Eu, a morte, o morto, o ódio e o perdão
Não, não é uma história de amor. A história que gerou o post “O tempo não traz alívio; mentiram-me todos!“, e despertou a curiosidade de tanta gente não tem final feliz. Não pela morte em si. Me relaciono muito bem com essa “dama negra”. Vejo como coisa natural, especialmente quando é por opção própria. É um ponto final de uma história. Estou acostumada a terminar histórias e começar novas. Mas, este ponto final em específico veio na hora errada. Terminou no meio. Com meias palavras ditas e enredo incompleto.
Como já contei aqui, tive a minha experiência de “quase” casamento. Morei alguns anos com uma pessoa, no qual fui feliz, porém acabou. Mas, o término foi só para um dos lados, o meu. Ele não queria. E, não se acostumou com a idéia. Depois de dois anos tentando explicar a ele a falência do relacionamento, um dia cansei, peguei uma mochila com quatro “trocas” de roupa e “me mandei”. Achei que com uma, duas, três semanas a coisa se acalmaria. Não foi o que aconteceu.
Entre me perseguir, me fazer perder um emprego, queimar todas as minhas coisas, espalhar nossas fotos “sensuais” pela internet (sim, quase pelada… não, não tenho mais, nem adianta pedir! rs), fazer todos os nossos amigos me odiarem, bloquear nossa conta em comum (o que me deixou sem um puto furado na época - já que todo o dinheiro ia pra essa conta), contar várias mentiras para meus pais, etc, etc, etc…. ele cisma de morrer um mês e meio depois da separação. Casualidade. Terrível. Dessas que uma pessoa tem uma dor de cabeça e morre em 15 minutos.
Toda a soma destas coisas me fez ver bem de perto dois sentimentos que antes eu não conhecia direito: o egoísmo (dele) e o ódio (meu).
Óbvio que quando alguém se separa - especialmente se não é do seu gosto - é seu direito tentar novamente, chorar, espernear, fazer drama, etc, etc, etc. Mas, nunca fazer mal à outra pessoa. Especialmente quando você diz que ama ou amou tanto alguém. As atitudes dele pós-separação me fez perceber que na verdade ele nunca realmente me amou. Ele amava a sensação que dava quando eu estava ao seu lado. Ele gostava mesmo era dele quando estava comigo. Eu era acessório. Muleta para suas necessidades. Mas, amor… isso não.
E, antes dele morrer, senti profundamente ódio por isso. Quase me senti usada. Fiquei incorfomada com suas atitudes. Não pelos livros, cds, roupas, documentos queimados. Ou pelas bobagens que ele disse. Ou por me deixar sem nada. Mas, por sua capacidade de realmente querer fazer mal a uma pessoa que ele conviveu durante anos. Não me conformava com a possibilidade de alguém ligar e desligar quase que automaticamente o sentimento por alguém. Acho que para nós dois aquele ditado de que o “amor e o ódio” caminham juntos, nunca fez tanto sentido.
Logo após sua morte, eu passei por um misto de culpa (que passou logo porque fui uma pessoa excelente com ele durante todos os anos que moramos juntos), arrependimento de não ter falado o que queria, pena, tristeza, etc. etc.
E, descobri uma outra coisa: a morte não transforma as pessoas em santas. Pelo menos não para mim. Já perceberam que quando alguém morre automaticamente ela se torna uma ótima pessoa? É perdoada por tudo? Álias, normalmente, as pessoas nem se lembram das bobagens que o “falecido” fez em vida.
Eu queria ter feito parte desse grupo. Mas, não consegui esquecer as bobagens que ele cometeu e ainda o odeio nos dias que tenho problemas por conta das atitudes que ele tomou. Obviamente, não esqueço também das coisas boas que tivemos em vida. Mas, nem por isso as ruins foram apagadas.
É um misto de sensações. Amo aquele que convivi. E odeio aquele que conheci brevemente. Eu achei que o tempo ia amenizar esses sentimentos. Os dois - o amor e o ódio. Mas, não. A parte que o ama, ainda chora por sua morte - mesmo com o tempo passado. A parte que o odeia, ainda não entende todo o egoísmo mostrado.
Para mim, o tempo não trouxe o alívio. Talvez porque como tenho uma natureza “pacífica” não consegui falar tudo o que tinha que falar a ele. Não dei um tapa, não gritei. E, pior, não me despedi.
…certos mortos não morrem nunca.
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minha amiga K;
faz alguns minutos que postei o comentário no post anterior, antes de ter lido este aqui. Tu deves tê-lo lido, eventualmente. Não quero competir com a tua tragédia e contradição íntima. Mas o meu caso é, a meu ver - é claro - pior ainda: porque o meu fantasma ainda é vivo! Tem carne, osso e respira. E coisa de três vezes por semana convivo com ele (ela) ao telefone e uma vez por mês ao vivo, para me iludir pela centésima vez na possibilidade, pelo menos, de ter um diálogo humano, espontâneo e íntimo, e - pela meu constrangimento - me frustrar ante a artificialidade e a dor não acusada, nem declarada, de ambas as partes. Este meu “quase-namoro” só se sustenta pelas nossas carências ambas (cuja óbvia natureza não revelarei, embora tenha iniciado de outra forma) e me atormenta, viva que ela está, na medida em que cada dia morre um pouquinho, pela falta de atenção e contato afetivo concreto, dentro de mim; e porque não tenho coragem de lhe expor a minha profunda amargura!
Mas deixe pra lá. Desculpe o desabafo desautorizado deste anarquista louco! Antes me tome por uma “metalinguagem ambulante” dos teus três últimos posts! Bira
Olha, agora entendi perfeitamente o outro post… realmente, esse tipo de situação inacabada e que nem tem a possibilidade de se resolver é fogo…não morre nunca, nem com o tempo!
Eu amei mto mesmo um rapaz, terminou faz pouco, mas eu desejo a ele todo o bem, pq realmente amei ele…talvez não do jeito que ele precisava, mas do meu! Só sei que o quero mto bem, jamais faria nada pra prejudicar nenhuma área da vida dele.
Realmente é difícil de entender o seu ex ter feito isso tudo…é como vc disse, não era amor por vc, podia ser mtas outras coisas, mas…
Obrigada pela visita, inclusive no meu blog novo. Estou adorando a chance de contar uns causos engraçados…rs
Bjos, linda e uma ótima quarta pra vc!!!
Quando não se há nada a dizer, nada melhor que não dizer nada! Sinta-se beijada!
Olá K
Obrigado, pelas visitas e comentários no PALAVRAS SOLTAS “PAPAGAIO”
Gostei muito da forma como abordas, esta tua relação com o amor e a paixão.
Beijinho carinhoso…
Quando não se há nada a dizer, nada melhor que não dizer nada! Sinta-se beijada! [2]
Gosto muito de você moça…

Cuide-se
Beijokas e abraços!
O passado é um fantasma do arrependimento é algo que sempre andará conosco e de forma alguma esqueceremos. Em verdade todos tem um arrependimento, e este só chega realmente, quando não há mais nada a se fazer.
Poderia te dizer frases de consolo, frases de ânimo, ficar horas e horas conversando sobre o assunto, fazer mil outras coisas na tentativa de te consolar. Mas ao mesmo tempo estaria sendo hipócrita comigo mesmo, já que eu tenho meus fantasmas.
Bom… Faça o que fizer, conte comigo.
Uma ótima quarta para você.
alguns mortos nunca morrem e os fantasmas continuam a nos perseguir, seja o das palavras não ditas ou dos tapas não dados.
fica em paz!
bjs!
Eu comentei
“O tempo não trás alívio; mas novas possibilidades.
O desabafar não trás leveza; mas trás novas visões;
O esquecimento não tira a dor; mas proporciona novas sensações…
Enfim… tudo é uma adição que lentamente substitui…
O que antes era dor angustiante, agora é apenas dor saudosa..”
E hoje acabei postando algo sobre isso no meu blog. Mas em relação aos meus pais…
Também tenho a mesma sensação de que a morte não lhes canonizou. O tempo não trouxe alívio, mas comecei a ver novas possibilidades de resignificar o passado. Falar não me trouxe a leveza que eu achei que traria, mas cada vez que eu repetí a história, eu comecei a ver detalhes que estavam lá, mas eu não os via/percebia. Certas coisas que o tempo fez cair no esquecimento, não fizeram com que eu esquecesse da dor que eles ainda proporcionam, mas me mostraram que eu posso sentir outras sensações além de dor.
ME SOLIDARIZO COM VOCÊ.
Sinto exatamente o mesmo que você. Aliás, os fantasmas dos meus pais continuam me assombrando até hoje. E assim como você, fui pacífico, calei-me, omiti tapas que deveria ter dado (assim como omiti declarações de amor que deveria ter feito… nem tudo é tempestade).
Agora, resta aos fantasmas levar os tapas. Resta aos fantasmas ouvir minhas queixas. Resta aos fantasmas, ser a companhia que não foram os meus pais… Sim… tem certos mortos que não morrem nunca. Mas um dia, haverá, e eu sei disso, que vou poder me despedir desses fantasmas (e então lidarei com outros).
Oie…
Vim te visitar pq vc passou la no Espamos.. hehehe…Bacana teu espaço… E este eu texto é incrivel… a ultima frase então foi de cortar… Me fez ficar com os olhos em lagrimas… Nem sempre se despedir é bom… As vezes isso é que vira o fantasma…
beijos Mila
Nossa, que história.
As vezes a gente tem que carregar cada piano na paleta que parece mentira.
io k. beijos Nunca é Tarde Demais. Sinta em seu coração.Siga a essencia de sua alma.Ouça a sua intuição. Milagres acontecen todos os dias, basta que acretide. A felicidade é um estado de espirito…não depende de outras pessoas. Deixe o sol brilhar dentro de você .Fundamental é ser sincero com o nosso interior. Não renuncie á vida para agradar aos outros. Se voê se violentar, no começo vem um desconforto, logo uma dor, daí a pouc, doenças…Você, frente a frente com o espelho. A máscara cai, tudo fica muito clara e as coisas começar a fluir. Estar aberto ás mudanças, encarar a vida de frente, aproveitar as oportunidade que aparecem no seu caminho, você estar sintonizando…. Desejo a você muito sucesso sinceros ok bjs. lúcia
Linda.
Sem culpa nenhuma.
Não precisa. As coisas acontecem por vontades. dele, sua, de todos.
beeiijos..Muitos beijos.
[...] E o outro lado? Publicado Outubro 10th, 2007 Sem-categoria Tags: história de amor e ódio, história triste Eu, que não estou com muitas idéias fico a maior parte do tempo lendo, meu trabalho está BEM sossegado estes dias. Ai pô, a moça lá do Incompletudes, tá virei fã, me inspiro e não saio de lá, escreveu essa parada. [...]
Nossa, que história!!! E não te culparam pela morte dele não???
Jesus… reza pra ele, ascende uma vela, assim a assombração vai embora!!!
Querida K., como disse a B. “…é melhor não se dizer nada”, mas conheço uma canção que diz mais ou menos assim: “tem dor que é pra gente carregar sozinho e não dividir o pranto com ninguém / por isso me deixa só nesse cantinho, só eu sei pra minha dor o que convém”.
Bj p/ vc, moça!
humm, agora entendi …
[]’s, fique bem.
[...] Mando fazer um anel? (e junto vem as energias do meu “quase” casamento e o namorido que fez fogueira das minhas coisas?… tô [...]
[...] V - Cancioneiro - Fernando Pessoa. Esse na verdade eu já li, mas, fui afastada dos meus livros na fogueira da inquisição (separação) e não consegui recuperá-los. Alguns estou readquirindo. E, ajuda no sono…. para eu dormir [...]
[...] minha estante. Os amigos também sabiam e me traziam de presente. Eu adorava. Mas, elas também foram para a fogueira junto com os meus livros na minha inquisição pessoal. Então, hoje, não tenho nenhuma. O gosto [...]