Mulher: ainda há motivos para lutar?

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8 de março: Dia Internacional da Mulher. E, tudo começou em 1857 quando 130 operárias morreram carbonizadas depois que foram trancadas na fábrica, que foi incediada, onde trabalhavam em retaliação a uma grande greve que reinvidicava melhores condições de trabalho, como redução na jornada de trabalho para 10 horas (as fábricas exigiam 16 horas), equiparação de salários com os homens (que era 1/3 do que recebiam os homens), e tratamento digno no ambiente de trabalho.

Redução de jornada de trabalho, equiparação de salários e ambiente digno. Ok. Exigências ultrapassadas, certo? Obsoletas? Temos muitos outros motivos para lutar na atualidade! Certamente, porém, se me permitem nenhum desses três pontos iniciais estão amplamente resolvidos. É claro que nada se compara a 1857, ninguém é mais incediado por isso (espero!), mas honestamente este triângulo é tão, tão presente na vida de nós mulheres - pelo menos na minha - que não vejo essa data como comemoração por algo consquistado. Apenas melhorado. Não, totalmente, conquistado. É preciso adequar a realidade atual às exigências do passado.

Eu continuo trabalhando 16 horas por dia. Infelizmente. Não, não sou apenas workaholic por opção. É também uma questão de sobrevivência. Eu adoraria passar um tempo maior lendo os blogs amigos, meus livros, respondendo comentários do RM :) e de outros, e sendo mais “social”. O fator principal mudou, talvez hoje o motivo tenha até sido causado por nossa independência, mas o fato é que hoje ninguém acha que trabalhar 16 horas é exagero. Aliás, é chique ser um “Antônio Ermírio de Moraes”, com suas grandes olheiras, e ai de mim se disser que quero “matar” meio dia de trabalho para cozinhar ou fazer as unhas. É um preconceito inverso.

É claro que ele existe no mundo masculino também. Não ignoro isso, mas não se é exigido do homem que ele seja um excelente “dono de casa”, “cozinheiro”, “administrador do lar” e “pai”. Afinal, ele é o “provedor” e já faz a sua parte. A casa e a educação dos filhos é obrigação inerente da mulher. Nossa!! Quantas vezes ouvi isso! Inclusive do meu pai, para a minha mãe. É claro que muitos não pensam dessa forma, mas a maioria ainda sim. Enquanto nós mulheres, hoje, além de co-provedoras, não podemos simplesmente chegar em casa e jogar os sapatos na sala e ir ver TV. Isso seria negligência.

Essa semana descobri que um editor, que trabalha a menos tempo que eu nesta empresa, prestando serviço, e tem a mesma função que a minha no grupo e a cumpre tão eficientemente quanto eu, recebe 122% a mais para um mesmo projeto. Não sei dizer exatamente o motivo e não quis me deprimir por isso, mas nossas funções são idênticas, nossa idade parecida, nosso currículo igualmente… e uma diferença de 122%. Só sei que não jogo golf com o chefe… será o maldito golf??? Eu nem tenho nada contra o golf! Adoraria ter o talento, mas, sou desastrada o suficiente para matar alguém de traumatismo craniano por uma bolinha mirada errada ou um taco que pode escapar de minhas mãos por falta de coordenação motora. Eu não jogo golf e raramente bebo whisk, e não fumo charuto porque é muito fedido. E eu sou cheirosa. 122%!!!

Como jornalista organizei muitos eventos, em resorts, para a editora que trabalhava. E, não era incomum (aliás, era bem rotineiro), que um executivo ou outro batesse na porta do meu quarto durante à noite. Eu ficava apavorada, ligava para o quarto do diretor da empresa para ver se ele podia interceder, e a resposta que ouvia era sempre algo como: calma, isso é normal! Não ouse tratá-lo mal! É normal? Mas não deveria! Quantos “sapos” imensos engoli de homens bêbados que falavam barbaridades nesses eventos e simplesmente não podia abrir minha boca por que o sujeito investia na revista ou jornal alguns milhões durante o ano. Isso é normal? A mulher tem que se fingir de muda, surda, burra e ignorar agressões verbais, afinal, é normal ser assediada, exposta, ferida. É normal, mas não deveria.

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Como diria o escritor Martin Page em seu livro: A gente se acostuma com o fim do mundo.

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Nem todos se acostumam. É mais fácil acreditar que não existem tais preconceitos. Essa semana foi muito díficil para mim por que tive que me lembrar de uma série de coisas que me ocorreu ao longo dos meus 29 anos. Questões difíceis, delicadas e pessoais. Que me magoam e magoaram. Mas, reais. 

Me lembrei por que me fiz a seguinte pergunta: ainda há necessidade dessa luta feminina? Honestamente, antes da chamada da Lys para essa blogagem coletiva, não tinha opinião fechada.  E, prefiro sempre pensar bem à respeito para depois abrir minha boca. Erro frequentemente. Talvez por ser impulsiva demais, mas a idade tem me reservado uma grata surpresa, que é ouvir mais e falar menos (imagina como não era antes hein Matt… meus posts não seriam maiores que livros, e sim que enciclopédias! rs).

Essas três situações que me ocorreram recentemente não foram excessões. São corriqueiras, presentes. E sou mulher, branca, financeiramente independente, bem instruída, de família “normal”, e ciente de meus direitos. Quantas mulheres têm a mesma sorte?

Ainda há muitos motivos para a se lutar pelos direitos da mulher, sim. E, falo isso por experiência pessoal. Talvez, se não fosse tão sensível a estas questões minha opinião pudesse ser diferente, mas os motivos acima são nada. Se esse movimento, essa luta da mulher, nasceu especialmente dentro de uma fábrica, ele se estende a muitos outros âmbitos. Sexualmente, Fisicamente, Profissionalmente.

No Brasil, apenas 10% das mulheres compõem o Congresso Nacional, e hoje somos o maior número de eleitores do País, e nossa opinião só representa 10%. Um paradoxo, sem dúvida. Hoje, cerca de 1 bilhão de mulheres no mundo sofre algum tipo de violência. Repito: 1 bilhão de mulheres. Acha exagerado? Não, não é - infelizmente. É só perguntar para qualquer mulher que esteja ao seu lado se já sofreu algum tipo de violência física, verbal, sexual. Você verá que esse número pode ser maior. Dúvida?

No meio dessa questão toda, durante a semana, fiquei pensando nos momentos em que mais fui discriminada, ofendida, etc. Desde a infância. E, a lista ficou grande demais para ser publicada aqui. Então, vou citar só alguns exemplos que são significativos.

  • Aos 8 anos, fui assediada por um vizinho que tinha lá seus quarenta anos. Não, não me fez nada mais sério. Mas, me lembro muito bem que haviam toques perdidos, bobos, quando me pegava no colo - inofensivos. E eu, sabia e sentia que tinha ali algo errado.
  • Aos 13 fui agredida fisicamente na escola por um colega. Na época, deixaram para lá por que afinal eu tinha provocado, e “mulher tem que saber o seu lugar e não discutir com homens”.
  • Há uns seis anos fui demitida da empresa que trabalhava por que um diretor achou que eu era mais competente que o meu chefe, e era melhor se livrar de mim antes que o presidente da empresa percebesse e demitisse o meu chefe. Vejam, fui demitida por que era competente! e mulher…. ninguém queria uma chefe mulher.
  • No ano passado, chegando no aeroporto de Madrid, passei uma das situações mais constrangedoras da minha vida. Sim, quase fui deportada sem qualquer motivo. Fui  “cobrir” um evento por lá e passei por uma série de questionamentos e caras feias da polícia local que achou que eu era mais “uma” das brasileiras que entra na Espanha para se prostituir. Isso me fez repensar muito minha volta à Madrid e à Espanha. Não sei se tenho mais vontade. Tive duas oportunidades de retornar lá durante 2007 e não o fiz.
  • Há uns três anos, bati - literalmente - num executivo, com um tapa bem no meio da cara por que ele me disse uma porção de bobagens num evento. Recebi uma advertência no trabalho.
  • Quando cobria política, no principado onde nasci, fui presa no gabinete de um vereador que prometeu me difamar publicamente (com a invenção de casos com outros políticos) se eu continuasse falando de suas irregularidades. Foi como ele disse: “É um vereador contra uma mulher. E, você sabe como são as mulheres, não é?”. Depois disso, vim trabalhar em São Paulo.
  • Também já perdi um projeto por que eu fui na Parada do Orgulho Gay, com vários amigos gays, e me viram na televisão…rs…rs…rs… E, a empresa achou que era melhor não contratar uma simpatizante das causas gays para manter a integridade da empresa.
  • Em 2006, no momento de minha separação, meu ex fez questão de me difamar de todas as formas, além de queimar TUDO o que eu tinha na vida. Sim, queimou tudo. Roupas, sapatos, documentos, livros, cds, diplomas, fotografias, objetos. Tudo. As únicas coisas que me sobraram foram três peças de roupa que separei no dia que sai de casa e levei para o hotel. Só. Ele achava que eu não tinha o direito de querer me separar, então, já que insistia e queria ser tão “independente” queria ver como eu faria sem nada. Se não voltaria correndo para casa. Não voltei, é claro.
  • E a última (para não estender a lista demais e não por que os casos acabaram),  talvez a mais cômica delas, é aqui no meu prédio. Me mudei há menos de dois anos, bem na transição da vida de contratada para freelancer. Ou seja, as pessoas sempre me viram em casa. Meu namorado é muitos anos mais velho que eu, e também não é ligado a nenhuma empresa, por ser consultor de mercado e escritor. Isso na cabeça das pessoas é avassalador. Na minha cabeça é assim: sou uma profissional que optou por ser freelancer, trabalha 16 horas por dia, para quatro empresas diferentes, e duas, três vezes por semana recebe a visita do namorado, que é separado e solteiro há muitos anos, que vem dar um beijo correndo e vai embora, por que não terá tempo de me ver mais que isso, por conta do trabalho. Na cabeça das pessoas do meu prédio é assim: eu sou amante de um cara mais velho, que não faz nada, já que ele me sustenta, e na hora do almoço ou no meio da tarde vem me visitar para que a mulher não desconfie. Como eu fiquei sabendo? Porteiros! É… o bom e velho “seu Raimundo”. Claro que já tinha percebido olhares estranhos, primeiro dos homens, afinal sou a vadia do prédio. E, segundo e especialmente das mulheres, que proibem seus maridos de me cumprimentarem. É sério assim. E cômico por que o preconceito também é da mulher. Como não tem jeito mesmo, nem ligo… não brigo e tiro onda com a história. Quando entro no elevador e percebo que a mulher não deixa o marido falar comigo ou faz cara feia, eu nitidamente “encaro” o marido dela(que se acha a última bolacha do pacote)..rs.. Enfim… tem que se rir das próprias desgraças. Espero que minha mãe nunca saiba disso tadinha!!! rs… Uma filha “mal falada”… ela não merece! rs

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No Brasil, ainda somos commodity. Duro pensar assim, mas é a mais pura realidade. Somos mercadorias embaladas em “cérebros”. Infelizmente, toda embalagem é descartada e o que sobra é a plástica. É a mercadoria.

A Lys havia pedido para apresentarmos soluções para o Governo, para a sociedade. Creio que o Governo tem sim sua responsabilidade, por que nos vende barato demais, mas, a transformação vai além. Vai de cada um. É como a questão do livro. Outro dia escutei alguém dizer que o livro não muda ninguém. Ele pode ser ou não um agente de transformação. Quem tem esse poder mesmo é a pessoa, de forma individual, que será o grande articulador e influenciador dessas mudanças sociais. Assim, também vejo com essa questão. Leis, incentivos, publicidade… tudo isso deve ocorrer, mas o que faremos com esse “conteúdo” dependerá de cada um. De cada homem e de cada mulher.

A escolha é simples: ser cretino ou não, independente do sexo.

Acredite. Existem muitos por aí.

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Ainda há motivos para lutar?

Sem dúvida!

Dia 8 de março é dia das mulheres lutarem pela igualdade de direitos e deveres, por uma emancipação realmente verdadeira.  

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*** A imagem deste post foi tirado daqui

22 Comentários

  1. Comentário de Bob on Março 8, 2008 7:43 pm

    Como só mulheres sentem estas discriminações, e como a maioria avassaladora dos meus círculos de convivência não discriminam mulheres eu quase não percebo mais esses preconceitos. É claro que eles existem, que ainda estão impregnados na cultura do país e do mundo, mas a percepção é que as coisas estão melhorando e logo, acredito, esses será um problema do passado, um que se tornará somente motivo de estudo para que não se repita.

  2. Comentário de fernando on Março 8, 2008 8:12 pm

    A ignorância é um mal que acompanha os homens desde os mais remotos tempos. A história da humanidade é escrita em cima de conquistas e quebras de comportamento. Ainda assim é lamentável que a sociedade como um todo ainda discrimine conscientemente a mulher. De forma vil lhes tiram as oportunidades, lhes imputam condições e determinam qual será seu papel dentro do sistema onde vivem. Seu elevador é uma arena, mas você sabe que está acima da horda obtusa. Um bom dia pra você, guerreira.

  3. Comentário de lucia on Março 8, 2008 9:02 pm

    io K!!! querida adorei seu post. ..continuaremos a lutar!!!…seus episódios !!! então…..sempre haverá um vizinnho (filho da puta) para assediar meninas …fico muito furiosa ….em saber casos como este..infelizmente acontece…mudando um pouco.. vamos brindar nosso DIA beijos sucesso lúcia

  4. Comentário de RM on Março 8, 2008 9:09 pm

    Caríssima e gatíssima blogueira,

    já me dou por satisfeito em ser citado, além de brindado (e seus muitos leitores) com belos textos como este.

    Vou precisar discordar dessa vez, mas só no acessório, nunca no principal. Mas a “redução da jornada de trabalho” e a “equiparação salarial” são uma mesma questão e menos explicada pelos arraigados hábitos machistas que por razões de mercado.

    Tanto num caso como noutro, o “custo” médio da mão-de-obra feminina é algo maior que a masculina. Pelo estrito fato de eles não engravidarem e portanto, na média, trabalharem mais tempo que as mulheres (mesmo quando sabemos que elas trabalham “melhor” em algumas atividades). Assim, a redução da jornada de trabaljo, strictu sensu, custa mais para as empresas ao empregarem mulheres do que homens. A diferença salarial, usualmente, mantém relação com esse aspecto da natureza feminina.

    Claro que não concordo com isso. Ainda mais quando as discrepâncias são absurdas e desproporcionais como o caso pessoal que você citou (se eu fosse o seu chefe, seria você a ganhar os 122% a mais…). Defendo, como você, plena equiparação salarial entre homens e mulheres em ocupações idênticas, embora saiba que elas podem, eventualmente, “custar” um pouco mais para as empresas (acho, no entanto, que é mais que compensado pela beleza, organização e talento, frequentemente maiores que dos homens).

    Por que estou comprando essa briguinha aqui com você? Porque concordo e apóio os movimentos pelos direitos femininos e acho que as mulheres devem entender bem - e não apenas reclamarem - os motivos pelos quais esses “direitos” são violados.

    Quanto ao terceiro quesito, a “dignidade do ambiente de trabalho”, penso diferente. Nesse caso a razão é mesmo “meramente” cultural e a forma como alguns(?) homens se comportam é enauseante. Eu, pessoalmente, abomino qualquer forma de injustiça ou discriminação, mas esta, de caráter sexual, me é particularmente repulsiva.

    Quanto ao restante do texto (muito bom, não exagero em repetir), concordo com tudo o que você expõe, inclusive sobre a necessidade de manter os movimentos “feministas”.

    Assino embaixo, com prazer.

  5. Comentário de gilrang on Março 8, 2008 9:44 pm

    K.,

    é o caso de se perguntar qual liberdade, qual independência vão as mulheres comemorar… creio que o oito de março foi uma forma que alguns acharam para tentar se redimir dos erros cometidos nos outros 364 dias. o que eu acredito ser o mais grave é ver o próprio país a se encarregar de vender a imagem errada da mulher brasileira sob o pretexto de atrair turistas! como vamos repudiar o comportamento da polícia espanhola se a nossa administração faz ela mesma campanhas aviltando a mulher brasileira?

    mais que uma manifestação de liberdade (que liberdade não é), esse dia deveria servir de alerta, não apenas às mulheres, mas a todos aqueles que se deixam levar puramente pelos seus instintos sem ouvir as suas consciências.

    um bom oito de março!

  6. Comentário de G on Março 8, 2008 10:13 pm

    Kastor

    Concordo literalmente com tudo o que você disse. Acho que as mulheres, por suas próprias lutas se emanciparam, têm dupla ou tripla jornada de trabalho (casa, filhos, etc, etc) e conquistam muito justamente seus lugares. E vão continuar subindo até esse mundinho entender que a mulher é igual ao homem (possivelmente melhor).
    Só não concordo com O DIA DA MULHER. Acho preconceituoso, machista. Olha como é absurdo: dia do índio, dia do negro, dia da criança, dia da mulher. Mulher não tem que ter dia como igualmente não deveriam ter negros índios e etc. Isso é preconceito, é feio! Mulher é gente, é humana como o homem e todos os dias são das mulheres, homens de todas as raças e etnias
    Beijo
    Geraldo

  7. Comentário de A Outra on Março 8, 2008 10:29 pm

    adorei o texto!

    vc foi relatando os seus episódios e eu lembrando dos meus.

    meu “namorido” é beeem mais velho do que eu. quando saímos na rua, as mulheres são as primeiras a repararem, primeiro pq ele é um pedaço de “bom” caminho (1,85m, magro, olhos azuis e cabelos grisalhos); segundo pq quando encontram a mão dele, lá está a minha, aí me olham com uma cara feia (a $#@!%$# que roubou o marido de alguém). também já ouvi poucas e boas por causa disso.

    tb já fui assediada na infância e nem por um ou dois. um deles meu pai quase mata (mas não conta para ninguém! rs).

    no trabalho a mesma coisa: um chefe me assediava, virou ex-chefe, claro.

    hj em dia, se me descuidar, os clientes dão em cima de mim. se eu não administrar a situação, adeus trabalho. a frase que mais escuto: profissional, “linda” e competente.

    e para finalizar, imagina a apreensão que sinto ao pensar no estereótipo criado em cima da mulher brasileira no exterior. vou para alemanha com o meu “gringo” mais velho (que já está tanto tempo aqui, que é mais brasileiro do que eu… ele defende Lula, só para vc ter uma idéia. rsrsrsrs), chegaremos lá e já sei o que muitos vão pensar ou mesmo dizer: mais um que foi buscar “mulher” no Brasil…

    mas, é isso aí, precisamos mostrar que estão errados, que ainda há muito o que se fazer.

    nossa competência e inteligência sempre estarão à prova.

    beijos e um ótimo domingo!

  8. Comentário de A Outra on Março 9, 2008 12:29 am

    mesmo homem? será? rs

    ganhei na diferença por um ano… =P

    melhoras, viu?
    fica 100%

    bjsss

  9. Comentário de Marcelo Bueno on Março 9, 2008 12:45 am

    Confesso que acho complicado opinar sobre o tema - mas me arrisco a levar um sapato de lacinho na cabeça assim mesmo… ;)

    Acho o Dia da Mulher uma grande bobagem e graças aos céus caiu em um final de semana para não ter que ficar ouvindo coisas relativas a ele no trabalho. Vamos combinar que a coisa é levada muito mais para o campo da futilidade do que da consciência social.

    Eu apoio que as pessoas, independentes que qualquer rótulo, devam ser tratadas com eqüidade e respeito - ponto.

    Trabalho e tenho muitos amigos calhordas que não podem ver mulher que entram num clima de sedução barata e se referem a elas como mera diversão sexual. Em muitos eventos que organizei, tive que bater de frente com os caras (inclusive hierarquicamente superiores a mim) que ficavam cercando as promotoras por julgarem que elas estavam à disposição para um “serviço completo”.

    Defende daqui e cerca de lá, por mais de uma vez vi uma ou duas delas no café da manhã do hotel devidamente acompanhadas… you know what I mean…

    Alguns acham que sou viado. Outros que sou o mais esperto de todos e faço o gênero “come quieto” ou, quando casado, que eu era o supra-sumo da fidelidade. Só não passa pela cabeça de ninguém que a minha admiração ou desprezo pelas pessoas não depende do que elas têm entre as pernas (Lys, feche os olhos: coisas de Aquário!).

    Por outro lado, convivo e já trabalhei com mulheres que usavam o fator sedução exatamente para manipular estes babacas que se acham os reis da cocada. Quando fui trainee em uma grande empresa, fazia dupla com uma menina que era toda patricinha e fazia comentários absurdamente idiotas que apareciam - nos relatórios dos gerentes e diretores que nos avaliavam - como se tivessem partido de mim. Ela, obviamente, era brilhante.

    O coordenador dos trainees, que era gay, sabia disso e dizia que eu devia me conformar porque estava em uma empresa cuja mentalidade era aquela mesmo.

    Lembro de uma apresentação para o board da empresa - já num passado bem mais recente - em que uma diretora não falou coisa-com-coisa durante uns 30 min, mas todos os homens da sala olhavam para ela como se estivesse tudo bem - saca aquele sorrisinho bobo? Comentei com um amigo do lado “putz, esta mulher é uma anta!” e obtive como resposta “pode ser, mas tem uns peitões maravilhosos!” - nota importante: ela realmente tem uma bela “comissão de frente” e, curiosamente, ficou de blaser até 2 min antes de se apresentar…

    Ainda que eu goste da pessoa, a profissional está abaixo das exigências necessárias para o cargo - sem contar que chega a hora que quer, desaparece no meio do dia para levar o filho no dentista (um marmanjo com mais de 1 8) e outras coisas do gênero - mas já passou por 3 gestões e nada aconteceu. Aliás, mentira: ela recebeu um aumento de R$2 mil e ganhou outros R$2 mil de bônus sem que tivesse feito absolutamente nada para merecê-los.

    Enfim, não estou aqui para confrontar experiências, mas para dizer que é tudo meio relativo. Devo registrar, inclusive, que, exceto por uma, que era o cão chupando manga (e, depois, descobri que tinha costas quentes por ser amante do superintendente), meus melhores chefes foram mulheres.

    bjo bjo bjo

  10. Comentário de Alberto Marques on Março 9, 2008 7:36 pm

    A luta por novas conquistas e pela efetivação dos direitos alcançados está longe de acabar.

  11. Comentário de Redneck on Março 9, 2008 8:02 pm

    Sabe K., esse negócio de trabalhar de freela é realmente incrível na cabeça das pessoas. Como você, eu também freelo em casa. E, como você, sou visto como um vagabundo, que deve ser sustentado pelos pais porque não faz nada a não ser ficar em casa e sair à noite. Outro dia, passei o maior carão: o ex de uma amiga veio até aqui e o recebi na portaria, que estava em reforma. Ele estava bastante deprimido e começou a chorar e falar alto. Todos - quatro pedreiros e mais três funcionários do prédio - ficaram olhando para a cena, boquiabertos. A impressão, depois me relatada também por um dos porteiros, era que o cara era um ex meu e que eu era o mais frio dos homens. Até os pedreiros me olham feio agora. E eu trabalho, senão 16 horas por dia, ao menos 12, com certeza. Beijo!

  12. Comentário de Dama on Março 9, 2008 10:40 pm

    Concordo com tudo o que vc disse. Sempre tem um povo sem noção nos prédios de classe média em SP, não importa o bairro. É como se cada prédio fosse uma minúscula cidade do interior, cheia de fofoca e controle da vida alheia. Lembrei de uma história parecida de umas amigas minhas, também jornalistas, uma delas fazia frila, outra trabalhava nuns horários malucos. Elas alugaram um ap. bem legal perto da Av. Paulista e ficaram furiosas quando o proprietário falou pra elas:
    - Olha, vcs podem morar aqui, eu não tenho preconceito e não me importo de onde vcs tiram o seu dinheiro. Mas vamos combinar uma coisa: nada de trazer cliente aqui, ok?
    Nem preciso dizer que elas quase mataram o cara.

    Evoluímos mto, mas ainda há motivos para lutar, é claro.

    Beijos

  13. Comentário de melodyfairy on Março 10, 2008 5:05 am

    Olá, moça!
    Adoro seus textos, sempre leio aqui, sem falar nada! Mas esse não poderia deixar de comentar e concordar com tudo o que foi dito!
    Venho de família japonesa e desde pequena minha educação foi bastante machista. A cultura dos meus antepassados valoriza demais a figura masculina, porque é o homem quem vai levar o sobrenome (e a honra) da família para frente.. A mulher se casa, muda de sobrenome, muda de família… Já sofri demais com isso na minha infância e agora, que fiz o caminho de volta dos meus avós e vim para o Japão trabalhar, consigo compreender um pouco melhor tudo isso. Mas não aceitar.
    Ganho 900 ienes por hora aqui e um homem que faz exatamente o mesmo serviço ganha de 1300 a 1500… As meninas aqui se vestem como bonecas de luxo (não que ache ruim isso, é uma questão de escolha, mas reflete um pouco, acredito eu, esse machismo da sociedade), Playboy é uma marca de roupas caras que as jovens adoram vestir e fiquei sabendo que, na minha cidade, uma mulher que anda sozinha depois das 9 da noite é mal vista!
    Coisas assim revoltam bastante e, por isso, é bom demais ler textos como o seu pela internet que pode ser uma ferramenta importante para quebrar certos paradigmas.

  14. Comentário de scliar on Março 10, 2008 5:24 am

    Demais o seu relato de vida. Afinal, a gente sente na pele cada centímetro de discriminação, de asseedio, de tudo que queremos banir para fora deste mundo, que vire poeira estelar! Mas você, com sua jornada de trabalho… opa, opa, meu post ta la, sobre isto (logo eu falando, aqui já são uma e meia da matina e estou teclando…Porque amanha tenho que trabalhar, nao vai dar tempo de visitar os blogs amigos!). Boa semana para vocÊ! Ethel sC

  15. Comentário de PD on Março 10, 2008 2:12 pm

    É inaceitável, sem dúvida. Mas você possui armas para se defender, impor limites e se impor como mulher e profissional.

    Minha atitude em relação ao Dia Internacional da Mulher é crítica, pois a maioria sequer se dá conta de que o sistema despolitizou o evento, transformando-o em mais uma data promocional.

  16. Comentário de Gisele on Março 10, 2008 3:28 pm

    Ei K,

    Li seu texto e meus olhos foram enchendo-se de água… Vc escreve muito bem, o texto flui e entra na gente sem a gente perceber.

    Tb passei e passo por situações duras de engolir simplesmente por ser mulher, apesar de milhares de vezes a desculpa esfarrapada ser outra.

    No entanto, tem uma coisa que me incomda demais: o tal do dia da mulher. Só as minorias têm dia especial, como o dia do índio e o dia da abolição da escravatura. Isso me pertuba muito. Sinto que reafirmamos nossa minoria cada vez que comemoramos o 08 de março! Será que estou ficando doida?

    Bjo!

  17. Pingback de A vida como a vida quer » Blog Archive » Pela valorização da mulher brasileira (2) on Março 10, 2008 4:09 pm

    [...] Jorge, 168. Angustiada Consciencia, 169. Jan, 170. Claudia, 171. Alessandra, 172. Feminist, 173. Incompletudes, 174. Luciane, 175. Hebert Drummond, 176. Ru Correa, 177. Daniel, 178. Sonho meu, 179. M. Carmo, [...]

  18. Comentário de Lyn Monroe on Março 10, 2008 11:00 pm

    K,

    q belissimo post! Meus olhos tbem aqui se encheram de água…
    Temos sim muito pelo q lutar ainda.
    E tenho a certeza q todas nós como vc temos várias situãçoes em que fomos discriminadas e humilhadas.
    Mas temos uma cultura de que isso é em gde parte culpa nossa e acabamos deixando passar.
    Não esqueço de uma amiga q qdo apanhou do marido ele falou q a culpa era dela.
    E esse é so um exemplo.
    Q os homens reflitam sobre o q nós passamos, e q nós mesmas comecemos a lutar mais pelos nossos direitos.
    Beijo gde p vc!
    ótima semana!

  19. Pingback de Amigos da Blogosfera » Blog Archive » Resultados da Blogagem Coletiva “Pela valorização da mulher brasileira” on Março 11, 2008 10:38 pm

    [...] Jorge, 168. Angustiada Consciencia, 169. Jan, 170. Claudia, 171. Alessandra, 172. Feminist, 173. Incompletudes, 174. Luciane, 175. Hebert Drummond, 176. Ru Correa, 177. Daniel, 178. Sonho meu, 179. M. Carmo, [...]

  20. Comentário de Lys on Março 14, 2008 3:21 pm

    Belissimo post K. Voce colocou bem a questao de que a mesma luta iniciada ha anos atras, na tecelagem em Nova Iorque, ainda eh motivo de luta hoje em dia na maiorias das profissoes. Ganhamos nao apenas salarios mas baixos, mas hoje em dia tambem devemos incluir os assedios sexuais que sofremos sem pudor.

    Gostaria de comentar algo que voce falou rapidamente, sobre o fato da educacao dos filhos ser uma obrigacao inerente da mulher. Isso eh verdade ate certo ponto. A mulher sempre foi responsabilizada por educar os filhos mas nao livremente. A educacao patriarcal sem foi imposta e ai das mulheres que tentassem dar aos filhos uma educacao mais libertaria ! Isso eh fato ate hoje em dia na maioria das familias.

    Acho que se todas nos mulheres fossemos listas os epsodios de violencia e preconceito que sofresmos em sua vida a lista seria tao grande quando a sua. Agora voce colocaste bem que nossa lista eh grande, mas o que dira das mulheres negras que sao as trucidadas por nossa sociedade ? Se a nossa lista, como mulher branca, estudada e de um certo nivel cultural eh social eh enorme, o que dira da lista de uma mulher negra, pobre e que nao teve a oportunidade de estudar ? Certamente nao tem fim.

    Eu tambem nao acredito que todas as solucoes para os problemas femininos estao no governo. Talvez a legalizacao do aborto, uma intervensao mais rigida contra a violencia domestica (como a lei Maria da Penha instituida pelo Lula em 2006) sejam acoes que o governo passa tomar sim. No entanto a maior mudanca, na minha opiniao, vira no dia em que conseguirmos finalmente derrubarmos esse sistema patriarcal hipocrita e educarmos nossos filhos de forma libertaria. Temos que ensinar nossos meninos a amar assim como nos meninas somos criadas para.

    Muitos beijos minha linda e sua participacao foi exemplar !

    Muito obrigada pelo carinho que tens por mim e por todas as mulheres da humanidade das quais voce faz parte como um exemplar precioso !

    E a luta continua, pois essa foi apenas para fazer o povo falar da mulher… nos podemos falar todos os dias :)

    beijocas
    Lys

  21. Pingback de E a estatistica continua… « Lys, no labirinto de seu universo desconexo on Março 15, 2008 3:07 am

    [...] K. - Incompletudes - Argumenta de forma brilhante que as motivacoes que motivaram a luta das operarias no dia 8 de [...]

  22. Comentário de Swordfish II on Abril 1, 2008 3:37 pm

    Olá

    me indicaram esse post por causa de um post que escrevi, também tendo como tema o Dia da Mulher e a existência ou não do sentido da luta pelos direitos das mulheres.

    Concordo com você que ainda há muito preconceito e pressão sobre o papel da mulher na família, na sociedade, no trabalho… e muita coisa é digna de discussão…

    Mas eu também acho que muitas situações que você colocou no texto, se invertidos os sexos, também ocorreriam. Acha que, quando você menciona que foi demitida por ser “mais competente” ao chefe, isso não ocorreria se você fosse um homem? eu acho que ocorreria da mesma forma… talvez ele tenha até dito sobre “até parece que vou perder meu cargo pra uma mulher”, mas a situação em si da demissão ocorreria independente do sexo… muitas coisas ocorrem não por machismo, mas por competição de mercado.

    Fofocas ocorrem em qualquer lugar… atingem mais mulheres porque homem não cultiva esse costume de fofocar sobre a vida sentimental dos outros… não vejo como preconceito, afinal de contas, a maioria das fofocas é gerada pelas proprias mulheres… mas eu também não gosto de fofocas…

    Gostaria de receber uma visita sua ao meu blog para ouvir sua opinião sobre o que escrevi… meu foco foi quanto à multiplicidade de responsabilidades impregados à mulher… não existe uma resposta, ainda busco uma.

    Sou mais nova que você, eu realmente gostaria de ouvir o que você tem a dizer!

    Até!

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