “Hummmm”…. AI MEU DEUS DO CÉU!
- Eu morriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii….
- Não, não me levemmmmm!
- Por favor, por favor, por favor, não me enterrem!!!!!
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Eu não conseguia me mexer e o misto de medo (de ter morrido e ser enterrada), terror e desespero distanciaram ainda mais a voz da minha mãe e paralizou completamente meus movimentos. A cabeça giravaaaaaaa, os pensamentos saltitavam e eu não conseguia emitir um ruído que não fosse mental. Por que minha cabeça parecia mesmo era a bateria de uma escola de samba.
Em nenhum momento me lembrava de ter desmaiado na rua. O último pensamento era de uma loja que tínhamos visitado e depois acordando no carro funerário, que andava rápido. Minha mãe chorava e perguntava se demoraria muito a chegar, e eu em pânico.
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Pensamento Insistente
- Nãooooooo, não chega não!!! Não quero ir pro cemitérioooo!
- Não me enterremmmm, não me enterremmmmm, não me enterremmm…
- Urgh, que flores fedidas… Imagina debaixo da terra com aqueles vermes todos!
- Ai meu Deussss! Por que eu não morri bem mortinha? Por que ainda estou pensando?
- Eu virei uma alma penada? ai meu deus! virei uma alma penada!!!!
- Deusssssssssss, me perdoa! Me deixa ver a luz “daquele” túnel que os mortos voltam!!!
- Por favor, por favor, por favor, não me enterremmmmmmmmmmmmmmmm.
- Cadê o túnel? Me deixa ver a luz, Deussssssss!!!
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E o carro pára. E o meu desespero chega ao auge. E escuto de longe a voz do homem. “Rápido, alguém traga algo para que eu possa levá-la”.
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- NÃO ME ENTERREMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM….
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E, desmaiei de novo
Nem preciso dizer que depois de algumas horas acordei no hospital, onde fiquei internada alguns dias, e me questionando por que diabos sou a única “sortuda” que consegue ser socorrida por um carro funerário.
Tem gente que anda de Mercedez, outros de Ferrari, outros de Crysler.
E eu, Maria Gasolina, de carro funerário!
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bom, pelo menos não fui enterrada! rs rs rs
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beijos!
16 Comentários
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Acho que a gente só consegue se falar por aqui… esta mais fácil… saudades…
Huauhau, muito boa história, tenho que me segurar pra não rir alto aqui no trabalho.
E afinal de contas, o que vc tinha?
Isso aí me lembrou daquelas vezes em que a gente acorda mas não acorda direito, e fica consciente mas com o corpo todo paralisado. Dá mesmo um desespero. Pior ainda se fosse num carro funerário, hehehe.
nossa!!! K!!! acontece cada coisa com você hein!!!coitada aos 14 anos pegando ” carona ” no carro funerário!!!! ahhaha desculpe …foi muito engraçado …beijos ..lúcia
ahahahaha o cara era um oportunista. Vai que tu bate as botas ou tua mãe e ele já engata um enterro ali mesmo?
kkkkkkk
concordo com o cara acima
eauhahae
mas tem que ter o merecimento uai de pegar uma bera num mercedez
Como também tenho problemas com desmaios, fiquei curioso sobre o que vc teve, que nem o Emilio.
Deve ter sido a 1º vez que o dono do carro levou alguém pro hospital, ao invés de pegar os corpos do hospital.
Hahaahahah! Mas tinha que acontecer contigo! Você é ímpar mesmo!
bjs, andrea
Você é mesmo estranha.
Mas continue contando, tô ficando curioso…
Beijo,
Matt.
*Tentando parar de rir…
Nunca desmaiei.. nem sei como é.. mas fico imaginando.. acordar num carro funerário.. humm.. e os carrinhos de levar os mortos aqui são tão caquinhos… Adorei a história também.. beijo guria.
F.Luiz: Você já tentou o email ou o telefone, peste?? rs rs rs Té parece que não me conheçe! Eu não ligo para você por conta da sua “mocréia”, ops, noiva..rs..rs..rs.
quero continuar viva..rs.. doida, mas viva..rs..
aparece vc tb né.
beijos, saudades.
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Bob e Emílio: Eu tive um negócio chamado disritmia cerebral (seja lá o que isso signifique), por conta de um distúrbio hormonal. Entenderam? eu também não..rs..rs..rs
nunca mais tive, mas nota-se que eu não bato bem da cuca desde cedo né..rs..
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EduJanu, Ricardo, Alec e Lucia, beijocas.
Lucia respondo seu email mais tarde! beijo, beijo,
me perdoe..rs.
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Andreia, Sig Mundi
tem coisas que realmente só acontecem comigo. E é desde cedo esse talento adquirido..rs.rs..rs..
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Matt
estranha? eu? imagina..rs.rs.rs…
eu não mordo, prometo.
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interessante.h
ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh… o Sr. reapareceu é!!!
achei que tinha morrido..rs..rs..rs.
faz tempo!!!
beijosssssssssssssssssssssssssss
Menina! isto tá parecendo “Pegadinha do Malandro” ! hahahahaha
Agora é engraçado né, mas na hora deve ter sido horroroooooso!
Beijos!
nice place to be… indicação de amiga. vou ficando. vendo os seus mantras, lembrei da minha irma. vivo zuando ela com o hit:
“gordurinha gordurão, vai saindo de montão) em bom carioquês e esfregando a barriga.
long life!
Olá, K.
Naquela altura você já usava esses horríevis óculos de sol?
horríveis* Rsss… Ahhh… Era a brincar. Teus óculos são lindos… Rsss…
Hhahahahaha, pelamor, acho q somos mesmo irmãs gêmeas perdidas no mundo (só q tu é mais gatona…rs). Só vc que vive essas coisas estranhas, como as minhas…rsrsrs
Rindo um monte aqui imaginando a cena, haushuahsuahsu
Bjokas, linda