Afinal, pirita ou ouro?

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Em meio ao turbilhão profissional, durante esta semana, em que fiquei praticamente trancafiada dentro de uma sala chique com ar condicionado congelante e figuras “ilustres”, não foram essas “valiosas” pessoas que me surpreenderam. Longe disso, foi uma “jóia”, digamos, mais “barata”. Para não sucumbir no meio de tanto ego, durante os intervalos do evento ou no horário do almoço, passeava pelo bairro.

E, numa dessas voltas, resolvo entrar num sebo para matar o tempo. A cena é um pouco decadente. O grande salão silencioso, com imensas prateleiras e livros de todos os gostos, discos de vinil e dois grandes ventiladores que emitiam ruídos enferrujados, davam o tom da trilha sonora. A poeira habitava o lugar e meus espirros passaram a roubar momentos do som das grandes esferas rotativas que davam o oxigênio possível em meio a cores desbotadas.

Para variar, corro para a letra B. (de Beauvoir), para ver se tem algo por lá que ainda não li. E, um senhor, de aparência desleixada, cabelo encaralocado sem cor definida, um óculos na ponta do nariz, calça jeans velha, camisa branca de um tecido surrado, transparente e amassado, com botões abertos, que deixava sua vasta pelagem do peito escapar, testa brilhante pelo suor - de onde vertiam góticulas deslizantes -, veio me atender.

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- Gosta dos Franceses?

- Sim, especialmente do trio Beauvoir, Sartre e Camus.

- Dos três, o único que sobreviverá é Camus. O resto é temporal. Não ficará.

- O senhor está me dizendo que Sarte e Beauvoir é literatura momentânea?

- Não, não estou dizendo. Estou afirmando.

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Neste momento, misturada a uma agonia estranha tive vontade de integrar uma daquelas novelas tragicômicas, tantas vezes descritas nos livros que figuravam as prateleiras, e voar no pescoço do senhor. Mas, desisti porque talvez a função seria um pouco deslizante por conta do suor evidente que possuía seu corpo velho e abatido. Na hora, me lembrei daquelas lutas na lama…

E aí emergiu todo o meu preconceito. Tenho SIM preconceito em relação a várias coisas. Obviamente, como é possível checar em todos os meus textos, passa longe dos temas sexuais, de cor, raça, religião, etc, etc. Como disse neste texto, desconfio das pessoas que dizem que não têm preconceito em relação a nada. Óras! Somos “moldados” em caixinhas, fechadinhas em nosso mundo. E, dizer que não se tem preconceito com nada é no mínimo esquisito. Eu conheço quase todos os meus. Convivo com eles. Mas, não me deixo dominar por eles. Não ofendo as pessoas.

Na hora pensei: “Hummm, quem é o senhor para dizer que Simone de Beauvoir é passageira?”

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O comentário, que nasceu influenciado pela aparência dele, jogou em minha cara o meu preconceito de atribuir uma possível inteligência à boa aparência. Afinal, “quem era ele (aquele sujeito mal vestido), dizer que entendia de coisas tão importantes”. Logo eu, que minutos antes estava abominando a super vaidade dos ilustres do evento.

Que feio! Lógico que tenho “simancol” e a ficha caiu…

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Sem que ele percebesse minha “falha” horripilante, resolvi alongar o assunto. Ele me puxa o Estadão de domingo passado, que trazia uma crítica muito contundente sobre o assunto, e que eu (sim, eu, a preconceituosa) não tinha lido! Expôs seu ponto de vista e eu o meu, e chegamos a um “meio” termo. Eu defendi a atemporalidade de Beauvoir por conta de seu pensamento “libertário”, “feminista”, em plena década de 40, quando estourou a Guerra e Hitler invandia a França. Depois falei de Sartre, que foi uma das poucas questões que não teve consenso. Ele considera Sartre um “assaltante” de idéias dos seus antecessores, como Flaubert. 

Depois de duas horas e meia de papo (e, eu, perdi parte do evento), fiquei sabendo de algumas poucas coisas daquele sujeito empoeirado. Era doutor em Literatura pela USP, onde permaneceu 20 anos, tinha conhecido o casal Sartre no Rio de Janeiro, e trabalhado nas principais TVs educativas do País. E, agora, queria sossego. Eu, falei das minhas aventuras pela França num passado recente e em como tinha percorrido os lugares onde o casal conviveu.

Ele me deu uma verdadeira aula e me convenceu que deveria ler as obras abaixo. Eu, totalmente seduzida, me rendi sem pestanejar. Poucas vezes na vida tive um papo tão agrádavel e produtivo. Que mudou alguns paradigmas e acrescentou outros. E, enquanto eu desfilava com o meu sapato apertado de laçinhos, ele não estava nem aí com suas chinelas largas.

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Onde reside o verdadeiro valor? No superego dos “ilustres” do evento, nos meus sapatos envernizados ou no sossego de um sujeito, que aparentemente nada tinha de “ouro”, e tirando o brilho dos livros, reluzia mesmo uma falsa pirita.

Muitas vezes, vale mais ser pirita que ouro!

e, eu, me esqueci de perguntar o nome dele.

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AQUISIÇÕES DE MARÇO

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livro1.gif OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER - GOETHE

Escrito em 1774, o primeiro romance de Goethe, escritor alemão que marcou os primeiros passos do romantismo. É autobiográfico, embora com nomes e lugares trocados, e escrito em primeira pessoa.  Tem conteúdo essencialmente psicológico e trata de um amor malsucedido em que o protagonista se mata após o fracasso de sua pretensão sentimental. O que acho mais engraçado é que o livro sendo escrito em 1774 (!!!) mostra que sofrer por amor continua sendo muito contemporâneo…

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livro3.jpg O ESTRANGEIRO - ALBERT CAMUS

Escrito em 1957, é o mais popular dos livros do francês (que na verdade nasceu na Argélia). A história conta a vida de Mersault, condenado à morte por matar um árabe a troca de nada, e marca também as desventuras de um homem do século XX. Uma espécie, segundo Arthur Dapieve, de autobiografia de todo mundo.

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livro4.jpgO MAGO - VLADIMIR NABOKOV

É impossível falar do russo Nabokov sem se lembrar de Lolita, seu escandoloso sucesso de 1955. O Mago, escrito em 1939 em Paris, é considerado a “primeira palpitação de Lolita”, um rascunho, uma prévia do que seria seu grande sucesso. O Mago é um homem de quarenta anos, rico e refinado, solitário, que mantém um desejo lascivo por meninas pré-adolescentes. Um dia, numa praça - provavelmente em Paris - ele vê uma garota ruiva de doze anos e se encanta por ela. Dotado de níveis e sentidos múltiplos, numa escala interminável de culpa, moral, sensualidade, suspense e horror, ler o Mago não é o mesmo que ler Lolita.

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livro6.gif NO CAMINHO DE SWANN - MARCEL PROUST

O livro é o primeiro de sete livros do autor da saga denominada “Em busca do Tempo Perdido”, que tem no quarto volume o popular “Sodoma e Gomorra”, considerado um dos primeiros romances que tem a homossexualidade como tema central. Na obra completa, há muito sexo, que pode atingir extremos de perversão. No caminho de Swann, que o francês publicou em 1913, concentra o período de formação do protagonista, o amor intenso pela mãe, a pouca simpatia pelo pai, o ambiente familiar dominado por mulheres, e sentimentos precoces de ódio e culpa. Há também o fascínio pelo mundo, pelas mulheres e homens e pelas artes.  Proust, segundo Jorge Coli, descerra nossos olhos fazendo-nos compreender, não sem angústia, os alcances e as fronteiras da consciência a partir de sensações, do vivido e da experiência.

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livro2.jpg VÔO NOTURNO - A. DE SAINT-EXUPÉRY

O Francês Saint-Exupéry, além de escritor de um dos mais famosos livros “O pequeno príncipe”, foi também ilustrador e piloto da Segunda Guerra Mundial. Suas obras são intensamente marcadas pelo assunto aviação. Em o Vôo Noturno faz descrição da trágica aventura de um dos pioneiros da aviação, a história se passa numa época em que o serviço noturno era ainda problemático, e dependia muito da ousadia e da perícia do piloto. Dizem os “especialistas” que o livro é uma poesia em forma de romance.

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livro5.gif TRÓPICO DE CÂNCER - HENRY MILLER

Como tantos escritores que emigraram para a Paris da década de 20, o norte-americano Henry Miller experimentou na capital francesa tudo o que há de bom e ruim. Narrado em primeira pessoa, o Trópico de Câncer, publicado em 1934, conta a realidade dos bulevares da cidade, pensões baratas, bebedeiras, cafés ordinários e a convivência com uma multidão de artistas e intelectuais igualmente desenraizados e sem dinheiro. Miller, que também é famoso por seu romance com Anaïs Nin, foi acusado de pornográfico e obsceno, e hoje o livro é considerado um dos mais intensos testemunhos literários de uma geração que mergulhou de cabeça na vertigem do século 20.

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livro7.jpg PERSONAS SEXUAIS - CAMILLE PAGLIA

A ítala-americana Camille Paglia conseguiu provocar o tremor de maior impacto dos últimos anos na escala Richter da intelectualidade norte-americana. Personas Sexuais: arte e decadência de Nefertite a Emily Dickinson, seu livro de estréia, é um ensaio que analisa a representação literária em termos de sexualidade desde os primórdios da civilização ocidental até o fim do século XIX.

* Com informações de vários sites e “orelhas” dos livros

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De todas essas obras acima, a última de Camille Paglia é a que tem intensa relação com o Dia Mundial das Mulheres e a campanha pela Valorização da Mulher, encabeçada pela Lys e pela Meiroca. Fazia tempo que eu queria ler o livro, mas não achava mais aqui no Brasil e felizmente minha visita ao sebo me rendeu esse bom encontro.

Na interpretação dela, o homem sempre temeu a mulher, associada (com razão) aos insondáveis mistérios da natureza e da reprodução. Toda a nossa civilização seria a consequência do esforço empreendido pelos homens para se protegerem do poder natural das mulheres. Paglia parte daí para uma teoria da estética e da beleza que orientará toda a sua análise: desde o Egito Antigo até a literatura moderna, passando pela moda, Madonna, cinema e pelo descontrutivismo francês, etc. Um dos principais alvos de Personas Sexuais é o feminismo americano e o “politicamente correto” em geral.

O livro é bem polêmico assim como sua autora, considerada a principal pensadora do “Feminismo” atual - tecendo também, grandes críticas ao movimento. Segue abaixo uma matéria do jornal Zero Hora, publicada em novembro do ano passado, que acabei guardando e assinada por Milena Fischer.

Boa sexta-feira!!! :)

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Quem tem medo de Camille Paglia?

Camille Paglia, 60 anos, integra o time dos intelectuais boxeadores. Suas observações sempre são feitas de maneira pungente. Inesperada. Polêmica. Libertária dos anos 60, só fortaleceu, nas últimas décadas, seu poder de criar polêmicas. Feminista liberal, ela coloca mais responsabilidades sobre os ombros das mulheres do que qualquer outra colega de causa. Repare em uma de suas afirmações, quando da época do escândalo sexual envolvendo Bill Clinton e Mônica Lewinski:

- Para cada assediador sexual grosseiro, existem 10 mulheres sicofantas que desavergonhadamente usam seus atrativos sexuais para avançar na carreira. Não queremos uma sociedade supervisionada por velhas governantas e dedos-duros. A missão correta do feminismo é encorajar as mulheres a agir responsavelmente, sem ter de ficar pedindo socorro todo o tempo a figuras que encarnam a autoridade paterna. Uau. O feminismo se enfureceu com Camille, essa intelectual que admira Madonna publicamente mas que vive a provocá-la, também publicamente. Quando a diva do pop sofreu uma queda de cavalo em sua propriedade, na Inglaterra, em 2005, Camille foi dura:- Madonna é a culpada por ter caído do cavalo e quebrado a mão porque ela usa este animal como acessório de moda.A escritora teria dito que previu o acidente após ter visto uma edição da Vogue América em que Madonna aparece montada num cavalo.

Críticas às mulheres à parte, nos Estados Unidos, seu papel mais importante tem sido o de questionar o status quo americano, sem deixar de levar em consideração o que o american way of life trouxe de contribuições para o mundo. Camille, professora no Philadelphia College of the Performing Arts, tem sido ouvida sobre todos os grandes fatos que abalaram os Estados Unidos, do affair Clinton e da postura de Hillary aos ataques terroristas à tragédia de New Orleans.

Seu mais recente livro (de 2005, ainda não publicado em português) se chama Break, Blow, Burn: Camille Paglia Reads Forty-three of the Worlds Best Poems. Nele, ela publica a íntegra de 43 poemas, cada um deles seguido de um ensaio analítico. Entre os poemas selecionados, O Discurso do Fantasma, que está em Hamlet, de William Shakespeare, A Pulga, de John Donne, e Canto a Mim Mesmo, de Walt Whitman, uma das maiores elegias aos Estados Unidos e ao ser humano. Antes desse, Camille escreveu Personas Sexuais - Arte e Decadência (1990), que a revelou como uma intelectual que de forma pioneira misturava conceitos clássicos com elementos da cultura popular, como rock e televisão, Sexo, Arte e Cultura Americana - Ensaios, Vampes & Vadias (1994) e Os Pássaros - Ensaio sobre o Filme de Hitchcock (1998).

Camille Anna Paglia, nascida no Estado de Nova York, em abril de 1947, é Ph.D em língua inglesa pela Universidade de Yale e consta na lista dos cem maiores intelectuais do mundo, elaborada pela revista Prospect, da Inglaterra. Na próxima quinta-feira, Camille trará todo esse arsenal de conhecimento e ousadia a Porto Alegre, proferindo palestra no Curso de Altos Estudos Fronteiras do Pensamento. Mas nem ela foge à regra e já adiantou: quer conhecer o famoso churrasco gaúcho.

Camille quebra paradigmas e diz o que pensa. Atéia, defende o ensino religioso, uma vez que a religião “é absolutamente central para a cultura e a experiência humana” e, sem ela, não seria possível entender o mundo em que vivemos, sua organização e sua história. Feminista, condena a marginalização da mulher “do lar” pelas feministas - uma vez que a mulher emancipada é fruto da Revolução Industrial e do mercado de trabalho, o feminismo jogaria suas pragas sobre a figura da dona de casa, subserviente e atrasada.

- O movimento feminista tende a denegrir a mulher que quer ficar em casa, amar seu marido e ter filhos, que valoriza dar à luz e criar um filho como missão central na vida. Está mais do que na hora de o feminismo ocidental conseguir lidar com a centralidade da maternidade para a maioria das mulheres no mundo - defende a intelectual.

Para ela, feminismo significa possibilidade:

- Feminismo deveria ser sobre mulheres terem a oportunidade de avançar e terem o direito de auto-subsistência econômica para não depender de um parente homem.

Mas o embate com as feministas não é o único na vida de Camille. Ela também tem levado para o ringue suas discussões com esquerdistas pela sua ênfase nos estudos multiculturais, que deixa de lado o cânone artístico clássico. Para ela, arte é transcendente sim, por mais “retrógrado” que esse conceito possa parecer, segundo suas próprias palavras. Em Porto Alegre, ela fará palestra sobre a representação da mulher na arte.

Sobre o Brasil, Camille tem uma opinião interessante e inspiradora:

- O Brasil consegue incorporar todos os extremos da história humana: o senso de alta civilização combinado ao senso dos elementos da natureza, do primitivo. E é justamente isso que está faltando no modernismo pós-estrutural, o senso da natureza. A glória e o sublime da natureza estão em todo lugar no imaginário brasileiro. Essa convivência é possível desde que se tenha um tipo de educação igualmente baseada nas humanidades e nas ciências exatas e biológicas..

11 Comentários

  1. Comentário de Tiago on Março 7, 2008 7:42 pm

    Como diriam os grandes filósofos: nem tudo que reluz é ouro.

    E, pra mim, muitas piritas são muito mais valiosas que os ditos ouros da sociedade…

    bom findi pra você

  2. Comentário de Marcelo Bueno on Março 7, 2008 8:54 pm

    Os contos orientais volta-e-meia trazem a figura de um mendigo, um bêbado, um louco - ou seja lá o que nos cause algum desconforto - para revelar, por fim, que se tratava de uma manifestação divina que vem nos ensinar algo.

    Às vezes um cara estranho é só um cara estranho - às vezes não… ;)

    Não sou muito diferente de você neste ponto, mas é ótimo quando as fichas caem e aí rola este momento de bênção…

    bjo bjo bjo

  3. Comentário de Matt on Março 7, 2008 9:54 pm

    Carambá, K.

    Ler seus posts é mais demorado que ler um livro… risos

    Já que você foi prolixe, vou ser resumido:
    - Preconceitos: infelizmente estamos cheios deles, graças aos nossos pais, amigos e parceiros que colocaram tantas ideias absurdas e inconsistentes na nossa cabeça que acabamos achando nossas por compaixão e sucessiva integração… O mais difícil é liberar-se deles, e aceitar novos outros…
    - Beauvoir, Sartre, Camus: Infelizmente não fiquei muito intimo com os primeiros, perdi Simone sei la onde na minha escolaridade, e fugi do Sartre durante as aulas de filosofia - que eu odiava porque sempre odiei pessoas tentando me inculcar a filosofia dos outros como se fosse melhor que a minha própria. Resta o Camus, que não conheço tão bem assim, mas o Estrangeiro ficará para sempre na minha mente como uma obra inevitável e poderosa.
    - Medo das mulheres: sem dúvida temos. Qualquer um que negaria seria um pobre coitado que acha que o ego dele lhe permitirá se auto-fecondar…

    Um beijo,
    Matt.

    PS: putz sempre sonhei em organizar reuniões em casa a volta de uns coupos de bom vinho, na luz de velas, e com amigos falando sobre livros, filosofia (não aquela dos livros, filosofia da vida), e muito mais… Me falta uns amigos apaixonados, como você, o carinha da USP, e um bando de outros… Outra vida talvez… risos

  4. Comentário de Bob on Março 7, 2008 11:19 pm

    Também já comentei no meu cantinho que é natural ter preconceitos, mas acho que muitas vezes esse preconceito deve ser lidado usando o significado literal da palavra. No sentido que formamos muito facilmente conceitos prévios de coisas que mal conhecemos. O segredo é estar aberto a mudanças e reconhecer erros como você mesmo fez neste caso.

    Eu também julgo várias vezes as capacidades de uma pessoa pela sua aparência. Tento me policiar para não recorrer demais nisso, já que cansei de ter aula, e até fui orientado, por professores que iam de chinelo pra faculdade.

    Não posso discorrer muito sobre os livros já que anda não li nenhum deles. Na verdade sei praticamente nada sobre filosofia e temas correlatos, quem sabe se tiver tempo em um futuro próximo, e a minha pinha de livros parar de crescer tento começar a ler sobre o assunto. Só preciso achar um bem fácil pra começar, no estilo “for dummies”.

    Em relação ao feminismo preciso também estudar mais sobre o assunto. Mas a impressão que eu tenho que essa discussão é cheia de extremos. E acho que o caminho é na verdade mais suave.

    Por fim estou te jogando uma batata quente no teu colo. Dá uma visitadinha no meu cantinho pra pegar ela.

  5. Comentário de Patty on Março 8, 2008 4:09 am

    K, eu acho que por mais que combatamos os preconceitos, briguemos pela quebra dessas amarras, acabamos percebendo um outro que a gente até então não tinha reparado direito. Mas o que eu acho muito mais legal no seu post é que vc sacou a tempo seu preconceito e se deixou levar pela conversa do desconhecido, teve um embate filosófico literário mesmo sem ter a mínima idéia de quem ele era. Uma pessoa fechada, com aquele sapatinho de salto e lacinho, não deixaria a conversa evoluir. Parabéns, ganhou duas boas horas na sua vida.

    Já li alguns dos livros que estão nessa lista, outros não, mas vou. Agora, amiga, vou te confessar que já tentei muuuito ler um livro da Camille Paglia inteiro e não consegui. Não sei dizer qual é o ponto que me dá bode e eu paro. Mas vou tentar de novo, também sei, vivo tentando. Um dia entendo melhor essa mulher.

    Bjs

  6. Comentário de G on Março 8, 2008 7:37 am

    Você, minha menina, persegue o caminho da “boa batalha” (se me entende)..rs… sim… com certeza, renda-se aos velhos maltrapilhos em chinelos surrados…. Um dia te conto a história de um velho maltrapilho com quem conversei horas e horas (ele era um ex-frade) e como aprendi e descobri coisas nas quais era era um cego abalfabeto… Como você deve saber, Kastor, a vida é isso: aprender e aprender, ainda que com o inusitado e o inesperado…
    Beijo, beijo

  7. Comentário de jana on Março 8, 2008 12:23 pm

    tem presente pra vc!

  8. Comentário de Ricardo Rayol on Março 8, 2008 2:21 pm

    O que dizer além do ter gostado das dicas? Texto maravilhoso, apesar de ser um dia teu, comum, parecia um romance.

  9. Comentário de Josi Vice on Março 11, 2008 9:32 pm

    ótimo post
    livros incríveis de autores fenomenais
    eh só o q posso declarar por agora

  10. Pingback de O que se falou sobre a Mulher Brasileira… | Pensieri e Parole on Março 12, 2008 3:55 pm

    [...] Afinal, pirita ou ouro? [...]

  11. Pingback de Urinar: um jeito masculino de protesto? « Incompletudes on Março 28, 2008 3:19 pm

    [...] de Camille Paglia, que tem breve descrição em Na Estante, de março, e também neste texto aqui. (Patty, estou adorando… só eu mesma né! [...]

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